quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ 2010 COM TOPS


Bem pessoal, um ano se foi e agradeço a todos que me leram e espero continuar por muitos e muitos anos escrevendo bobagens.
Para comemorar a passagem de ano fiz um pequeno top a respeito a respeito dos assuntos usuais deste site. Tudo que mais me tocou está aí embaixo. Espero que gstem:

Um abraço e Feliz 2010
CINEMA

1 – Distrito 9, Neil Blokamp (USA/AFS)
2 – Avatar, James Cameron (USA)
3 – Anticristo, Lars Von trier (USA/DIN)
4 – Valsa com Bashir, Ari Folman (ISR)
5 – Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino (USA)
6 – 500 dias com ela, Mark Webb (USA)
7 – Desejo e Perigo, Ang Lee (CHI)
8 – Up – Altas Aventuras, Peter Docter (USA)
9 – Coraline, Henry Sellick (USA)
10 – Star Trek, J.J. Abrams (USA)
11 – Abraços Partidos, Pedro Amodovar (ESP)

Livros Adultos
1 – Primavera num espelho Partido, Mario Bennedetti (URU)
2 – Filho da Mãe, Bernardo de Carvalho (BRA)
3 – Leite Derramado, Chico Buarque (BRA)
4 – Caim, José Saramago (POR)
5 – Estrada, A, Cormac McCarthy (USA)
6 – Zazie no Metrô, Raymond Queneau (FRA)
7 – Fantástica vida breve de Oscar Wao, Juniot Diaz (USA)
8 – Luuanda, José Luandino Vieira (ANG)
9 – Antes de nascer o mundo (Jesusálem), Mia Couto (MOÇ)
10 – Syngué Sabour – Pedra-de-paciência, Atiq Rahimi (AFE)
11 – Garoto no Convés, John Boyne (ING)

Livros Infantis e Juvenis
1 - Marcelino Pedregulho, Sempé (FRA)
2 – Tem um cabelo na minha terra, Gary Larson (USA)
3 – Caneco de Prata, João Carlos Marinho (BRA)
4 – Hoje não quero banana, Sylviane Donnio; Dorothée de Monfreid (FRA)
5 – Ladrão de Raios, Rick Riordan (USA)

Quadrinhos

1 – Retalhos, Craig Thompson (USA)
2 – Sandman: Entes Queridos, Neil Gaiman (USA)
3 – Jimmy Corrigan: O menino mais esperto do mundo, F.C.Ware (USA)
4 – Nova York – a vida na grande cidade, Will Eisner (USA)
5 – Sandman: Vidas Breves, Neil Gaiman (USA)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

GUERRA AO TERROR, Kathryn Bigelow


Tirando de lado o infeliz título nacional que salienta o esteriótipo do povo do Oriente Médio, The Hurt Locker é um interessante filme sobre o dia-a-dia de uma equipe de desarmamento de bombas no Iraque, ao receber um novo líder faltando 38 dias para o término das atividades a vida do grupo muda radicalmente pois James, é uma pessoa difícil que entra de cabeça nos riscos de se deparar com bomba mortais em plena guerra no Iraque,

De um lado este filme é um avanço artístico em como a guerra atual vem sendo retratada na tela grande, em que anda servindo para qualquer filme de ação em que os inimigos não precisem de muitas motivações a não se a etnia. Bem... vimos isso no cinema americano por um bom tempo quando se tratava de russos, ou dos vilões mais pops do século XX, os nazistas, Hurt Locker não tenta complicar demais as relações dos fuzileiros diante dos inimigos islâmicos, há alguns resquícios, mas as relações intrínsecas ou motivações dos guerrilheiros iraquianos, para isso você vai ter que ver Paradise Now, por outro lado não há julgamento dos personagens ou qualquer sentimento de patriotismo sendo lançado nas cara do público como o cinema de propaganda.

Sua inovação artística está em demonstrar essa guerra da perspectiva dos soldados com extremo realismo sendo quase confundido como um documentário real, além de construir um tensão frequente em seus momentos chaves que desordenam os sentimentos dos soldados enviados na missão. Esse é sobretudo um filme sobre soldados e para isso, constroem um personagem provável para condensar tudo que possa existir no interior de um soldado: Sua valentia estúpida, alguém próximo de ser um louco, que corre risco de se envolver, chora e tem dúvidas sobre a missão. Os culpados por essa concepção são a diretora Kathryn Bigelow e o ator principal Jeremy Renner, a primeira por conseguir fundir sentimentalismo e tensão em um filme só, o segundo que com um trabalho competente consegue criar complexidade em um personagem que poderia ser um simples action hero. A complexidade é ideal para se entender o sentido mais profundo a que o filme se pretende sutilmente sendo explicitado na primeira frase do filme “The war is drug”. Não uma droga nem seu sentido denotativo, mas uma droga real que vicia o personagem principal e o torna incapaz de se adaptar a sociedade. Ele precisa da adrenalina da guerra para viver, precisa quase morrer para viver.

Esse é um dos principais concorrentes à premiação do começo do ano: Globo de Ouro, Oscar, SAG, Bafta, etc... é um filme lançado no começo do ano em solo americano e que chegou aqui direto em dvd em abril. Então você pode assistir no conforto do lar um filme que pode ganhar o Oscar de melhor filme em fevereiro. Creio que isso deva significar alguma cosa, mas ainda não teria palavras para expressar. Só indico que isso também deva explicar este título em português estranhíssimo que nada tem a ver com o filme ou o fato de encontrarmos no poster do dvd só o nome das participações especiais (Ralph Fiennes, Guy Pearce e David Morse devem somar 10 minutos de projeção o todo) e não dos atores principais. Mas são só perguntas sem respostas.

domingo, 27 de dezembro de 2009

JIMMY CORRIGAN – O MENINO MAIS ESPERTO DO MUNDO, F.C. Ware.



Jimmy Corrigan é um homem de 37 anos, castrado emocionalmente, inseguro de tudo, vive encolhido em si mesmo e telefona para mãe todo o dia. Um belo dia ele recebe uma carta de uma pessoa que alega ser seu pai e o convida para passar as festas de final de ano com ele, para eles finalemnte se conhecerem. Jimmy vai e descobre um pessoa da qual ele não tem nada em comum e esse encontro relativamente curto vai ser o primeiro e o único, conforme a capa nos informa. Essa é a história do quadrinho em seus termos gerais, contudo sua constituição é a mais complexa possível, elaborada a enésima potencia nessa obra que é considerada o Ulisses do quadrinho.

O que pode afastar um leitor mais acostumado com o selo DC/Marvel de agilidade de histórias mensais, mas deve agradar o nosso público adulto de graphic Novels. Jimmy é um quadrinho para poucos, a realidade se confunde com o sonho, a imaginação se sobrepõem por vezes e você não distingue o que é realidade e o que é a cabeça do protagonista. Há explicações técnicas e maquetes para serem “feitas” pela e a história também abrange boa parte da vida de Jimmy avó no começo do século, e do Jimmy pai em seus anos de juventude. Há algumas observações sociológicas a cultura americana e uma grande análise do preconceito racial dentro da estrutura da obra. Ainda sobre a estrutura é um eterno vai e volta ao passado que ainda fragmenta a narrativa.

A primeira barreira a ser transporta é um prólogo como bula d remédio que ensina como ler o livro que tem em mãos. Escrito como se fosse uma bula de remédio, prepare-se para ficar uma boa meia-hora om as vistas juntas para entrar na narrativa levemente engraçada de F.C. Ware, que contém algumas críticas deliciosas a imagem dos quadrinhos atuais e que encontra sua força não no tom cômico das atitudes dos Jimmy's, um patetismo que leva a uma profunda melancolia deste indivíduos fechados em si mesmo.

Sobre estes indivíduos é que se centra a totalidade da obra, uma vez que a multiplicidade de Jimmy's torna o título ambíguo. O jimmy atual não é retratado com um menino, apesar de se tornar claro que ele é aquele adulto que regrede a infância com muita facilidade. Ele simplesmente ignora todas as barreiras da vida adulta, a emancipação e falta de interesse em relacionamentos são os mais gritantes, assim com sua carência paterna que o força a ir em encontro ao seu pai biológico. O outro Jimmy, que é seu avó natural também, tem boa parte da história para ele e sua similaridade com o protagonista não é mera coincidência, as carências afetivas amorosas, a insegurança perpetua e o relacionamento conturbado com o pai são o drama do Jimmy de 1900, um espelho da situação atual, que demonstra que os males de uma família são eternos;

Por fim, sobretudo, Jimmy Corrigan é um livro sobre os relacionamentos humanos. O detalhismo de sentimentos e ações é incrível, o desenho que se centra só nos protagonistas é belíssimo, uma explosão de cor que torna os temas ainda mais pesados pela simplicidade dos traços, mas a parte imaginativa de sonhos e reflexões, tornam o livro um objeto de estudo da psicanálise e suas interpretações são diversas. Um livro sobretudo fascinante e uma história fantástica.

AVATAR, James Cameron



“Eles não vão sair. O que nós podemos oferecer a eles: Cigarros e bebidas? Eles não querem nada de nós. Eles não vão sair”

O Filme do ano! O Filme que vai revolucionar o cinema 3-d! O filme de James Cameron, o diretor de Titanic! É assim que essa singelíssima produção que consumiu de 300 a 500 milhões de dólares está sendo vendida. Com relação a segunda afirmação eu só posso reproduzir o que andam dizendo, mas com certeza é um dos filmes do ano.

James Cameron é um gênio do cinema. Suas grandes obras porém não vão de encontro com as motivações mais básicas de um cineasta: Atuações pungentes, dramas de grande consequência global, direção ossessiva por cada frame (bom talvez esse ele tenha). Ele só tem uma motivação simples que percorre toda a sua careira: Romper o pré-estabelecido, destruir os limites dentro da obra que se instala. Vejamos uma breve retrospectiva de suas principais obras: Terminator, ficção de roteiro simples, orçamento baixo e com um halterofilista austríaco que não sabia falar inglês, o atual Governator. Aliens, fazer uma continuação de um cult e tentar ser melhorar (lógico que ele consegue). Terminator II, outra continuação em que ele abriu o leque de sua mitologia e inverteu os papéis dos mocinhos e bandidos, de queba ainda começou seu processo de inovação dos efeitos digitais com seu T-1000. O megalomaníaco Titanic parecia ter sido sua última fronteira, com 270 milhões para construir e destruir qualquer coisa que quisesse, e contando a mais básica das histórias de amor, o fez com tal primor e habilidade que teremos o recorde de público por muitos e muitos anos. Bem não era, quando você sai do cinema em Avatar tem a impressão de ter visto uma coisa tão fantástica que não imagina para onde o cinema está indo.

Não é que a história seja originalíssima, alias ela é tão básica quanto em Titanic, é a história da colonização revisitada no futuro. Tirem os índios e ponham alienígenas azuis de 4 metros de altura, a busca por qualquer minério, especiaria ou combustível que percorra nossa história e substitua por uma pedra, que ninguém sabe o que faz no filme, mas vale 20 milhões o kilo (como se isso fosse uma justificativa) e em vez de embarcações, latarias e equipamento pesado de destruição e temos nosso filme.

Os humanos estão em Pandora, instalados em uma base no planeta para pesquisa, bancados por uma grande mineradora na verdade eles querem o minério que está no planeta e está localizado embaixo da aldeia dos humanóides do planeta, os Na'vi. A partir daí entra o personagem de Jack Sully, um militar paraplégico que pode controlar o avatar de seu irmão gêmeo por ter um genoma igual (infelizmente há um furo científico na história, mas passa...). O Avatar é uma mistura do Dna humano e alienígena para criar um ser como os Na'vi, um outro corpo para o usuário que é um Na'vi.
Jack começa por fazer jogo duplo, mas caba se apaixonando por Neythli a filha do chefe do grupo, pela cultura esquecida e pela própria Pandora, a ponto de não saber mais se é um humano. O conceito de Avatar é basicamente esse, existe uma complexidade metafórica leve como uma parábola, mas a mais imaginativa é próprio conceito de ser um Avatar. Sentir com todos os sentidos as maravilhas e perigos de pandora. James não propõem só um filme, mas uma completa imersão na Floresta nos céus e aí o 3-D ganha mais força pois permite o espectador não ter objetos arremessados em sua cara como um brinquedo divertido, mas sentir as folhas passando por suas vistas ou a poeira acostando em seu ombro.

A complexidade do filme é visual. O que James tenta novamente, pois esse é um tema recorrente, é demostrar como a tecnologia pode ser prejudicial e como o futuro pode ser sombrio, não sabemos o que aconteceu na Terra, mas podemos supor que algo ruim anda acontecendo por lá. Há mercenários, sucatas como veículo do exército e a motivação principal é matar seres vivos em troca de dinheiro. E em contrapartida a esse mundo mecânico que vemos na base a floresta está cheia de realismo tanto em seus singulares habitantes, como nas cores fosforescentes que surgem ao cair da noite. E em certas cenas ele atinge com certeira habilidade a emoção do espectador como Jake se deliciando ao esfregar os pés de seu Avatar na terra em sua primeira caminhada, ou quando o clã dos Na'vi é expulso de sua morada com gás para ver a arvore gigantesca ser bombardeada até sua queda e o terror e tristeza está estampado na cara de seus habitantes. Vale muito o seu ingresso para assistir esse espetáculo da sétima arte, já inscrito na história.

Ah sim.. 70% o filme é digital, incluindo os Na'vi, mas seu realismo transpassa o que até então foi visto no cinema. Se tivemos o Gollum alguns anos atrás, aqui temos uma população inteira que chora, se emociona e principalmente nos atores principais é de se notar a perfeição da captura de movimento que consegue transmitir por meio do bonequinho azul tudo o que aquele personagem sente. Só mais uma inovação do Sr. Cameron.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Espiões, Os, Luis Fernando Veríssimo


É bom notar que as pessoas sentem falta do meu lento resmungar, ou das minhas hiperbólicas efusivas ladainhas elogiosas. Para alguém que ressuscitou o blog a pouco, fico feliz pelo apoio. A explicação para minha fuga do mundo virtual está em uma tríplice complicação. Curso de línguas – trabalho de verdade e Faculdade em término, o que já ligo com a primeira frase do recente romance lido: Formei-me em Letras e bebo para esquecer, o que não está tão longe da realidade deste crítico de internet.
O personagem de Veríssimo é um editor que tem seu grande momento da semana quando chega a segunda-feira, de ressaca, e ele recebe um monte de originais ruins, em que ele pode utilizar toda a sua maldade para detonar o autor, sendo ele mesmo um autor fracassado. Só por esse começo o livro já vale a lida, contudo ele continua se movendo por personagens mais satíricos e estranhos, todos fracassados e patéticos que não deixam nenhum leitor rabugento isento de uma risadinha leve no canto da boca: Dubin o fiel amigo, que inventou um condado para ele e é outro formado em humanas (quase uma terra-media), o professor Fortuna, charlatão de carteirinha que gosta de sexo tântrico, Marcito, o editor sacana que se recusa a pagar Direitos autorais, Edmar autor de livros de astrologia famoso e uma gangue perigosíssima exilada em uma cidade do interior.

A salada está pronta para Luis Fernando exibir seu bom humor contínuo. A história se centra na figura de uma personagem que está armando uma vingança escrita contra os tipos perigosos com quem ela vive. Ela envia os originais de seu texto para o nosso narrador que se apaixona pela história sombria e sem vírgulas que recebe. O nome da personagem é Ariadne, como da lenda do Minotauro e tece sua teia sob todos os amigos do narrador também, estes vão até a cidade para salvá-la, já que ela ameaça se matar. É verdade? Pouco provável, mas nossos personagens vão do mesmo jeito como espiões em missão de salvamento. Essa talvez é a grande sacada do livro. Nosso narrador que leu Le Carré demais e está a procura de um sentido em sua vida se joga de corpo e alma na aventura, em que o final vai mostrar que os limites da ficção e realidade pressupostos por nossas mentes leitoras são mais estreitos do que se imagina e o perigo pode ser muito real.


Leve, engraçado e ao mesmo tempo assim que terminei a leitura me inquieta essa sensação indescritível que a história é mais metalinguística do que se pensa a princípio, mas um romance que fala desse pessoal formado em humanas que estão destinados a serem um rocambole de significações que ainda estão para serem descobertas. E é a esse pessoal de humanas que me junto agora formado em Letras e já bebendo literatura para comemorar.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

trailer de Alice in Wonderland



estréia 5 de março de 2010

domingo, 29 de novembro de 2009

ENTES QUERIDOS, de Neil Gaiman


Delírio: “(responsabilidade) é mais que isso. As coisas que a gente faz criam Ecos. Tipo, se você para na esquina e admirar um relâmpago em igue-zague...zap! Por um tempão e coisas vão para nessa mesma esquina e olhar pro céu sem saber o que estão procurando. Alguns vão enxergar um relâmpago-fantasma. Outros podem até ser mortos por ele. Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade.”


Penúltimo capítulo da maior de todas as histórias em quadrinhos, ou podemos dizer que é efetivamente o último, pois o álbum seguinte “Despertar” em minha opinião é muito mais um prelúdio pra fechar as pontas soltas, em todo caso é o maior e mais emocionante, desfecho perfeito para uma história perfeita.
Para os mortais que não conhecem Sandman, esta foi a série que revolucionou os quadrinhos adultos da Vertigo entre 1987-93, publicado esparsamente no Brasil pela Globo somente suas edições em brochura dão conta da tamanha genialidade em se fundir cultura pop, erudita, mitologia grega, nórdica, religião, história e muitas outras áreas em torno de Morpheus, ou Sonho, ou Sandman, ou moldador. O senhor dos sonhos. Preso por 80 anos, descendo ao inferno para procurar a amada, em contos curtos em que encontra William Shakespeare, procurando o irmão desaparecido, Destruição. Todas as suas histórias mostravam um pouco do mundo obscuro e como este afetava nossas vidas. Sempre disse que não era necessário ler na continuidade para entender a história, o que realmente é verdade, mas ler os álbuns na sequência te dá uma noção d totalidade que não pode ser substituída. Uma prova disso é que aqui ele vai fechar tudo que já aconteceu nos 60 álbuns anteriores.
Para começar a história é o caos: uma criança é raptada e sua mãe entra em desespero, Loki perambula por nosso mundo fazendo vítimas, Delírio procura seu cão, Nuala volta ao reino dos elfos, Morpheus está deprimido pois no álbum 7 (Vidas Breves, fantástico também) ele matou seu filho. Tudo isso começa a interseccionar até as Fúrias, ou Bondosas (Kindly Ones no original o que, infelizmente, perde seu duplo sentido em português) aparecem para exigir vingança de Morpheus e não deixaram pedra sobre no Sonhar, ou sonho sobre sonho. As Fúrias são as justiceiras e nem mesmo Morpheus tem mais controle sobre seu reino, o cerco se fecha sobre ele até a única opção para salvar os habitantes de sua terra e viajar as fronteiras do pesadelo para enfrentar as Benevolentes, e ,pasmem, Matthew vai junto.
O maior álbum, nesse ponto é repetitivo falar como ele constrói bem as história, mas seria fácil perder a mão com tantas coisas acontecendo e ele não perde, e um final digno de tudo que foi proposto por aqui. No fim após tantas cenas desconcertantes de belas, como um bebê sendo atirado no forno ou último diálogo de Sonho com sua irmã, Morte, o que álbum nos mostra são as diferentes relações entre seus personagens e a família e como sacrifícios tem que ser feitos em nossa existência. E quase esqueci de falar O melhor álbum.
Pena não ter nas HQ's de banca atuais uma série tão forte e desconcertante como esta foi no passado, lógico que há coisas muito boas com Authority, mas ainda parece que falta algo para se tornar inesquecível. Mark Millar que me desculpe, mas não cega perto do Gaiman fez como este personagem. No momento este álbum está esgotado, a Panini relançará desde o começo ano que vem a série completa, o que é muito bom pois não será perdida para gerações futuras, a editora diz que serão edições definitivas. Não sei como melhorar essa edição da Conrad para ser bem sincero, na dúvida se você quiser acompanhar a saga de Lorde Morpheus consiga este da Conrad, que é uma edição extraordinária. Fica a dica, como sempre, mas no caso desse vocês tem que conhecer!

sábado, 21 de novembro de 2009

AvóDezanove e o segredo do soviético, de Ondjaki


Na PraiaDoBispo as crianças se divertem todo dia no calor inventando brincadeiras. AvóNhete está a reclamar de dores no pé. AvoCatarina sempre de preto, sempre escondida e sempre tirando um sarro da vida. Os russos fazem uma ação “comunitária” construindo um Mausoléu para o povo Angolano enterrar seu presidente, eles só tem que explodir algumas casas da Praia e vão conseguir terminar o projeto. Quem chefia esta empreitada é Camarada Bilhardov, ou Bortadov, ou Sovacov na linguagem das crianças. Uma bomba de gasolina que só tem água salgada e o maluco EspumaDoMar só fala cubano e tem ideias esquerdistas. Esses e mais alguns personagens saídos parte da imaginação, parte das memórias do escritor angolano Ondjaki, constituem uma das narrativas mais verdadeiramente engraçadas sobre a Angola pós-independência.
Luandino Vieira escreveu a bíblia Luuanda, Pepetela tem uma força cruel em seus romances, assim como outros atores menos conhecidos por aqui eles traçam uma Angola e uma Luanda sombria, em que a realidade social é pungente e marcante, fruto de quase meio século de guerra em Angola, da década de 50 até 1975 pela independência (leiam Os Cus de Judas também) e depois de 1976 até 2002 em guerra civil. Incrivelmente Ondjaki não segue o mesmo caminho, talvez por ser o escritor angolano mais novo e famoso atualmente (ele só tem 32 anos e muitos livros editados por lá), sua narrativa não assume o caráter realista buscado por seus antecessores, na verdade por ser narrado do ponto de vista de uma criança, a inocência desse relato que nem chega a citar a Guerra civil diretamente, talvez por isso é deliciosamente engraçada.

A história central está em nosso narrador Ndalu, seus amigo 3,14 (o nome dele é pi) e Charlita, que tem a brilhante ideia de “desplodir” as obras do Mausoleu para salvar a PraiadoBispo. O livro inteiro se move nessa “missão:impossível”, mas que na mágica do mundo infantil vai se concretizar de uma maneira ou de outra. Há uma sutil alegoria à ocupação estrangeira após independência, como o que acontece com a maioria dos povos africanos quando em razão da independência são obrigados a se aliar, por motivos econômicos e por vezes socias, a outros países para conseguir sobreviver. Contudo o  foco principal do romance é o relacionamento das crianças entre si e com os mais velhos, as histórias que a AvóNhete (Mais tarde Dezanove) conta e as lembranças que as vezes atingem o protagonista, trazem um sentido nostálgico ao texto que junto ao seu caráter de filme de aventura, funcionam como uma combinação interessante.
Profundamente pessoal esse livro merece ser descoberto pelo público brasileiro, visto que acho que está passando despercebido por aqui, e assim como “Os da minha rua” pode muito bem se tornar um livro para se indicar no colégio em função de trazer as crianças mais perto de nossos camaradas angolanos, com o perdão do trocadilho. Por que Dezanove e qual o segredo não são os eixos centrais do livro, mas o primeiro é bem inusitado e o último é revelado na última linha do romance trazendo algo de fantástico a essa salada que já tinha de tudo. Vale a leitura.

FEATURETTE DO FILME AVATAR

Saiu ontem no site Rotten Tomatoes, uma bela prévia do filme que estreia dia 18/12/2009. Vejam e babem.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

SEMINARISTA, O, Rubens Fonseca


Todo o grande escritor pode errar a mão uma vez ou outra, e me parece que Rubem Fonseca errou feio neste novo romance. Sou um grande admirador do escritor que melhor retratou a vida urbana paulista em sua extensão de violência, sexo e velocidade estonteante, livros como o Caso Morel e O Cobrador são obras-primas inigualáveis da literatura brasileira, o que não acontecerá com O seminarista.
A história é de um matador de aluguel, que assassinava clientes com a mesma paixão ao qual come biscoitos, não se importa muito quem é ou porquê, só faz o serviço e nem lê o jornal para saber se o corpo foi encontrado. Após matar muitas pessoas para seu chefe o Despachante, ele resolve se aposentar e viver uma vida normal e olha que só nos primeiros quatro capítulos ele matou um monte de gente, agora ele quer viver como um cidadão normal, logicamente que isso não vai dar certo, e ele ainda vai se apaixonar por uma alemã mesmo com todos os sentidos de paranóia do cara dizerem o contrário, a história se encaminha firmemente até ele voltar a matar um monte de gente referente a um caso do passado e basicamente só sobrar ele no final mais sangrento de todos os livros do Rubens, mas descrito com tanta naturalidade e sem um pingo de emoção, que o fato de cara perder a língua, os olhos, os bagos e várias outras coisas não nos causa impacto.
Estilisticamente essa falta de sentimentos ou emoção é buscada para justificar o personagem, contudo não há nada escondido ele não é mais profundo que um pires como personagem. Isso tudo é proposital lógico, mas como é CHATO! O personagem não está nem aí se via morrer, porque está sendo perseguido, ele nem estranha quando um outro personagem que ele matou a algumas páginas atrás, com um tiro nos colhões e dois na cara (para que não tenha o funeral com caixão fechado) magicamente reaparece dizendo ser o pai de sua namorada (!), ah sim eu çao estou brincando, esse mesmo personagem pergunta a ele - Não está surpreendido em me ver? e ele responde - Vocês dois se conhecem, e acaba o mistério (?). Comecei a pensar que ia virar algo à la David Lynch, que tudo acontecia na cabeça dele, mas não há elementos na narrativa que sustentem essa hipótese a não minha obesessão em tentar explicar o romance.
Estava com muitas expectativas? Era para ser algo mais divertido (pois é inegável que dá para se divertir, parecendo um legítimo filme do Tarantino m relação à violência) do que profundo? Eu entendi o livro completamente errado? O mundo vai acabar em 2012? Minha cabeça está cheia de perguntas sem resposta,s e alguém tiver a resposta dê-me-a, pois fiquei um tanto decepcionado.
Ah, sim, o título. O personagem foi um seminarista antes de matador profissional. Só um detalhe. Não, eu não estava errado em esperar mais.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

500 DIAS COM ELA


Podemos nos fazer de dificéis, podemos dar as costas ao mundo, ou viver de casos esporádicos, viver assexuadamente, e eu conheço um caso atual! Mas o fato é que todas as pessoas tiveram um grande amor, senão mais de um. Dependendo de que momento você está na vida você pode pensar diversas coisas a respeito dessa afirmação. "Sim, I'm Love", " o amor não existe", "será que é isso" e tantos outro filmes românticos se centram em alguns desses tópicos. 500 dias com ela se centra em todos os pontos de um relacionamento, o descobrimento casual, os gostos em comum, a época mais feliz, a mais penosa, os pontos de vistas diferentes, e todas as fases do rompimento que fazem o filme se eleger entre o panteão dos pequenos clássicos atuais.
Joseph Gordon Levitt (Sim, um dos sobreviventes do 30 rock from the sun, um dos melhores seriados da década de 90) faz um personagem meio nerd, meio normal, que tem um emprego burocrátco comum e vive sem muitas ambições, apesar de já querer ter sido um arquiteto, ele desistu de lutar, e para melhorar (ou piorar) ele é um romantico inveterado. Logicamente que pessoas assim não dão certo na vida, em todo caso ele conhece Summer, uma moça que vai mudar sua vida amorosa como a própria Dulcinéia de um Quixote moderno, interpretada pela Gracinha da Zooey Deschanel impossível não se apaixonar por uma moça que ama Smithse usa roupinhas antigas que em qualquer um seriam um horror só, menos nela e o pior de tudo para nosso herói é que ela tem os mesmos gostos que ele, receita mágica para unir qualquer casal. Summer é uma garota moderna, não acredite em amor e não quer se envolver, a princípio, enquanto o relacionamento vai evoluindo você até torce para que os dois fiquem juntos. Ela e ele são perfeitos não? Sim são, mas não é esse o ponto do filme e sim quando ela rompe com ele que o seu mundo se arrebenta e sua reconstituição é o ponto mais interessante e real do filme. Essa parte é muito fofa e tragicômica já anunciada no primeiro frame do filme, mas até o final você torce para que eles fiquem juntos, contudo não é um filme triste, seu final te coloca mais pra cima do que muito água com açucar sem personalidade.
Meu filme preferido é o Brilho eterno de uma mente sem lembranças, mas esse chegou perto de desbancar minhas preferências, quem sabe daqui alguns anos desbanque, pois...a vida muda. E qual o seu?

sábado, 7 de novembro de 2009

FANTÁTICA VIDA BREVE DE OSCAR WAO, de Junot Diaz


“(...)Oscar se trancou no quarto, tirou a roupa no banheiro - já não compartilhando mais com a irmã,, que estava morando na faculdade, a Rutgers -, e se examinou no espelho. A banha! As estrias quilométricas!O corpo horrivelmente tumescente! Parecia ter saído direto de um quadrinho de Daniel Clowes. Fazia lembrar garoto grande e negro de Palomar, o lugarejo criado por Gilbert Hernandez.
Meu Deus!, sussurrou ele. Sou um Morlock.
NO dia seguinte, no café da manhã, ele perguntou à mãe: Eu sou feio?
Ela suspirou. Bom, hijo, você definitivamente não se parece comigo.
Pais dominicanos! Não á para deixar de gostar deles. (...)”


A pior parte do livro é decidir quando eu paro com o excerto. Sério essa cena continua e vai ficando cada vez mais engraçada, o livro de Junot Diaz é uma chuva interminável de bom humor no meio das maiores tragédias. A saga de uma família dominicana contada de maneira à la Quentin Tarantino, indo e voltando no tempo em sua luta contra o fuku, uma espécie de Lei de Murphy eterna que o livro prega como assolação dos males de todos, que é simplesmente o azar nosso de cada de dia e no meio disso um menino que tinha tudo para ser popular e conquistar todas as garotinhas do bairro, pois afinal ele é dominicano, Oscar que atingido pelo fuku acab se tornando um adolescente gordo, ned e fissurado em Senhor do anéis. Nosso narrador é imperdoável, “ Oscar não conseguia disfarçar como eu (ou você) sua condição de otaku, fissurado em mangá” e por isso ele vai ser o eterno rejeitado por um mundo que não lhe pertence, a velha retórica quixotesca tingida com um escrita de cultura pop.
Pelo fato de Oscar ser um nerd, cdf que quer ser o Tolkien latino, o livro é também um redemoinho de referência que nós nerds como eu (E VOCÊ!!!!!!!!!!), vão se rachar de rir, alias a citação do livro é do Quarteto Fantástico (O que Galacticus sabe sobre as vidas breves), o que é, com o perdão do trocadilho, fantástico. A salada poderia ser só essa mas não é, em sua escrita ele confunde as línguas em um portunhol (no original um spanglish) hilário, mistura as décadas, mistura dúzias de notas enormes de história dominicana om sua história simples de um menino que não queria ser nerd, e e´só simples entre aspas, se você não conhecer um pouco dos universos citados e adorados por Oscar você se perde totalmente nas partes com ele ou seu narrador, que só é revelado no final do livro como sendo um personagem e outro nerd, contudo um nerd velado.
Ei Big Bang Theory é a série mais vista no Eua! Nunca se tirou tanto sarro dessa raça estranha, contudo devo dizer que o livro também é uma pegadinha, e aí é que ele cresce exponencialmente para se tornar um clássico. Sua crítica ao estilo de vida e a história da republica dominicana recente é escancaradamente a essência de tanta loucura. Temos duas coisas que se contrapõem, a falta de vida de Oscar em suas experiências mais básicas que sintetizam o que seria a vida com a ditadura fascista imposta por Rafale Trujilho, ou vulgo Ladrão de Gado Frustrado durante mais de 30 anos. Eu saí de mais 300 páginas quase como um expert em história dominicana, e muito emocionado com todas as provações que o sensível Oscar Wao (a origem desse apelido é muito engraçada e duvido que alguém descubra sem ler o livro ) passa até seus momentos derradeiros, em que ele consegue vive finalmente.
De confessar que nunca gostei de livros que utilizassem muito humor, um mesmo filmes assim, contudo esse ano mostra como as coisas podem mudar. Os livros que amis mexeram comigo foram aqueles que mais ri: Oscar, Zazie e Caim. Com eles eu ri horrores e convido a quem tenha interesse em entrar nesse bom humor a acompanhar Oscar nas aventuras da vida e quem sabe até possa entrar em nossa comunidade singela em que anéis destroem o mundo e o personagem mais legal dos quadrinhos tem 1,60, fuma charutos e tem garras de animal. Venha Luke junte-se ao Lado Negro da Força!!!!!!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

LUUANDA, José Luandino Vieira


Ao ganhar a independência a custo de muito sangue, a imprensa entrevistou Luandino perguntando se agora o povo angolano voltaria a falar e escrever em quimbundo, Luandino respondeu que a língua portuguesa seria o troféu de guerra. Luandino está para Machado de Assis no desenvolvimento da literatura angolana tal como ela é hoje, e este é seu livro mais significativo, seu domínio da linguagem é indiscutível. O livro escrito entre 1962-63, enquanto o autor esteve preso, ganhou um grande prêmio de incentivo à cultura em 1963, e menos de um dia depois a polícia aprendeu a comissão julgadora do evento e proibiu a circulação do livro, que a partir daí teve sua fama feita e a circulação clandestina competia com Jorge Amado e Graciliano Ramos, igualmente proibidos na Angola portuguesa. O livro só conseguiu ser publicado em Portugal em 1973 (ironia), ou seja após a queda de Salazar, o ditador poe excelência, e também recebeu grandes prêmios literários para logo depois ser publicado em Angola ao grande publico já liberto e com a fama de clássico antes mesmo das pessoas ao qual o livro se dirige conhecerem a obra.
Para aqueles que adoram ler livros que causam polêmica este seria um prato cheio, mas é bom tomar cuidado para não terminar a leitura e não entender porque este livro foi tão censurado e nem pensar a respeito. Luuanda é um grande livro que basicamente traz três estórias: O relacionamento entre uma avó e seu neto durante um dia inteiro em que a fome os assola e o menino não consegue achar emprego, uma caso de roubo de patos e papagaios (?) que termina com os praticantes do crime presos e uma disputa de duas vizinhas a respeito de um ovo. A primeira história é mais tocante, a segunda é confusa e e engraçada, a terceira engraçada e fantástica e o livro termina. Subversivo, não.
Primeiramente queria informar que os três contos são os melhores que nossa língua permite e isso já bastaria para colocar o livro no panteão de obras clássicas, mas todas as proibições tinham fundamento na época, pois a princípio o livro era um ultraje ao uso da língua pois estruturalmente, lexicalmente e morfologicamente Luandino mistura português e quimbundo ao nível da fala, tal qual Guimarães Rosa nosso conterrâneo, a começar pelo título até seu final. Estruturalmente podemos relacionar as três estórias de várias maneiras do relacionamento entre as idades, a vida no musseque, e na minha interpretação de uma maneira muito forte com a fome que o povo angolano passava dia a dia quando colônia de Portugal e isso, carregado na ironia de tratar de estória (ou seja não é real), era uma fronte ao governo Português.
Tal com a metáfora do cajueiro há várias maneiras de interpretar o livro, não sei se no final ele escreve em português, ou se em Luandinês, mas o fato o fato é que maravilhosamente tecido em clássico.

domingo, 25 de outubro de 2009

DISTRITO 9, Neil Blomkap


Totalmente desprezada nos últimos anos tanto na literatura quanto no cinema e em outras mídias mídias, a ficção científica está carecendo de grandes obras em sua história recente. Claro, este ano, alguém poderá protestar que tivemos Star Trek, que fez sucesso e é uma ótima película e Watchmen explorou uma realidade alternativa bem sombria, mas analisando friamente estamos confundindo o maravilhoso, o fantástico, o surreal ao termo aqui designado e como Todorov bem lembra são coisas distintas. Star Trek se revestiu de aventura espacial, muito mais à la Buck Roggers, do que o gênero cabeça que ajudou a formar a quase 50 anos atrás. Mas o que é esse gênero? É o motivador de alegorias sociais omo 1984 e Admirável Mundo Novo, da crítica religiosa com Estranho numa terra estranha, o gênero que concretizou Stanley Kubrick como uma grande mestre da imagem e retórica cinematográfica, e que é motivador da filosofia existencial de um certo Andrew Tarkovsky, que levou o homem a lua ela primeira vez no clássico de Melier, que fez uma grande análise sociológica com Fritz Lang. Um gênero poderoso, essencial na fundação dos alicerces do cinema, que atualmente é visto como pura diversão, sinônimo de descerebramento e até ridicularizado pelas classe mais populares.
Mas é válido, desde que os efeitos espaciais evoluíram na década de 90, a conquista do espaço não é mais tão interessante quando você tem mundos inteiros sendo criados no Hd de muitos computadores, é uma falta de história crescente que assolou a FC, e considero que o último grande clássico da Fc foi Matrix, que recuperava a história inteligente e intrigante, uma direção ótima e uma crítica a sociedade como só Orwell e Lang mostraram ser possível, e logicamente suas continuações foram inevitáveis,se por um lado ótimos exemplares do Action movie, não chega nem perto da originalidade do filme de 1999, dez anos depois saímos extasiados como nunca ao ver um filme legítimo de FC, que nenhum produtor de Hollywwod conseguiu estragar (na verdade é o Peter Jackson, ele não faria isso), isso porque não é um filme normal, é quase uma produção independente com um padrinho de peso, que passou por baixo do radar de muita gente (saliento que do meu não, eu já conhecia a existência do filme no 1° semestre) e caiu como uma bomba no circuito. Distrito 9 é um filme poderoso que resgata as principais características que uma FC, um mundo possível e uma crítica social ferrenha.
1982, uma nave gigantesca chega a terra, finalmente os alienígenas vão nos invadir, explodir a Casa Branca e eleger Bill Pullman presidente. Não exatamente, pois a nave paira sobre Johanesburgo até ser abordada, os alienígenas estão subnutridos, quase mortos e em condições precárias são transferidos para um área logo abaixo da nave, em vinte anos esse local se torna uma grande favela em que eles vivem em condições precárias, a subsistência deles é comprada, a violência reina e confronto com os seres humanos é constante. Como eles não como nós, o governo resolve fazer aquilo que é mais sábio relocar 1 milhão e meio de aliens para um lugar afastado pois eles não com nós. O personagem de Sharlto Copley entra em cena para fazer isso, contudo ele tem um contato muito próximo com os aliens o que vai excluí-lo da “humanidade” e colocá-lo diretamente com o mundo do Distrito 9.
Em um plano bem superficial é uma história e tanto, bem desenvolvida com um ator impecável que vai mostrar a barbarie humana, pois quanto mais conhecemos os aliens, mais notamos que não á diferenças, em dado momento você para ver aquelas criaturas como alienígenas e se horroriza com as condições que são impostas a eles, especialmente pois o “herói” do longa e um idiota que faz piadas e atitudes desprezíveis por boa parte do longa. É um filme forteem que pessoas simplesmente explodem, e não é uma metáfora. Mas se essa abordagem universal já seria o suficiente para tornar o filme grande, ainda há um alvo específico no alvo de Neil Blomkap, seu próprio país. A áfrica do Sul passou de 1948 a 1990, sob regime do Apartheid, o regime de segregação racial, que não deve anda ao nazismo e cujas as semelhanças não são mera coincidência.
Mas não se engane o espectador que deve estra achando tudo isso muito cabeça, em seu terço final, com tudo devidamente no luga o filme se torna uma grande película de guerra com cenas de barbárie extraordinárias. E o pior é que nada foge a realidade nem mesmo pessoas explodindo, é o que de pior há na humanidade sem exageros e sem eufemismos.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

CAIM, José Saramago


“O leitor leu bem, o senhor ordenou a abraão que lhe sacrificasse o próprio filho, com a maior simplicidade o fez, como quem pede um copo de água quando se tem sede, o que significa que era costume seu, e muito arraigado. O lógico, o natural, o simplesmente humano seria que abraão tivesse mandado o senhor
à merda, mas não foi assim. Na manhã seguinte o desnaturado pai levantou-se cedo para pôr arreios ao burro (...)”


Será que Saramago está bravo? Em entrevista no lançamento do livro há pouco menos de uma semana ele xingou o papa, a Igreja e disse que sempre fora um “ateu pacífico” agora pensa em ser um ateu irritado. Bem se ele está assim somente pensando em ser um ateu bravo , não imagino o que ele vai escrever quando explodir mesmo. Caim é seu livro mais pesado em termos de ataque as ordens clericais e também um dos mais engraçados em suas tiradas irônicas e cínicas. O livro escorre veneno ao seu final.
A história é bem simples, se em o Evangelho ele se propôs a contar a vida de jesus Cristo segundo Saramago aqui ele vai contar o Antigo testamento segundo Saramago, do início ao dilúvio. A técnica é similar se em o Evangelho ele reinterpretava tudo não alterando os princípios da cristandade, nem dos milagres, nem da existência de Deus e ao mesmo tempo ele inverteu o significado da história. Aqui ele vai de evento a evento mostrando tal qual está escrito mas criticando as atitudes de Deus, construindo um personagem ambíguo e cruel. Para isso ele usufrui de Caim, aquele que amtou seu irmão como personagem a ser transportado, sem muita explicação, para o passado e para o futuro discutindo e criticando as ações de seu criador, e chegando ao final além de muar a história (sim, dessa vez ele muda), constitui uma alegoria o homem, em Caim, que estará sempre a discutir com Deus.
Não se enganem, Saramago condena todo mundo nesse livro, não é que Caim seja bonzinho ao final, ele realmente mata o irmão todos tem suas contas a agar para o bem ou para o mal Noé, Abraão, Job, Sodoma, sobra para toda a humanidade e para o senhor e satã também, onde é crítica é sobretudo a bondade e misericórdia do senhor, pronto para mandar para destruir qualquer um que o desafie.
Creio que a sutileza e esperteza do Evangelho é mais revolucionária e genial que este Caim que Saramago apresenta, que é novamente seu livro mais pesado em termos de imagem, se Jesus era iniciado no amor por Maria de uma maneira poética no Evangelho, aqui Caim e Lilith se entregam a uma volúpia digna dos melhores relatos eróticos. Se o humor era pontuado com tiradas e inteligentes, aqui elas continuam a cada página como por exemplo quando o senhor diz que não pode parar o sol porque ele está parado e é a terra que se mexe, e job quase enfarta, ou quando caim está em seu burro e o narrador diz que vai ser difícil por estar de jericó e não guia michelin. É uma sátira hilária. E se a força da crítica se construia pela soma das partes no evangelho em seu final, aqui ele é escancarado em suas críticas, em cada caso visto por Caim ele se pergunta por que aquilo e não de outra maneira, que são no fundo as dúvida de toda uma humanidade. Ao final Caim atua como juiz de toda a humanidade e seu julgamento não será tão diferente de seu criador, mas será de modo a contrariá-lo. No fundo não há grandes diferenças entre criador e criatura e a briga será eterna. Mas como é bom ler Saramago na sua velha forma, a trinca Pequenas Memórias, Viagem do elefante e Caderno, pareciam estar demonstrando um escritor cansado, mas esse livro mostra que ele está mais ativo que nunca.

BASTARDOS INGLORIOS, Quentin Tarantino

“I think this is my masterpiece” e assim acaba a projeção, uma contemplação do ego do cineasta, que é um dos poucos que podem se autodenominar gênios. E você que poderia ficar totalmente pasmo com a arrogância de Quentin, está totalmente estasiado pois provavelmente viu um dos grandes filmes da década. Exagero. Não, apesar que o cinema de Quentin é algo peculiar dentro do quadro geral e muita gente se irrita. Mas chamo a atenção que queria ou não, você vai se divertir com o mundo paralelo construído nesta película, queira ou não você fica tenso com o crescente suspense, queira ou não você explode em gargalhada nos momentos que ele quer, queira ou não certas cenas tem uma beleza indescritível, queira ou não o sotaque sulista de Brad Pitt é hilário em qualquer ponto da película e a atuação de Chisrtoph Waltz como Hans Landa, o vilão da história é algo assombroso com a densidade e comicidade que ele imprime a todas as suas cenas, não sou de concordar com Cannes mas dificilmente algum coadjuvante vai se destacar tanto esse ano. Senhores, estamos em 1941 e o primeiro ato do épico é uma tensão crescente. Hans Landa, o exterminador de judeus, visita uma família de camponeses da frança para procurar uma família de judeus que se escondeu em algum lugar, a conversa banal que se segue caminha para um total massacre da família da qual só Soshanna (Melanie Laurent, outro achado) saí viva. O segundo ato, são os bastardos que dão o título a obra, uma equipe liderada pelo tenente Aldo Raine (Brad Pitt cada vez melhor) para ir atrás das linhas inimigas e matar nazistas com o máximo de violência que conseguirem, para criar o medo dentro das tropas nazistas. O que funciona, de repente já estamos diante da guerra com os bastardos fazendo o inferno. Temos outros personagens igualmente engraçados Hugo, um cara que quase não fala mas se infiltrou na Gestapo e matou uma porrada de oficiais antes de se unir aos bastardos e Donovan, interpretado por Eli Roth (não, você não leu errado é cara que foi o diretor do Albergue e inaugurou o porn horror), com sua cara de insano e um taco de beisebol que bate nos nazistas até trucidar o crânio. Aí sim você pensa. Isso sim é Quentin!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Mas não se enganem o filme tem muito mais história que esses dois primeiros atos, alias os bastardos vivem mais da fama do que de ações sangrentas, o que vai acontecer é que o filme a partir de Soshanna e dos bastardos e com outras linhas paralelas de história vai tecer uma rede até uma première em que todos os chefes do partido nazista poderão ser mortos e todo mundo vai querer concretizar isso, inclusive quem menos se espera. O roteiro acima de tudo é a base desse épico singelo de Tarantino. Mas não tudo, não vou me demorar falando das qualidades de cineasta que ele tem, gostando ou não do cinema dele é inegável o talento dele, mais ainda se você começar a ver as homenagens e influências que ele joga na tela para o amis aficionados. E sempre notável como cada vez que você entra em um filme dele. ele parece estar exclamando a sua paixão e nos fazendo compartilhá-la. Mas outro grande trunfo são os atores, todos perfeitos no papel com destaque para o quadrado Diane Krudge, Melanie Laurent, Brad pitt e Chirstoph Waltz. Krudge é uma bonitinha que pode ser melhor atriz que seus papéis andam demostrando até o momento, seriamente seu papel de maior destaque foi em Tróia (?), aqui ela faz uma atriz que é espiã, que esbanja o charme da década de quarenta e a tensão de estar fazendo um jogo duplo. Laurent, a sobreviente, não é uma menininha bobinha, alias tem uma ferocidade atrás de seu sorriso sério que vai ser a principal arma no final do longa. Brad Pitt, teria o papel mais bobo dentro de personagens tão estranhos, mas seu sotaque e frases de efeito fazem sua pequena participação (ele é o que menos aparece) essencial. Um action hero? Não. A moral do tenente é altamente questionável, parece que ele está se divertindo muito tirando os escalpos nazistas. Por último o personagem que rouba o longa, Hans Landa, o caçador de judeus, parece ser um contador de empresa muito feliz, é um detetive poliglota, e se diverte destruindo suas vítimas psicologicamente, sua atuação transmite o caráter cômico de uma caricatura e a tensão proveniente de um serial killer. Vocês acham é possível interpretar um personagem assim? Ou que é fácil? Bem ele conseguiu. Vai ganhar todos os prêmios que aparece pela frente? That's a bingo!!!!!!!
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

NO TEU DESERTO, Miguel Souza Tavares


“mas foi então que percebi que não era apenas tu que me protegias, mas que também eu tinha que te proteger: também tu precisas de mim ao teu lado, das minhas conversas ou do meu silêncio; dos nosso risos e gargalhadas ou dos nossos puros (...)de minha mão, quando estendias a tua só para sentir que não estava sozinho”

Dois estranhos vão ao deserto do Sahara por 40 dias, um jornalista de 36 anos e uma jovem que apresenta seu chefe. As opções serão se aturarem ou se apaixonarem. Pode parecer tosco mas é no fim muito interessante, pela maneira como ele articula seu texto começando da seguinte forma:“(No fim tu morres, no fim do livro, tu morres. Assim mesmo, como se more nos romances, sem aviso, sem razão, a benefício apenas da história que se quis contar. Assim, tu morres e eu conto. E ficamos de contas saudadas)”. E mata-se qualquer possibilidade de leitura em que você pense que vai haver um final feliz. Porém como somos esperançosos por natureza, a frieza dessa afirmação, associada ao fato de que não há outras menções de como ou porque ela morreu, nos engana no final.
Miguel também faz um livro deliciosamente engraçado em seu princípio, quase como uma narrativa de aventura em que os personagens vão de uma confusão a outra, isso só para entrar no deserto nas primeiras 60 páginas. Tudo contado com uma polidez narrativa e racionalidade impregnada por nosso narrador que vai contrastar quando Claudia começa a falar assim que eles entram no deserto confundindo as vozes narrativas e ressuscitando a dita cuja.
O narrador tem algo mais racional, Claudia vem ao texto para acrescentar emoção a passagem pelo deserto e a cenas previamente descritas, e para demonstrar com ela também amava o narrador
Em torno dela essa narrativa tocante percebemos ao final no fundo é uma história sobre perda, não diretamente em função da morte, mas sim em função de oportunidades perdidas em nossas vidas. Por mais que ele tenham passado um ótimo tempo junto, visto tempestades de areia juntos, dormido na mesma barraca quando por vezes entrelaçando os corpo, estamos diante de um amor que não foi consumado no texto, na qual os dois personagens olham para trás e até entendem o que não os motivou a continuar, as razões que submetiam a emoção, mas olham com um certo pesar por não terem tomado um rumo diferente.
Poeticamente Claudia se torna o deserto e saudade, e o assombro perante a morte só realmente nos pega nas últimas páginas da novela, quando tanto ele quanto nós, nos damos conta da verdade como ela está diretamente ligada a nossa vida real (quem nunca teve alguém que descobriu ter falecido e o pior é descobrir quase por acidente). Miguel Souza já pode ser colocado com seus conterrâneos Saramago e Antunes no panteão dos grandes escritores portugueses, o que comprova a grande fase que a literatura portuguesa atravessa. Vale a leitura e releitura.

domingo, 11 de outubro de 2009

LOST SYMBOL, THE, Dan Brown


Só chegara aqui em dezembro contudo já temos uma crítica diretamente de Nova York! Não, na verdade eu li o livro importado, mas creio que um dia falarei diretamente de Nova York. Robert Langdom que violentamente usurpou o título de aventureiro dentro de sua profissão peculiar do Indy (um simbologista correndo atrás de assassinos é mais inverossímil que um arqueologista que enfrenta múmias) está de volta e mostra que há muitos símbolos escondidos perante nossos olhos mortais, muitas sociedades secretas por aí e para deixar o Vaticano e outras autoridades religiosas querendo decretar a fogueira à Dan Brown. Uhu!
Robert recebe um fax de um antigo amigo para fazer uma visita a Washington, para ministrar uma palestra. Como é meio em cima da hora e ele gosta do amigo ele vai sem questionar, mesmo que depois de suas desventuras em Roma e em Paris ele tenha se tornado imã de loucos querendo que ele desvende alguma coisas, prece que ele ainda não aprendeu a lição de como se precaver. Quando ele chega lá encontra somente a mão de seu amigo no meio da sala de reuniões, a Cia. Em seu pé e um lunático no telefone querendo que ele desvende o Antigo segredo Maçom. Tudo num fim de semana de trabalho? No! In one Night.
Com o livro, o tradicional alvo de Brown, a Igreja, parece meio de lado, pois dessa vez ele resolveu atacar uma antiga lenda americana, a sociedade secreta dos Maçons, na qual grandes membros dos fundadores do país participaram como George Washnigton, as paranóias de que há símbolos maçons nos dólares americanos é antiga. O assassino quer algo bem simples, que Langdon descubra a localização da grande pirâmide Maçom, uma grande pirâmide de ouro enterrada em algum lugar de Washington, em busca do Ancient Mysteries (não sei como vai traduzir isso), uma coisa que aparentemente transformar homens em deuses, ou vai matar Peter. Junte-se a isso ma irmão desesperada, uma história familiar conturbada, uma diretora muito chata e vários coadjuvantes que podem morrer a qualquer momento pois esse é o assassino mais insano que Dan Brown criou, imagine que ele é todo tatuado e se auto-castrou e você pode já ter uma ideia. Mas o pessoal do Vaticano não pode ficar feliz por muito tempo, a grande resolução ao enigma Maçom provavelmente vai fazer o Papa pular da cadeira.
O livro é bem escrito e logicamente não é uma obra da arte, mas diverte todos que querem várias reviravoltas. O livro já é um dos mais vendidos nos States, o que nos faz perguntar o por quê de tanto sucesso? A mistura é extremamente esquisita, personagem nerd com herói, livro de suspense que envolve teorias religiosas com ficção científica (sim amiguinhos, quem leu Anjos & Demônios sabe que alta tecnologia é uma obsessão em Dan Brown), isso porque este é o personagem mais interessante dele, seus outros livros que não fazem esta mistureba não são tão conhecidos. Isso talvez seja explicado por um viés iluminista que Brown pode ter resgatado da filosofia vinda em forma de diversão, que, alias, Sade utilizava muito bem: No meio da ação (literal e figurativamente), Sade interrompia para divagar sobre política, filosofia etc. Se Sade utilizava o sexo para perpetuar suas ideias, Brown utiliza o gênero policial. No fundo Anjos,Código e Lost Symbol defendem uma visão de mundo que refuta a tradição, dogmas e leis da Igreja, para defender uma existência de Deus, digamos mais pop, no Universo, no desconhecido ou na consciência coletiva de uma humanidade como um todo, e as pessoas gostam destas ideias.
Defendendo ou não, me parece claro que há uma visão de mundo única, e interessante é que não é uma visão ateia, mas com a mente bem aberta. Na parte técnica o melhor livro ainda para mim, é Anjos e demônios, a história mais bem construída, em dado momento ele viaja legal e quer que nós engulamos umas solução saídas diretamente de um H.G.Wells e isso estraga alguma verossimilhança procurada. Mas dependendo de seu ponto de vista religioso (ou na ausência dele) é um livro divertidíssimo de se ler.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

NATIMORTO, O de Lourenço Mutarelli


Ao encarar Lourenço você deve ter em conta algumas coisas: Que você possivelmente gosta de Kafka e que se algo está parecendo esquisito é porque é mesmo, e por último é um mundo muito próximo de um eufêmico pesadelo. Falo eufêmico, pois ele não é necessariamente forte, mas quando colocado em análise nua e crua é algo que passa beirando o grotesco, mas suavemente, como é o caso do final do livro em questão.
Natimorto está sendo relançado pela Cia. Das Letras, juntamente com o novo livro de Mutarelli Miguel e os Demônios, que alias foi lançado ontem, ao qual eu pretendo ainda falar brevemente. A história do nosso livro em questão gira em torno de uma mulher “A Voz” que tem um canto tão puro que ninguém consegue escutar e seu agente, “O Agente”, que lê a sorte nas propagandas antitabagistas dos maços de cigarro, ao qual ele tem a teoria de que são reinterpretações de cartas de tarô. Curioso e confuso? Normal. Mas espere ainda tem mais, ao serem expulsos da casa da mulher do gente ele propõem que eles vivam juntos em quarto de hotel por 5 ou 6 anos. Ah, sim ele é escrito em um misto de poesia com teatro. Sim, é realmente bem interessante, mas não espere nenhuma jóia escondida ou floreio narrativo mais extraordinário que isso, eu li em uma sentada e foi divertidíssimo!
O agente é um personagem deliciosamente deprimente, quase tão deprimente quanto os personagens de Phillip Roth, conforme os dias vão passando e o relacionamento dos dois vai mudando isso vai se tornando uma espiral destrutiva, que culmina na insinuação mais grotescamente medonha de um final de livor que eu tenha lido recentemente.
O grande defeito da história é sua brevidade, parecia que dava muito mais pano pra a manga, parece que quando você está no melhor filme a luz acaba ou aparece alguém dizendo “é tudo por hoje”, mas ele vai virar filme, não sei como uma vez que não consigo ver a história como um filme sem destruir toda sua estilística esperta, mas tomara que como filme verifiquem outras possibilidades para essa história macabra.

domingo, 27 de setembro de 2009

estréias e retornos na TV em Outubro.



Bem, na Tv paga ao menos. Universal e Warner Channel anunciam nova grade a partir de 22 de outubro.
De cara no dia 22 voltam HOUSE MD UNI- 22h00 e Supernatural WAR-22h00 além da estréia de Vampire Diaries WAR- 21h00.
Em House o episódio é duplo mostrando como o médico está encarando a clinica de reabilitação.
Em Vampire Diaries veremos como Stefan conhece Elena e
Supernatural começa movimentado com o inicio do Apocalipse .
* dia 26 segunda feira volta WAR- 21h00- Cold Case com bom gosto costmeiro na trilha sonora, e WAR-22h00- The Mentalist em sua segunda temporada o horário das 23h00 na Warner ficou para a estréia de Warehouse 13 onde veremos dois agentes so FBI mandados para o meio do nada a fim de cuidar do armazém onde o governo esconde seu arsenal sobrenatural.
* dia 27 voltam na Warner a partir das 21h00,Two and a Half men, The Big Bang Theory, Smallville e Fringe. Ufa! o destaque é para Smallville , onde Clark finalmente vai usar um uniforme de Super-Herói.
* Dia 28 tem a estréia de Three Rivers, série sobre médicos especializados em transplante de orgãos na Universal às 23h00, saindo do forno já que a estréia na CBS será em 4 de outubro.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

UMBIGO SEM FUNDO, Dash Shaw


Se Retalhos é o quadrinho perfeito para fazer alguém que subestima quadrinhos a se interessar, Umbigo sem fundo é quadrinho para afastar alguém devisado. Longe de ser ruim, é uma história bem simples retratada de maneira complexo pelo jovem Dash Shaw, cujo trabalho também pode ser conferido em www.dashshaw.com, em suas hq's digitais.
Você é lançado de maneira analítica a vida dos Loony, Malucos em inglês, um família que olhando atentamente é muito parecida com qualquer uma. Após um breve passeio naturalista sobre a vida da família, vamos uns 20 ou 30 anos para frente quando as crianças estão grandes e os pais já são avós, para em uma reunião de família ser anunciado a separação do casal que está junto a 40 anos. Cada filho pira de sua maneira, o mais velho realmente surta o cabeção revisitando o passado tentando achar uma explicação para o que ocorre entre o pai e mãe. Claire, a do meio, não dá muita bola a notícia, ela mesmo já se separou (e tudo indica que não superou)e tem que dar atenção a sua filha que sofre as inseguranças da adolescência, mas a melhor história é a de Peter, retratado como um sapo, ninguém nota nele, tanto é que ele acaba se envolvendo com uma moça que acaba de conhecer ao invés de ficar na casa de praia da família. Segundo ele é o “clichê o caçula, que não se encaixa em nada, parece um sapo estranho na família”, o que é genial do ponto de vista formal. Alias a forma é tudo nesse imenso graphic novel de 790 páginas, temos páginas em branco, a descrição de sensações, quadro a quadro com uma minuciosidade incrível, cartas que aparecem no meio da narrativa, incluindo um criptograma e uma conclusão aberta a discussões.
A forma complexa parece uma chave de leitura, pois em sua constituição tudo é explicado em Umbigo sem fundo (alias, você vai ter que decodificar o criptograma para entender o título), a pessoa senta e há um balãozinho escrito (senta), Peter dá os ombros e está escrito (encolhe), assim do começo ao fim, contudo isso é um contraste com as relações humanas que o livro desenvolve, todos estão procurando maneiras de se relacionar, Dennis procurando a relação dos pais no passado, Claire e a filha, Peter e a estranha da paia, Aki (mulher de Dennis), com dennis e o bebê, os pais que enceram um relacionamento sem muita explicação. Tudo isso fica no limbo, porque é inexplicável, e o traço naturalista e minimalista de Dash, acentua essa sensação de estranheza que a história causa. Esse, eu repito, não é uma leitra fácil, a princípio, e uma história que pode deixar um leitor desavisado com uma grande interrogação ao final de sua leitura, mas encarando o monstro, pode-se discutir os muito aspectos da vida que esse texto porporciona.

GAROTO NO CONVÉS, John Boyne


O homem riu e deu os ombros 'Bom, eu reconheço que nunca tive o toque criativo. Sou mais patrono o que artista. Mas, se eu fosse contar uma história, acho que tentaria encontrar a situação primordial, aquele ponto singular na narrativa que põe tudo em movimento. Eu procuraria esse momento e começaria a história a partir dele.'”

Com floreios metalinguísticos John Boyne, começa sua segunda incursão ao romance e utilizando um interlocutor jovem novamente, o que nos leva a pensar quase que automaticamente em oportunismo, vide que O Menino do Pijama Listrado já virou até filme em pouco menos de 3 anos de vida. O que não se confirma ao ler essa aventura, pois parecem ser dois estilos completamente diferentes, se o Menino tem em sua concepção um menino inocente, com alta carga de sentimentalismo e em sua brevidade a força para arrebatar o leitor, John Jacob Turnstile não tem nada de inocente em suas piadas e em sua vida, cria um romance gigantesco em que temos humor, um tom pesado que o afasta da literatura juvenil e sem um pingo de sentimentalismo. Ponto pra ele. Na verdade o oportunismo foi o marketing do lançamento com o layout similar na capa, como vocês podem ver, e um título que também remete ao primeiro sucesso (o título original seria Motim no Bounty), o que é válido e não é um desrespeito a obra.
Em todo caso Menino do Pijama para desespero dos insensíveis já um clássico moderno, o que não podemos dizer do Garoto no convés, uma ótima aventura mas não passa disso. O livro começa com nosso interlocutor assaltando um homem e sendo preso, contudo acaba trocando 1 ano na prisão, por 2 anos a serviço de um navio inglês, nada menos que o Bounty de William Blight, imortalizado na história naval pelo motim e pelo filme dos dinossauros Charles Laughton e Clarke Gable, alias um clássico indispensável para qualquer um que curte cinema, e a história do motim é que será reencenada sob a ótica do adolescente. Ponto número 1 do livro é criar um personagem carismático que não deixa o interesse pelo livro cair, com sua insolência e humor estranho, quase caricato, alias durante uma boa parte do livro parecem que os personagens são caricaturas em um romance de Dickens. O ponto número 2 para o livro é gerar uma narrativa marítima, em um mundo em que esse tipo de narrativa está quase esquecida, é como fazer um western para blockbuster de verão (!) e ainda sim fazer algo decente. O ponto 3 e acho que é onde está a força do livro ao mesmo tempo que seja um clichê, é reconstruir o motim no Bounty de forma inversa ao que é lembrado, com o capitão sendo um homem ambíguo mas bom, Fletcher como o tradicional vilão e muitas outras personagens inesquecíveis. Aventura marítima, outro personagem criança e um clichê de inversão de história conhecida. Isso não deve dar um livro bom. Mas deu! O livro é ótimo, constrói direitinho a história até o ocorrido, mas ele realmente te arrebata quando é descrito os 48 dias de sobrevivência no barquinho em alto mar de maneira realista e escatológica que dissipa qualquer sensação de caricatura que possamos tido (eu tive e acho que é proposital, o que deixa essa parte ainda mais dramática). O único defeito do livro é tentar complicar demais a psicologia do menino, que em dado momento descobrimos que sofria abusos sexuais, sendo um garoto de programa além de batedor de carteiras, o que se mostra um trunfo elegante a primeiro momento se transforma em algo repetitivo e levando a um epílogo desnecessário, o que não chega a ofuscar a diversão do romance em uma época em que tudo é introspectivo, até os vampiros, é bom encontrar uma aventura que mostre mais o exterior da história e seus desdobramentos, mesmo assim temos algumas críticas ao pensamento da época que pululam levemente no texto. Ótimo romance e boa diversão.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

CLUBE DO FILME, David Gilmour




“...Quero que você preste atenção nessa cena e se lembre dela. A vida desse cara já está na descendente; ele sabe disso, e ela também. Mas você, Jesse, sua vida es ta´começando e tem tudo pela frente. Você não precisa estragá-la.
Coloquei no aparelho de DVD A Doce Vida, e avancei até a cena final...”


Jesse o filho de David Gilmouor, estava indo mal na escola, não se adaptava, cabulava e não estudava também. Fase de qualquer adolescente que não sabe porque estuda, fato é que David resolveu inovar no conceito Paulo Freire de psicologia infantil e tirou o menino da escola, não o pôs para trabalhar e só colocou uma regra na educação do pequeno Jesse, que mede 1,80, assistir três filmes por semana com o pai, que for escolhido por este (alias um apresentador de tv médio, escritor e crítico de cinema nas horas vagas).
David se perguntar diversas vezes se ele estaria tomando o caminho certo na educação de seu filho durante o livro, o que é perfeitamente compreensível uma vez que uma história tão louca para as bases pedagógicas atuais não poderia ser simplesmente pensada sem correr riscos, mas isso não é um livro de pedagogia, muito menos como eu pensei previamente ser um livro sobre cinema, e sim é um livro sobre relacionamentos humanos, poderíamos relativizar o relacionamento pai e filho, mas temos também a imersão deste adolescente com os primeiros sentimentos amorosos e casos concretizados, também poderíamos ver o relacionamento destes personagens com a vida em si, David desempregado e cada vez mais desesperado e Jesse tendo que pensar em como será sua vida daqui alguns anos, coisa que ele demora muito para fazer.
Ponto número: Jesse é um idiota! Tenho uma antipatia natural por adolescentes e os problemas que os atraem, contudo tem horas que ele deve irritar qualquer leitor. Só tinha uma regra no clube do filme, não usar drogas. Adivinhe o que volta e meia ele confessa ter feito? Fato é que devo ter alguma deficiência em entender essa idade. Ponto dois: é que não concordando em substituir a escola por sessões de filme em minha mente como um todo, mas tendo em mente que a escola realmente não forma um indivíduo como pessoa, é interessante ver como substituir cultura e arte na educação de uma pessoa, pode realmente ajuda mais do que a educação mecânica e dirigida que uma escola está pronta para fazer, quase como uma fabriquinha, também devo mencionar que este é um conceito vindo de alguém que estuda no sistema de ensino brasileiro, e comparado com o americano é bem mais fraco o que torna essa história ainda mais palpável para nós do que para eles.
Mas se concentrando no principal: o cinema. O livro é um apanhando de opiniões bem interessantes sobre e cenas e filmes, e ainda, um apanhado de nostalgia sobre a magia do cinema e como cada filme tem o poder de despertar emoções e sensações diferentes um nos outros.
Um belo relato, e olha nem curto não-ficção assim, sempre acho que fica um pouco aquém mas nesse caso foi uma leitura fascinante.

UP - ALTAS AVENTURAS


Ontem fui assistir ao novo filme da Disney/Pixar, que chegou com nada menos que 3 meses de diferença em terras tupiniquins, com a expetativa de alguém que tinha chorado ao final da última produção WALL-E, clássico moderno indiscutível, ainda que a força da mente sensata pontue: “não é possível revolucionar o cinema a cada filme e não escute RPM”. Com relação a última informação é um momento de sensatez impressionante, principalmente pelo fato de estar à 36 horas acordado, com relação a primeira ainda bate um certo frio na barriga que nos obriga a pensar “mais uma obra-prima?”. Escrevi anteriormente que na animação três coisas eram garantias de clássicos: Pixar; Henry Sellick e Hayao Miyazaki (que tem filme novo chegando logo e adivinhem, foi sucesso de crítica e público na Terra do sol nascente), e continuo com essa concepção diante de mais um clássico, não ao nível WALL-E de perfeição, mas é uma injustiça começar a comparar filmes a luz de seus predecessores.
Carl Friedcksen é um menino que sonha com aventuras, tem como herói o grande aventureiro Carles Mudds, que foi ao Paraíso das Cachoeiras e nunca mais voltou, e quer realizar essa viagem algum dia da vida. Logo em sua infância ele conhece uma menina faladeira que também tem todos esses sonhos e logicamente é o grande amor de sua vida. O filme em uma tomada belíssima (pura poesia), mostra a vida do casal ao longo de seus 70 anos juntos e como esse sonho de viajara para América do sul vai sendo adiado até não ser mais possível pois ele se torna viúvo. Cacetada logo no início do longa deixa qualquer um com água nos olhos. É incrível como eles conseguem combinar sentimentalismo com humor, e vice-versa. Logo mais em uma cena muito engraçada, Carl acerta um empreiteiro com seu andador, mas logo descobre as consequência quando se mostra sangue na cabeça do sujeito, do engraçado ao trágico na mesma cena. É também a primeira vez que uma personagem morre em desenho da Pixar, sem ser vilão, e o Wall-e chegou perto.
Viúvo, sendo visto como ameaça e com a casa no meio de uma construção em andamento prestes a ser despejado e ir a um asilo, Carl faz a única coisa que lhe resta, prende milhões de balões no telhado de sua casa e levar sua casa para o Paraíso das cachoeiras. Lógico!E dá certo, com o detalhe de que para realizar essa aventura vão começar a aparecer personagens, digamos distintos, em seu caminho a começar pelo escoteiro japonês que ele leva acidentalmente no início da viagem, mas logo vai aparecer uma ave histérica e um cão falante, membro de uma gangue de cãos falantes, e um insano Kirk Douglas, perdão Charles Mudds, vivo ainda e adivinhem? Ele é o vilão.
Uma aventura e tanto no ponto de vista da diversão, combinada com elementos de humor, porém do diferencial do filme é proporcionar um tom tocante no filme nos momentos em que se coloca a moral com centro e o sentimento acima de suas outras qualidades, aí o filme aça-se a condição de clássico, até menino japonês tem uma história triste que também se trata de uma perda, a própria ave a tem e em um plano mais profunda o vilão também, contudo ele não se conforma e vive atrás de recuperar o que nunca foi dele. Podia ser melhor? Duvido muito, afinal abriu Cannes ao som de aplausos e isso não é para qualquer um Fernandinho que o diga.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

U2 - NO LINE ON THE HORIZON


Tirem as crianças da sala! Eu vou fazer uma critica musical, uma vez que meu editor de cd's em mais de dois anos produziu no máximo 3, sendo que a última foi há mais de 1 ano. Atrasado como sempre em relação as tendências musicais, que eu não escuto muito, mas sou um fã de U2/Bono Vox de carteirinha, e vamos logo entrar na polêmica: Desde de que anunciado No line on the horizon foi descrito como uma guinada na carreira musical do grupo/ inovador em todos os sentidos/ U2 se reinventando. Menos! O que eu tenho a impressão, é que a crítica musical quer que os grupos se reinventem toda a hora e o U2 não precisa se reinventar há muitos anos, o que não impede de tentar fazer algo diferente sempre. Inovador não é e também não é uma guinada, mas é diferente e é ótimo. Alias a impressão que o cd dá a aumentar a densidade do som, pois ele é mais pesado que os demais álbuns, foi estabelecer o rock, em uma época em que o rap e hip-hop dominam o mercado mundial, como o som dominante no álbum inteiro, todas as pequenas experimentações não tentam ganhar um público mais amplo dominado por outros estilos musicais e sim cimentar o som da velha guitarra em momentos mágicos. Não tem a proposta comercial de All that you can't leave behind ou How to dismantle, não é uma guinada como Acthung Baby, é um meio termo dos dois.
No line ont he horizon, música de abertura é poderosa na letra e na melodia, uma das melhores do álbum.
Magnificent – Soa com tradicional onde a voz de bom ganha as alturas com os agudos, a letra é um pouco fraca mas a melodia compensa
Moment of Surrender – A melhor música do álbum para mim. Pretenciosa até o fim, e maravilhosa em sua constituição.
Unknown Caller – Um tipo de continuaão do ooooh de No line. As quatro primeira fomram um tipo de unidade, mas eu não sei explicar.
I'll Go crazy if I don't Crazy Tonight – Vai ser o hit do cd. O clipe e muito bonitinho e a música é ótima
Get on the boots – foi a música usada para promover o disco, a mais estranha ao som e divertida ao mesmo que é sensual.
Stand-Up Comedy – A melhor letra, destilando Ironia. Esse sim é o único momento de pura inovação do grupo.
FEZ being born – Quase instrumental, ousada por virar repentinamente a melodia inicial. Não sai da cabeça.
White as Snow – A baladinha emocionante.
Breathe – Mais um momento classic
Cedars os Ledanon – A última música dos cd's do U2 normalmente é algo diferente, está bem ao estilo do grupo apesar do vocal ser discreto, a letra é ´tomiae termina com seguinte frase:
Choose your enemies carefully' cos they will define you
Make them interesting 'cos in some ways they will mind you
The're not there in the beginning but when your story ends
Gonna last with yyou longer than your friend.

Dark. E politizado. U2 sempre termina os cds belamente.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ANTICRISTO, Lars Von Trier


Lars Von Trier estava deprimido, então para se alegrar ele fez um filme contendo morte, violência descomunal, sexo e intitulado anticristo, que deixou o Vaticano e as esferas da comunidade cristã muito felizes. Fato é que, segundo ele, ele não conseguia nem levantar para tomar água e precisava abstrair. Essa depressão começou porque Maderlay, a segunda parte da sua trilogia sobre os EUA, foi um fracasso de público e crítica e ele mesmo se arrepende de ter feito daquela forma equivocada o filme, continuação do interessante Dogville, com todos os atores trocados e a mesma estrutura, passou tão desapercebido pelas telas que só soube que ele tinha sido feito quando vi o Dvd e acho que não vou ver este filme tão cedo para saber se ele tem razão em se auto-imobilizar, também acho que Washington, que seria a terceira parte, não vai ficar pronto tão cedo.
Lars Von Trier tem duas obras-primas na minha opinião, que é o Dançando no Escuro, única vez que admirei Bjork, e o estranho e perturbador Dogville, na minha opinião o melhor dos dois. Apesar do primeiro ser um musical e o segundo uma mistura de cinema e teatro, a matéria prima interior de ambos é representação da estrutura de nossa sociedade, e a visão de Lars é sombria onde o s fracos são triturados e o mal saí sempre ganhando, ou seja é bem realista! Dançando temos uma mãe pobre tentando juntar dinheiro suficiente para pagar a operação da filha, para ela não ficar cega como a mãe está ficando. É uma tragédia após a outra, em seu final chocante em meio a músicas. Dogville, a heroína virtuosa é chantageada por toda uma cidade em troca de poder se refugiar nela. Nada é gratuito no mundo do dinamarquês, e como critico de seu mundo é como ele é visto pelos seus admiradores que ficaram muito chateados com esse filme Cannes, onde ele foi vaiado, aplaudido, chocou e provocou gargalhadas! Isso porque tudo que falei não se remete a esse filme onde a grande falha em se apreciar o filme é achar que tem alguma verdade social-universal em seus frames, Anticristo é basicamente um filme de terror! De um nível de horror que poucas vezes foi mostrado na tela grande, sua análise é enganadoramente psicológica, pois o que Lars tenta mostrar com o final do filme é que muitas coisas ainda não podem ser explicadas.
Um casal é vítima de um tragédia quando o filho despenca do prédio para a morte e eles faziam amor no quarto ao lado, um detalhe é que essa cena é maravilhosamente filmada em preto-e-branco, na câmera lenta e embalada com musica clássica, o Lars vai odiar mais a precisão do som com as cenas remetem a um Kubrick inspirado, é de longe a melhor cena do filme. O luto da mãe que é perigosamente mortal, faz o marido dela leva-la a uma cabana longe da cidade para vencer a dor da perda, ele que é um psicólogo entra em uma batalha para recuperar a razão dela (pobre idiota), mas aos poucos o isolamento vai mostrando a verdadeira natureza do acontecido e na crescente narrativa de sonho que o diretor propõem seu terço final cria o ápice da narrativa aterrorizante proposta. Ótimo!
Lógico que ser um filme de terror não é depreciativo, marca autoral de Lars é sentida o filme inteiro, mas o fato é que o filme É UMA NARRATIVA DE TERROR. E fazer este tipo me parece mais complicado, uma vez que esse gênero é subvertido por hordas de adolescentes sarados sendo triturados por serial killers onipotentes (coisa que voltou esse ano e felizmente não pegou), e ter a classe de fazer um trabalho perto do estado bruto desta sensação, muito próximo de um Exorcista ou Iluminado, para mim as duas obras máximas do gênero, mas tome cuidado cuidado o Anticristo não é para todo o público pelos seguintes critérios: Sexo explícito, violência grave, castração masculina e feminina e imagens perturbadoras como uma raposa falante, ou a imagem do cartaz, a única que é muito bonita, mas não tem nada a ver com o filme.
A única dúvida que resta é porque Anticristo? Não foi somente para irritar as autoridades católicas que autopromoveram o filme. Detalhe 1: Os personagens não tem nome, são He and She. Detalhe 2: eles vão para Eden, o nome da cabana. Adão e Eva de volta ao paraíso? Pode ser mas o detalhe 3 responde melhor, contudo é um spoiller: No final quando o s dois estão próximos da morte, os três mendigos, as criaturas que apareceram o filme inteiro, chegam para coroar o quê? A morte! Tal qual os reis-magos vem ver o nascimento do menino Jesus, Cristo, o filme que faz um apologia forte contra a lendária maternidade bondosa das mulheres, não coroa o nascimento de algo como Anticristo, mas a morte pela maldade, que é uma descrença absoluta em qualquer redenção que possa haver para os personagens. Para mim o Anticristo é a Morte. Curioso? Veja o filme então, ele pode não ser o melhor cineasta do mundo, apesar de se achar, mas é com certeza um dos melhores e vai te chocar.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

JABUTI 2009

A lista saiu há uns 10 dias e selcionei as categorias mais legais:

Romance
"Flores Azuis", Carola Saavedra (Schwarcz)
"Cordilheira", Daniel Galera (Schwarcz)
"Orfãos do Eldorado", Milton Hatoum (Schwarcz)
"Galiléia", Ronaldo Correia de Brito (Objetiva)
"Satolep", Vitor Ramil (Cosac Naify)
"Manual da Paixão Solitária", Moacyr Scliar (Schwarcz)
"A Parede no Escuro", Altair Martins (Record)
"O Livro dos Nomes", Maria Esther Maciel (Schwarcz)
"Um Livro em Fuga", Edgard Telles Ribeiro (Record)
"Heranças", Silviano Santiago (Rocco)

Poesia
"Dois em Um", Alice Ruiz S. (Editora Iluminuras)
"Chocolate Amargo", Renata Pallotini (Editora Brasiliense)
"Antigos e Soltos: Poemas e Prosas da Pasta Rosa", Instituto Moreira Salles (Instituto Moreira Salles)
"Cinemateca", Eucanaã Ferraz (Schwarcz)
"A Letra da Ley", Glauco Mattoso (Annablume Editora)
"Homem ao Termo - poesia reunida [1949-2005]", Affonso Ávila (Editora UFMG)
"Outros Barulhos", Reynaldo Bessa (edição do autor)
"Geometria da Paixão", Dagmar de Oliveira Braga (Anome Livros)
"Os Corpos e os Dias", Laura Erber (Editora de Cultura)
"Ferreira Gullar: Poesia Completa, Teatro e Prosa", Ferreira Gullar (Nova Fronteira)
"Réquiem", Lêdo Ivo (Contra Capa)
"Uma Hora Por Dia", Maria Helena Azevedo (7 Letras)

Contos e Crônicas
"Canalha! - crônicas", Fabricio Carpinejar (Editora Bertrand Brasil)
"101 Crônicas - Ungáua!", Ruy Castro (Publifolha)
"Ó", Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos (Editora Iluminuras)
"Rasif", Marcelino Freire (Record)
"Ostra Feliz Não Faz Pérola", Rubem Alves (Editora Planeta do Brasil)
"Os Comes e Bebes nos Velórios das Gerais e Outras Histórias", Déa Rodrigues da Cunha Rocha (Auana Editora)
"Ping Pong - Chinês por um Mês: As Aventuras de um Jornalista Brasileiro pela China Olímpica", Felipe Machado (Manuela Editorial / Editora Arte Paubrasil)
"Crônicas e Outros Escritos de Tarsila do Amaral", Laura Taddei Brandini (org.) (Editora Unicamp)
"Antologia Pessoal", Eric Nepomuceno (Record)
"Cheiro de Terra - contos fazendeiros", Lucília Junqueira de Almeida Prado (Scortecci Editora)
"O Silêncio dos Amantes", Lya Luft (Record)
"Vatapaenses Vasos Comunicantes", Sergio de Almeida Bruni (GM Minister)

Infantil
"Sete Histórias para Contar", Adriana Falcão (Editora Moderna)
"Comilança", Fernando Vilela (Editora DCL)
"No Risco do Caracol", Maria Valéria Rezende e Marlette Menezes (Autêntica Editora)
"Era Outra Vez um Gato Xadrez", Leticia Wierzchowski (Editora Record)
"Minhas Contas", Luiz Antonio (Cosac Naify)
"A História de Biruta", Alberto Martins (Schwarcz)
"Zoo", João Guimarães Rosa (Editora Nova Fronteira)
"E um Rinoceronte Dobrado", Hermes Bernardi Jr (Editora Projeto)
"A Invenção do Mundo pelo Deus-Curumim", Braulio Tavares (Editora 34)
"Alma de Rio" Ellen Pestili (Cortez Editora e Livraria)

Juvenil
"O Fazedor de Velhos", Rodrigo Lacerda (Cosac Naify)
"A Distância das Coisas Edições", Flávio Carneiro (Grupo SM)
"Cidade dos Deitados", Heloisa Prieto (Cosac Naify)
"Montanha-russa", Fernando Bonassi (Cosac Naify)
"Surfando na Marquise", Paulo Bloise (Cosac Naify)
"1808 - Edição Juvenil", Laurentino Gomes (Editora Planeta do Brasil)
"Brincos de Ouro E Sentimentos Pingentes", Luiz Antonio Aguiar (Editora Biruta)
"Figurinha Carimbada", Márcio Araújo (Girafinha)
"Chuva de Letras", Luis Alberto Brandão (Editora Scipione)
"Meu Pai Não Mora Mais Aqui", Caio Riter (Editora Biruta)
"Conversa de Passarinhos", Alice Ruiz S. e Maria Valéria Vasconcelos Rezende (Editora Iluminuras)

O fato de o "Filho da mãe" não estar concorrendo já tira minha ilusão de justiça com o prêmio, em todo cao romance está entre Orfãos do Eldorado e Galiléia. Poesia deve ficar com a obra completa do Ferreira Gullar, para desgosto do Haroldo. Contos com "Ò", juvenil com o "Fazedor de Velhos", o Infantil é um mistério mas aposto no Zoo. Meus chutes.
Deixem os seus.

LADRAO DE RAIOS, Rick Riordan


“De certo modo é bom saber que há deuses gregos lá fora, porque aí temos alguém para culpar quando algo dá errado. Por exemplo, quando você está se afastando a pé de um ônibus que acaba de ser atacado por bruxas monstruosas e explodido por um relâmpago, e ainda por cima está chovendo, a maioria das pessoas acha que isso é muita falta de sorte – quando se é um meio-sangue, a gente sabe que alguma força divina está tentado acabar com nosso dia”

As viúvas, viúvos e amantes renegados de Harry Potter tem um novo pivete para sofrer com, o nome dele é Percy Jackson, ou Perseu Jackson para os mais íntimos, e nova série de livros de fantasia se inicia com este Ladrão de Raios em que sai a bruxaria e trouxas, e entram a mitologia grega e esses seres humanos que veem as coisas como melhor os convém. Esse livro é engraçadíssimo do começo ao fim e é perfeito para ser adaptado para o cinema vide que não passa um capítulo sem que monstro tentem transformar os protagonistas em pudim, contudo está longe de ser perfeito ou esconder uma certa inspiração descarada. Um leitor de 11 ou 12 anos vai se divertir horrores, enquanto aqueles que crescerem acompanhando o bruxinho, ou que tem uma vivência maior com fantasia vão se perguntar em certos “mas isso não é óbvio?”.
A história gira em torno de um menino que é um péssimo aluno, sendo sempre expulso das escolas e nunca tirando boas notas, até que uma professora tenta matá-lo e ele é expulso da 6 escola em 6 anos. Vive com uma mãe que o ama muito e um padastro horrível. Logo se descobre que ele é um semi-deus e sua mãe morre, ele vai para um acampamento de semi-deuses onde encontra um sátiro que é seu guia e extremamente estabanado e uma menina que é filha de Atena.
O grande trunfo do livro é a narração em primeira de Percy contando tudo isso, isso porque ele é deliciosamente cínico, sarcástico e por vezes irônico. Segura o livro no braço xingando Zeus, desafiando Ares e outras façanhas. A missão concedida a Percy com sua chegada (ele não deveria existir) e recuperar o Raio mestre de Zeus que foi roubado por algum ladrão, possivelmente a mando de Hades, antes de dez dias pois senão os deuses vão guerrear e aí nós pobres mortais. Em matéria de aventura, não acaba nunca tendo algumas reviravoltas bem boladas e a revelação de um novo inimigo.
Agora vamos a três críticas ao livro: 1- Pessoalmente, entendo fato do autor ser americano e por isso ele situa várias passagens em que ele explica porque os gregos estão na terra do Tio Sam, pois atualmente é o”berço da civilização ocidental”. Ok. Mas é irritante. 2- Ele poderia ter ousado mais ao reconstruir o império olímpico nos dias atuais. Basicamente todos os personagens deuses e monstros não mudaram em 3,000 anos. É politicamente correto a ponto de sempre que possível não confundir os deuses com Deus. O que deve fazer seu livro não entrar nas tradicionais toras de Igrejas conservadoras. 3 – O único erro estrutural, é criar uma profecia em que você desconfia que sabe em menos de1/4 do livro, confirmar ela em ¾ e o personagem demorar mais 9 meses para cair a ficha e dizer putz, é mesmo. Esse mistério não deve funcionar nem com crianças de 10 anos. Mas devo lembrá-los que o primeiro Harry Potter é relativamente bem fraco em comparação com os volumes a partir do “O prisioneiro de Azkaban”, e a série nos States já tem 5 volumes, então vamos com Percy Jckson pelo caminho torturoso de um herói.