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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Entre o sono e vigília

Há um filme do qual eu gosto muito desde que eu vi pela a primeira vez e desde então eu vejo sempre que posso, o motivo é de difícil explicação, ou tem várias explicações assim como o próprio filme se estrutura. As opiniões variam bastante, Ana do Bones achou que era um filme chato na qual a personagem era uma safada como todas as outras (?!), Matias achou ele simples, mas passou por cima de todas as sutilezas do filme, o que não significa que ele não entendeu, ele simplesmente ignorou as dificuldades o que é aceitável, Nicole achou uma viagem, Vanessa também apesar de dizer que precisa assistir outra vez por não ter entendido tudo, Kalebe até onde eu lembra não gosta do filme. O Nome da Rosa é Cidade dos Sonhos (2001).
Eu vou tentar fazer uma coisa impossível, e de quebra um crime com as belas artes, tentando explicar o filme e resumi-lo, na tentativa de elucidar o mistério em torno do multiplo recebimento que esta obra-prima (por que é para mim uma obra-prima) tem de sua audiência. Partindo desta premissa vamos a algumas premissas básicas: o diretor deste filme é David Lynch, que é um dos caras mais estranhos do planeta, seus filmes são carregados de surrealismo e o que complica a história de Mulholland Dr é fato de ser um filme esquisito , mas plausível durante 4/5 de projeção e mudar tudo em 1/5 final, quando digo tudo refiro-me a personagens, história, enredo (ou não).
Se você nunca viu o filme e não goste que estraguem a surpresa PARA DE LER AGORA! Se j´viu e ficou na dúvida se era isso mesmo aí vamos a minha tentativa de resumir o máximo que consigo o filme:
1° parte – Pessoas dançando ao som de discoteca. Uma câmera se dirige a um travesseiro vinho. Créditos. Um carro se dirige pela estrada. Jovem morena (Laura Harring) parece estar sendo leva por gangsters. Eles ameaçam ela para sair do carro. Um outro carro com jovens acerta o carro da protagonista. Ela saí cambaleando do carro e se dirige a cidade. Dorme em um gramado e entra em uma casa, durante essa travessia toda vez que ela descansa o filme corta para os seguintes flashes (homem estranho conta um sonho em restaurante Winkles, onde termina com um monstro do lado de fora do prédio, um assassino estabanado está procurando uma mulher morena, um casal de idosos chegam com uma jovem a Los Angeles). A jovem do flash é Beth (Naomi Watts) que é a jovem-mais-bondosa-de-toda-a-face-da-terra, vem para Los Angeles querendo ser atriz como a tida. Vai a casa da tia e encontra a Morena no chuveiro, acha que é amiga da tia e a deixa fica. A protagonista não lembra quem é, inventa um nome: Rita – Subtrama: O diretor de um filme é coagido a colocar em seu filme uma atriz, Camila Rhodes, que é protegida da máfia ao se recusar descobre a mulher o traí e que de repente ficou duro, o assassino continua nas ruas. Beth descobre que Rita é uma invasora, mas ela é a jovem-mais-bondosa-de-toda-a-face-da-terra, resolve ajudá-la descobrem que ela foi vítima de um acidente em Mulholland Drive, a estrada que dá nome ao filme.Descobrem uma bolsa com Rita cheia de dinheiro e uma chave, Rita lembra de mais um detalhe do passado um nome: Diane. Subtrama: O diretor é convencido por um cowboy a entrar no jogo de Hollywood. Beth vai fazer um teste muito estranho conhece o diretor da subtrama, ele seleciona Camila Rhodes, apesar de se sentir atraído pela imagem de Beth. As duas protagonista cada vez mais amigas resolvem procurar Diane, apesar do perigo da máfia esta espreitando (ou não), eles entram na casa dela e descobrem um corpo com a cabeça estourada. Rita com medo começa a usar peruca, e pensa em fugir. As duas vão para cama juntas e Beth descobre que está louca por Rita. Ita acorda em meio a noite falando espanhol. As duas vão a um clube em que nada é verdadeiro, tudo é imitação ou gravação, escutam llorando o que traz emoções profundas em Beth, e descobrem uma caixa azul na bolsa de Beth. Voltam pra casa, Beth some e Rita abre a caixinha a câmera vai para dentro desta que cai no chão para desaparecer com Rita.
2° parte – Diane (Naomi Watts) levanta de seu repouso, chorando e depressiva vê uma chave azul na mesa de centro, faz café e quando volta Camila Rhodes (Laura Harring) está deitada nua no sofá, a chave não está mais na mesa. Ela fazer sexo mas Camila não quer (Todas as passagens nessa arte são abruptas e rápidas). Camila discute com ela. Camila está discutindo a porta de aine. Diane sente ciúmes no cenário do filme do diretor. Diane é chamada para ir a Mulholland Dr. Lá Camila espera por ela e elas entram floresta. Uma festa (o cowboy está lá, e a primeira atriz que faz Camila também) em que Daine conta que ganhou um concurso de dança e tentou ir para Hollywood para ser atriz mas só conseguiu papéis pequenos por causa de Camila. Camila anuncia noivado com o diretor. Diane está no Winkles, paga o assassino para eliminar Camila, ele diz que quando acabar vai encontrar a chave azul. A chave azul está na mesa do centro. Diane mais depressiva. O monstro deixa cair a caixa azul. Criaturas saem dela, são os idosos. Diane grita. Os idoso entram na casa dela pelas frestas da casa. Cena de terror, eles avançam nela. Diane desesperada pega uma arama e acerta a própria a cabeça. Tudo vira fumaça. Moça do clube fala “Silentio”. O filme acaba.
Há 3 interpretações possíveis: a mais tradicional, o contraponto desta, e a minha.
1° interpretação – Os primeiros 4/5 do filme são o sonho distorcido de Diane depressiva de uma juventude em que ela era cheia de sonhos, sua paixão por Rita/Camila e uma possível conspiração que acabou com sua carreira, sendo assim o sonho é a primeira parte e a realidade a segunda. Plausível, mas do jeito que é filmado a segunda parte é que parece ser o sonho com os cortes abruptos e condensação máxima da história.
2° interpretação – Os primeiros 4/5 da história estão acontecendo com uma Camila amnética e seu caminho para encontrar a cainha azul é simbólico para que ela entenda o que aconteceu, assim a caixinha é a representação do conhecimento a ser adquirido por ela de quem é e do porque isso aconteceu com ela. O que também não pressupõem que Beth exista. Não resolve muita coisa.
3° interpretação – a minha – NÃO INTERESSA! Como uma pintura surrealista, ou poema, tentar achar o rela dentro do filme é ilusório. É um sonho coletiva. Para mim as duas partes são sonhos. Todos que assistiram tem uma noção da história principal, mesmo passando por cima de todos os problemas que Lynch coloca (Matias não notou que Beth e Daine sã a mesma atriz, isso facilitou para ele, pois o grande problema Naomi Watts fazer dois personagens, isso é o que confunde pois implica que são a mesma pessoa e vira tudo de ponta cabeça, tempo-espaço-história), ou seja o diretor consegue fragmentar a historiar em subhistórias e sonhos dentro de sonhos para construir ainda sim um caminho narrativo que é perceptível.
Para terminar meu crime contra o filme eu vou esboçara ele como filme real e não como a mais perfeita composição surrealista dentro da sétima arte:
Rita/Diane chega em L.A para ser atriz, depois de muito tentar perde o papel principal para Camila (que pode ter outras influências) acaba se apaixonando e tendo um caso com ela, mas ela vira uma grande atriz (ou seja vida normal), descarta diane/beth para casar e seguir a carreira apesar de amá-la. Diane contrata alguém para matá-la e no auge da depressão e culpa se mata. Enquanto isso Camil/Rita pode ter sobrevivido (ou não) e procura uma solução para sua amnésia que pode incluir um Beth/Diane imaginária.
Sim, é um crime. Não vamos entrar em uma discussão mais aprofundada vide que essa é minha matéria mais longa, nem apontar como ele é uma crítica de Hollywood, e do começo-meio-e-fim. Mas só queria demonstrar o principal motivo de minha admiração pelo filme.
Silentio

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Império dos sonhos, ou como parei de me preocupar com sentido e pulei da poltrona com David Lynch

É amiguinhos, eu estava lá, vi após 170 minutos de exibição um senhorinha se irritar e pronunciar em alto e bom som "Para logo com essa merda!". Acho que quando você entra no cinema, você tem que saber no que você está entrando, uma semana antes o filme "Império dos sonhos" já estava em cartaz, e eu estava com minha amiga no cinema ainda com tempo de pegar a sessão, e já estava louco para assitir, mas tive o bom senso de não enfiá-la nessa sessão onírica, coisa que eu me arrependeria depois (eu conheço ela), pois uma vez que que o Cineasta resolve pirar na batatinha ele pira mesmo e assim como existe a frase "se é pra beber bebe direito", se é para enloquecer... baby you crazyyyyyy!!!!!!!!!!!!!!
Eu não vou tentar explicar o filme pois isso é exaamente o que não se deve fazer! Ele é uma loucura completa, e por isso é legal, alguns artigos antes eu tinha falado em como estamos em uma sociedade do horror, que principalmente enfatiza o Realismo exarcebado de certas construções cinematográficas, não sei se estou sendo repetitivo, mas já escrevi em algum lugar isso, vejamos os últimos ganhadores de Oscar : Menina de Ouro, filme extraordinário sobre desilusões, melancolia e eutanásia e é uma história de amor no final. Em 2006 então tinhamos um romance, OK era gay, mas é o século XXI, e perdeu para um filme que fala de como a sociedade moderna se auto-destrói em meio ao preconceito e em 2007 tinhamos uma briga difícil; BABEL, e melancolia universal contra Infiltrados, ou como colocar uma bala na cabeça de alguém de diferentes maneiras e ainda assim todos esses filmes são bons ou ótimos!!! Estamos ficando cada vez mais originais no pessimismo e violência nos últimos ano, aproveitando... em 2008 temos o nem um pouco sangrento No country for old men, e There will be blood, franquinhos não? Mas eu vou dedicar uma matéria para cada um deles.
Voltando ao tópico depois do devaneio, o filme é uma experiência diferentes que possibiliat várias leituras, depois de muito pensar cheguei a três hipóteses na minha cabeça: 1 - a moça em frente a Tv assiste o filme, enquanto meio que confunde sua vida com as das personagens 2 - a personagem de Laura Dern enquanto faz o filme revê sua vida entre o passado-presente-futuro-ficção-realidade todas as possibilidades durante aqueles segundos em que está em sua casa 3 - é um filme amaldiçoado, na verdade há uma quarta possibilidade é tudo isso e mais um pouco.
Para tentar entender, vamos pegar o outro filme: Cidade dos sonhos/ Mulholland Drive, um filme que eu acho extraordinário, o melhor feito nesse milênio... para quem não conhece o filme ele se divide em duas partes, sendo que há pequenos episódios no meio, que confundem ainda mais o espectador pois eles não se modulam a história principal diretamente: a primeira história tem relação com uma mulher que saiu de uma cidente de carro, invade a casa de Beth, uma aspirante a atriz que vai ajudá-la e mais a frente irá se apaixonar por ela, quando estamos quase perto da resposta, as coisas começam a ficar cofusas, e quando vemos Beth virou Diane, e Rita virou Camila, as duas são atrizes e se apaixonam, só que Diane vai matar Camila, pois ela resolveu viver normalmente, na parte em que a história muda e os personagens viram outros costuma ser a parte mais difícil para quem está esperando um filme normal, não sei por quê...
Normalmente quem tenta entender o filme chega a variações de duas hipóteses: 1ª Beth não existe, Rita está devaneando sonhos em busca de sua identidade, quando abre a caixinha ela tem as respotas pela história de Diane, e se lembra como Camila. OU 2ª por causa de uma cena antes dos créditos, de alguém se deitando no travesseiro podemos ter Diane sonhando com uma versão alternativa sua (Beth) e rememorando sua vida como esta. Em todo caso defender uma das duas versões possíveis só faz uma coisa: Tentar trazer o filme para uma realidade palpável, enquanto na verdade mesmo se não chegarmos a um consenso temos que adimitir que chegamos a uma história una, ao encarar uma das partes como sonho ou tudo como um grande sonho coletivo, talvez das duas personagens. Por isso a tradução brasileira foi tão feliz. Fato é que na minha opinião não se deve submeter o filme a essa realidade, pois ela é imaginária, as interpretações caem nos mesmos lugares: Amantes lésbicas, filme, atrizes, Hollywood como máfia, dá para construir uma história com começo-meio-fim sem ter um ponto específico no tempo, por isso o filme para mim é revolucionário, ele renova a linguagem cinematográfica convencional.
Podemos ter a mesma impressão com Inland Empire? Lógico! Eu acho na verdade que só dá para aproveitar o filme tendo em mente este tópico. O que temos é uma mulher castrada pelo marido, e pelo mundo de aparências que vive, assim como a coelha da série de Tv, ou a moça em frente e tV, a vida destas se mistura nos medos e sonhos de cada: O medo de Nikki possivelmente é o contraste de sua vida a prostituta, que vira em parte do filme, seus desejos mais sólidos são a libertação possivelmente da vida de casada, tanto que partilha com as outras duas mulheres do filme do sentimento de liberdade, ela diz a mulher no começo do filme que não adimite que falem daquel jeito na sua casa, contudo em seus sonhos ela diz coisa pior, e tem desejos de castrar os homens. As prostitutas e outras mulheres são outra personificações de um filme que está explorando a mente feminina entrando nesse império interior. Dá para ver desse jeito e com certeza dá para sentir muito medo do filme, permeado de sustos, e imagem que beiram a feiúra plástica do pesadelo. é notável na minha opinião, mas a mesma coisa que fez aquela mulher no cinema xingar o filme, é o seu defeito... a gama de snrtido é tão ampla, que parece que não tem sentido, e tem que se escavar muito ou fritar o coco para colher as pegadinhas... prefiro ainda o Mulholland Drive.