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domingo, 1 de maio de 2011

Thor – Kenneth Brannagh

 

Thor_Film_Poster3 E não é que melhor do que eu imaginava. Quando assisti uma montagem ilegal apresentada na Comicon do ano passado fiquei com o pé atrás… alias, muito atrás com relação ao filme do Deus Nórdico. Parecia uma história fraca, dirigida por Kenneth que não é um cara de filmes de ação, e o visual me pareceu estranho. Fico feliz de ter me enganado e muito, a historia respeita o original e é muito bem construída, Kenneth fez um ótimo trabalho nas sequências de ação e o visual é realmente estranho mas belo.

A história gira em torno do personagem de Thor no caminho de aprendizado do guerreiro, prestes a ser coroado sucessor do trono quebra a trégua de milhares de anos com os Gigantes de Gelo, como castigo é enviado a uma outra dimensão, a nossa, para aprender a humildade e sabedoria necessária para se tornar um rei e consequentemente um herói. Essa história básica é encarada com bom humor e carisma pelo protagonista, o ainda desconhecido Chris Hensworth, como uma obra trágica de Ésquilo ou Shakespeare. A jornada não é fácil e necessita de sacrifício, além de um romance com Natalie Portman .

Entretanto o “truque” de Thor são seus coadjuvantes e um vilão magnífico, exatamente por não ser um vilão óbvio. Do lado divino, Anthony Hopkins sempre com classe em seus papéis faz um Odin-sábio, Idris Elba com um desempenho vocal ótimo cria um personagem carismático, assim como o quatro amigos do herói com destaque a bela Jaimie Alexander como a guerreira Sif. Do lado humano Stellan Skarsgard faz o sábio amigo e mentor da personagem de Natalie, Kat Dennings traz uma personagem engraçadíssima em cena e parecem estar todos se divertindo com a história. Agora meu destaque vai para o ainda desconhecido Tom Hiddleston, com seu Loki, um dos vilões mais complexos que essa geração de filmes super-heróis trouxe. Sua história é trágica, seu plano não é óbvio e traz muita humanidade a seu personagem: Um ator para se ficar de olho e um vilão, que conforme o easter do final revela, que dará muito trabalho ao Vingadores no tão aguardado projeto.

A fita tem tudo o que uma boa história deveria ter e todas qualidades de uma super-produção com exceção de alguns trajes dos asgardianos que poderiam ser melhorados. Mas no todo THOR é grande diversão e peça chave no quebra cabeça dos Vingadores.

Nota 9/10

segunda-feira, 5 de julho de 2010

CACHALOTE, – Rafael Coutinho & Daniel Galera

 

cachalote_Ok.indd “Minha vida acabou. Eu não sou mais nada. A gente para de prestar atenção um instante, e de repente está sozinho (…)Por que ele fez isso? Aquele quarto de hotel apavorante, o toque de telefone… ele disse que me amava”

 

 

O toque de melancolia é que resta ao final da leitura do quadrinho Cachalote, projeto épico que gerou um expectativa grande por reunir um romancista promissor, Daniel Galera do estranho Cordilheira, e o primeiro trabalho de mais fôlego de Rafael Coutinho, que nada mais é do que o filho de Laerte. O livro seria um dos grandes lançamentos do Quadrinhos na Cia, selo da Cia. das letras, na Flip de 2009 Rafael já divulgava que estava quase pronto, três meses depois a Cia. colocou a primeira data de lançamento que furou e só no meio deste mês após várias desventuras o livro chegou as livrarias. Acho que fazia tempo que não via uma badalação tão grande por um quadrinho nacional e devo dizer que é muito interessante, ainda distante de um Jimmy Corrigan, Sandman ou qualquer Will Eisner, mas fascinante.

A trama de Cachalote gira em torno de cinco histórias envolvendo cinco homens em situações distintas: 1 - Um ator de ação chinês se torna o principal suspeito da morte do amigo. 2 – Um escultor durão aceita se tonar ator de um filme sobre um escultor durão. 3 – Um jovem que adora amarrar suas parceiras sexuais encontra o amo em um jovem muito frágil como cristal, literalmente como cristal. 4 – Um executivo é expulso de casa para Paris pelo tio por ter dormido com a mulher dele. 5 – Um casal divorciado conversa nas vias públicas sobre depressão, vida que continua entres outras coisas. Como essas histórias se ligam? Essa é realmente um boa pergunta! O traço naturalista de Rafael é ótimo, as histórias quando analisadas separadamente tem ótimos personagens, ainda assim existe uma sensação de gratuidade dentro da história que não se separa do graphic, porque as linhas que as unem são muito finas e sutis (ou as vezes inexistentes!)

Podemos começar pelo óbvio: A busca por entender em como se foi parar nessa situação, se encaixa no caso do chinês, do executivo, do escultor, mas não encaixa no jovem que está num relacionamento amoroso e no pai divorciado que só quer seguir com a vida. Podemos liga-las pela relação amorosa desenvolvidas no escultor pela rejeição, no jovem pela paixão sexual, no casal divorciado pela relação conjugal, em certo ponto na história do chinês que supõem uma relação homoerótica nunca desenvolvida e no executivo exatamente pela falta desta. Essas ligações são bem tênues e nunca se encaixam totalmente, mas existe um fato no livro que pode ser a chave do enigma: Há uma sexta história que abre a graphic e a fecha, a qual vou narrar brevemente pois parece uma fábula:

Uma senhora muito idosa está grávida e pula na piscina para nadar, parece que vai parir a criança quando um cachalote (para que não sabe, um cachalote é maior baleia do mundo, Moby Dick era uma cachalote albina) aprece na sua piscina!. Ela o acaricia. No final da história, ela e a criança estão na praia, a criança brinca com um cachalote de brinquedo, quando subitamente ela levanta, abraça a senhora se dirige ao mar e não volta mais.

A imagem do Cachalote aparece outras vezes esparsas no quadrinho, contudo essa fabula que parece ser uma chave interpretativa que mostra muito dos ganhos e perdas na vida do ser humano, e as cinco histórias parecem dialogar com perdas e ganhos a sua maneira, mais especificamente no âmbito familiar. Porém essa é só uma hipótese de interpretação, a primeira página do quadrinho remete as últimas da história, o que é velha da cíclico e para convidar o leitor a uma segunda leitura. Eu vou esperar digerir a primeira, depois eu faço a segunda e vejo se alguma coisa mudou. Fato é que tempo não será perdido na leitura deste quadrinho, s combinações possíveis são várias e a melancólica de suas últimas páginas o fazem ficar imaginando o que esta escondido nas entrelinhas.

domingo, 3 de janeiro de 2010

PEANUTS COMPLETO 1950-1952, Charles M. Schultz


Charles Schultz foi um garoto tímido, que era chamado de Sparky, tinha problemas com garotas e muitas inseguranças, demasiadas para sua infância. Aos 27 anos, após voltar vivo da guerra Ele começou uma das tirinhas mais famosas de nossa geração: Peanuts, ou em tradução livre Minduim. Para quem ainda não identificou por ser muito jovem eu estou falando de Charlie Brown e sua turma, e do excêntrico cachorro Snoopy. Ah... Agora sim você se lembra. A tirinha da qual Charlie Brown nasceu, começou em 1950 e a Lpm vai lançar integralmente a partir desse ano (na verdade começou em dezembro) a obra completa e bote livrinhos para isso pois a última tira que Schultz escreveu fora em 1999. Prevejo então uns 24 ou 25 encadernados de capa dura e com umas 300 páginas.
Houve um tempo em que eu ia na Bienal do livro com a referência de duas editoras para achar algo legal relacionado a quadrinhos: Devir na qual havia uma grande mesa de RPG, na qual uns caras estranhos ficavam jogando e meu maior desejo infantil era aprender a jogar e detonar com aqueles nerds, o Magic fazia muito sucesso e ficava umas menininhas uniformizadas demonstrando as cartas do jogo. E havia Panini, que jogava e creio que ainda joga, uma porrada de revistinhas em várias caixas e você tal como garimpeiro de sebo ficava procurando alguma coisa que terminasse aquela história que você tem parado no quarto.
Enfim... Os tempos mudam isso ainda ocorre provavelmente, mas temos o Quadrinhos na Cia. Trazendo Graphic Novels inéditas a solo nacional, o Tin-Tin voltou a ser publicado, Jbc traz um monte de coisa do oriente, a Conrad, compete diretamente com os dois sem se especializar em nada (Eles perderam o Sandman, estou bravo desde o ano passado), a Via Lettera Ana mal das pernas, agonizando diria...e a L&PM a melhor editora de livros de bolso, começa a se especializar em trazer tiras completas. Eles já tinham uns pockets bem legais do Dilbert, Garfield, Snoopy, etc, Trouxeram todas as tiras do Garfield em um senhor álbum, agora prometem Peanuts completo e creio que podemos ficar sossegados. Eles vão editar.
Falo isso, pois os fãs de Peanuts aqui no Brasil são inúmeros. Se você pesquisar no Orkut quantas comunidades existem sobre o Charlie Brown, você se surpreenderá, sendo que a que eu mais gosto é “Eu tenho complexo de Charlie Brown!” Bem eu também tenho! Se os mais novos só se lembram do Snoopy, essa publicação cronológica é fantástica pela riqueza que ela contém. Desde a primeira tira sentimos o porquê de ser ta revolucionária. Charlie Brown passando e Sermy comentando sobre o “bom e velho Charlie Brown”, frase que o seguirá sempre, para no último quadrinho ele completar. “Como eu o odeio”. Essa maldade no mundo das crianças é a tônica das primeiras histórias, o universo adulto retratado nas figuras de Charlie, Shermy, Paty e Violet é o que se seguirá sempre em todas as transposições. Charlie Brown usa terno e roupas estranhas, discute com as personagens assuntos referentes ao amor, se revolta, amarga seus fracassos ao mesmo tempo que come tortinhas de lama, brinca com os amigos e vai crescendo conforme o tempo passa.
Nesse volume temos os primeiro balões de pensamentos do Snoopy, o aparecimento de Schroeder (uma criação genial diga-se de passagem), a primeira aparição de Lucy ainda bebê e de seu irmão Linus. Mas escolho como o principal momento as série de tiras que Charlie fala, olhando diretamente para nós, “Eu não agüento mais!!!!!!!!!!!!!!!!”. Esses momentos é o que tornam a tira um clássico. Dentro dos quadrinhos o menino Charlie Brown é o melhor representante da teoria mal estar na modernidade que começa em Baudelaire e ainda é visitada por Zygmaunt Baumann. Um dos motivos de sua popularidade é essa depressão constante ao qual ele se lança e que é tão similar ao que se realmente sente nesse mundo pós-moderno. O mais interessante é ver como a tirinha vai tomando a cara desde os primeiros quadrinhos em que Cherry e Paty apareciam mais, a partir da 24ª tirinha é que começam a se centralizar na figura de Charlie, já ao final do volume notamos como as crianças cresceram um pouco, outros personagens foram introduzidos e uma certa constância nas pequenas histórias começa a transparecer e dar uma personalidade a estes. Exemplar obrigatório na casa de qualquer fã de quadrinhos.

domingo, 27 de dezembro de 2009

JIMMY CORRIGAN – O MENINO MAIS ESPERTO DO MUNDO, F.C. Ware.



Jimmy Corrigan é um homem de 37 anos, castrado emocionalmente, inseguro de tudo, vive encolhido em si mesmo e telefona para mãe todo o dia. Um belo dia ele recebe uma carta de uma pessoa que alega ser seu pai e o convida para passar as festas de final de ano com ele, para eles finalemnte se conhecerem. Jimmy vai e descobre um pessoa da qual ele não tem nada em comum e esse encontro relativamente curto vai ser o primeiro e o único, conforme a capa nos informa. Essa é a história do quadrinho em seus termos gerais, contudo sua constituição é a mais complexa possível, elaborada a enésima potencia nessa obra que é considerada o Ulisses do quadrinho.

O que pode afastar um leitor mais acostumado com o selo DC/Marvel de agilidade de histórias mensais, mas deve agradar o nosso público adulto de graphic Novels. Jimmy é um quadrinho para poucos, a realidade se confunde com o sonho, a imaginação se sobrepõem por vezes e você não distingue o que é realidade e o que é a cabeça do protagonista. Há explicações técnicas e maquetes para serem “feitas” pela e a história também abrange boa parte da vida de Jimmy avó no começo do século, e do Jimmy pai em seus anos de juventude. Há algumas observações sociológicas a cultura americana e uma grande análise do preconceito racial dentro da estrutura da obra. Ainda sobre a estrutura é um eterno vai e volta ao passado que ainda fragmenta a narrativa.

A primeira barreira a ser transporta é um prólogo como bula d remédio que ensina como ler o livro que tem em mãos. Escrito como se fosse uma bula de remédio, prepare-se para ficar uma boa meia-hora om as vistas juntas para entrar na narrativa levemente engraçada de F.C. Ware, que contém algumas críticas deliciosas a imagem dos quadrinhos atuais e que encontra sua força não no tom cômico das atitudes dos Jimmy's, um patetismo que leva a uma profunda melancolia deste indivíduos fechados em si mesmo.

Sobre estes indivíduos é que se centra a totalidade da obra, uma vez que a multiplicidade de Jimmy's torna o título ambíguo. O jimmy atual não é retratado com um menino, apesar de se tornar claro que ele é aquele adulto que regrede a infância com muita facilidade. Ele simplesmente ignora todas as barreiras da vida adulta, a emancipação e falta de interesse em relacionamentos são os mais gritantes, assim com sua carência paterna que o força a ir em encontro ao seu pai biológico. O outro Jimmy, que é seu avó natural também, tem boa parte da história para ele e sua similaridade com o protagonista não é mera coincidência, as carências afetivas amorosas, a insegurança perpetua e o relacionamento conturbado com o pai são o drama do Jimmy de 1900, um espelho da situação atual, que demonstra que os males de uma família são eternos;

Por fim, sobretudo, Jimmy Corrigan é um livro sobre os relacionamentos humanos. O detalhismo de sentimentos e ações é incrível, o desenho que se centra só nos protagonistas é belíssimo, uma explosão de cor que torna os temas ainda mais pesados pela simplicidade dos traços, mas a parte imaginativa de sonhos e reflexões, tornam o livro um objeto de estudo da psicanálise e suas interpretações são diversas. Um livro sobretudo fascinante e uma história fantástica.

domingo, 29 de novembro de 2009

ENTES QUERIDOS, de Neil Gaiman


Delírio: “(responsabilidade) é mais que isso. As coisas que a gente faz criam Ecos. Tipo, se você para na esquina e admirar um relâmpago em igue-zague...zap! Por um tempão e coisas vão para nessa mesma esquina e olhar pro céu sem saber o que estão procurando. Alguns vão enxergar um relâmpago-fantasma. Outros podem até ser mortos por ele. Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade.”


Penúltimo capítulo da maior de todas as histórias em quadrinhos, ou podemos dizer que é efetivamente o último, pois o álbum seguinte “Despertar” em minha opinião é muito mais um prelúdio pra fechar as pontas soltas, em todo caso é o maior e mais emocionante, desfecho perfeito para uma história perfeita.
Para os mortais que não conhecem Sandman, esta foi a série que revolucionou os quadrinhos adultos da Vertigo entre 1987-93, publicado esparsamente no Brasil pela Globo somente suas edições em brochura dão conta da tamanha genialidade em se fundir cultura pop, erudita, mitologia grega, nórdica, religião, história e muitas outras áreas em torno de Morpheus, ou Sonho, ou Sandman, ou moldador. O senhor dos sonhos. Preso por 80 anos, descendo ao inferno para procurar a amada, em contos curtos em que encontra William Shakespeare, procurando o irmão desaparecido, Destruição. Todas as suas histórias mostravam um pouco do mundo obscuro e como este afetava nossas vidas. Sempre disse que não era necessário ler na continuidade para entender a história, o que realmente é verdade, mas ler os álbuns na sequência te dá uma noção d totalidade que não pode ser substituída. Uma prova disso é que aqui ele vai fechar tudo que já aconteceu nos 60 álbuns anteriores.
Para começar a história é o caos: uma criança é raptada e sua mãe entra em desespero, Loki perambula por nosso mundo fazendo vítimas, Delírio procura seu cão, Nuala volta ao reino dos elfos, Morpheus está deprimido pois no álbum 7 (Vidas Breves, fantástico também) ele matou seu filho. Tudo isso começa a interseccionar até as Fúrias, ou Bondosas (Kindly Ones no original o que, infelizmente, perde seu duplo sentido em português) aparecem para exigir vingança de Morpheus e não deixaram pedra sobre no Sonhar, ou sonho sobre sonho. As Fúrias são as justiceiras e nem mesmo Morpheus tem mais controle sobre seu reino, o cerco se fecha sobre ele até a única opção para salvar os habitantes de sua terra e viajar as fronteiras do pesadelo para enfrentar as Benevolentes, e ,pasmem, Matthew vai junto.
O maior álbum, nesse ponto é repetitivo falar como ele constrói bem as história, mas seria fácil perder a mão com tantas coisas acontecendo e ele não perde, e um final digno de tudo que foi proposto por aqui. No fim após tantas cenas desconcertantes de belas, como um bebê sendo atirado no forno ou último diálogo de Sonho com sua irmã, Morte, o que álbum nos mostra são as diferentes relações entre seus personagens e a família e como sacrifícios tem que ser feitos em nossa existência. E quase esqueci de falar O melhor álbum.
Pena não ter nas HQ's de banca atuais uma série tão forte e desconcertante como esta foi no passado, lógico que há coisas muito boas com Authority, mas ainda parece que falta algo para se tornar inesquecível. Mark Millar que me desculpe, mas não cega perto do Gaiman fez como este personagem. No momento este álbum está esgotado, a Panini relançará desde o começo ano que vem a série completa, o que é muito bom pois não será perdida para gerações futuras, a editora diz que serão edições definitivas. Não sei como melhorar essa edição da Conrad para ser bem sincero, na dúvida se você quiser acompanhar a saga de Lorde Morpheus consiga este da Conrad, que é uma edição extraordinária. Fica a dica, como sempre, mas no caso desse vocês tem que conhecer!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

UMBIGO SEM FUNDO, Dash Shaw


Se Retalhos é o quadrinho perfeito para fazer alguém que subestima quadrinhos a se interessar, Umbigo sem fundo é quadrinho para afastar alguém devisado. Longe de ser ruim, é uma história bem simples retratada de maneira complexo pelo jovem Dash Shaw, cujo trabalho também pode ser conferido em www.dashshaw.com, em suas hq's digitais.
Você é lançado de maneira analítica a vida dos Loony, Malucos em inglês, um família que olhando atentamente é muito parecida com qualquer uma. Após um breve passeio naturalista sobre a vida da família, vamos uns 20 ou 30 anos para frente quando as crianças estão grandes e os pais já são avós, para em uma reunião de família ser anunciado a separação do casal que está junto a 40 anos. Cada filho pira de sua maneira, o mais velho realmente surta o cabeção revisitando o passado tentando achar uma explicação para o que ocorre entre o pai e mãe. Claire, a do meio, não dá muita bola a notícia, ela mesmo já se separou (e tudo indica que não superou)e tem que dar atenção a sua filha que sofre as inseguranças da adolescência, mas a melhor história é a de Peter, retratado como um sapo, ninguém nota nele, tanto é que ele acaba se envolvendo com uma moça que acaba de conhecer ao invés de ficar na casa de praia da família. Segundo ele é o “clichê o caçula, que não se encaixa em nada, parece um sapo estranho na família”, o que é genial do ponto de vista formal. Alias a forma é tudo nesse imenso graphic novel de 790 páginas, temos páginas em branco, a descrição de sensações, quadro a quadro com uma minuciosidade incrível, cartas que aparecem no meio da narrativa, incluindo um criptograma e uma conclusão aberta a discussões.
A forma complexa parece uma chave de leitura, pois em sua constituição tudo é explicado em Umbigo sem fundo (alias, você vai ter que decodificar o criptograma para entender o título), a pessoa senta e há um balãozinho escrito (senta), Peter dá os ombros e está escrito (encolhe), assim do começo ao fim, contudo isso é um contraste com as relações humanas que o livro desenvolve, todos estão procurando maneiras de se relacionar, Dennis procurando a relação dos pais no passado, Claire e a filha, Peter e a estranha da paia, Aki (mulher de Dennis), com dennis e o bebê, os pais que enceram um relacionamento sem muita explicação. Tudo isso fica no limbo, porque é inexplicável, e o traço naturalista e minimalista de Dash, acentua essa sensação de estranheza que a história causa. Esse, eu repito, não é uma leitra fácil, a princípio, e uma história que pode deixar um leitor desavisado com uma grande interrogação ao final de sua leitura, mas encarando o monstro, pode-se discutir os muito aspectos da vida que esse texto porporciona.

terça-feira, 9 de junho de 2009

RETALHOS, Craig Thompson



Poderia um quadrinho ser complexo o suficiente e emocionante o bastante, para ficar na memória tempo bastante para atrair até aqueles que não gostam do gênero? Sim atualmente isso é muito fácil! Principalmente com programas que resolveram ver as burradas da nossa Secretaria de Educação e apresentar uma obra por programa, dito jornalístico, que não deveria ser adequada para o público ao qual ela foi destinada pelo governo.
É a hora da digressão, e eu nem cheguei no assunto principal: mandar o Dez na área, um quadrinho adulto de sátira de futebol para a 2ª série/ 3° ano é burrice! Os jornais começarem caça as bruxas é esperado, tanto quanto quando eles fazem merda. Triste fim do Pequeno menino ostra, é um livro de poesia lindo, para o público juvenil, principalmente por que é do Tim Burton e tem aquele apego e tudo mais.... mas, tudo bem! é bom discutir o que faz bem para a escola e o que não faz! Agora sentar o pau em Um contrato para Deus, é asneira!!! é forte sim! é para o público adolescente? Pode ser, eu acho que não .Tem que ter na escola? TEM! Esse é marco histórico da Hq's como querem recolher das escolas e formar acervo de qualidade? É tirar os livros do Zola, por que tem descrições naturalistas de sexo! Alias Capitães da Areia é mais forte que o Dez na área e se tem que ler no ensino fundamental.
Em todo caso, o que os jornais fazem é um preconceito enorme com os quadrinhos e é bom porque assim haverá mais discussão e mais gente vai se interessar!
Mas venho por meio desta falar deste quadrinho ao lado, lançado mês passado aqui no Brasil, é uma das melhores obras em quadrinhos que eu li nos últimos anos, tem uma sensibilidade incrível, e é muito bem desenhada. Autobiográfica ela nos conta a história de Criag no momento de decisão de sua vida: Sair do colégio e ir para o seminário, ou seguir a vocação de desenhista indo contra as opiniões da vizinhança que querem ele se torne padre. Nesse momento a repressão religiosa é muito grande, seu medo de pecar é intenso e sua vida não tem nenhuma graça a não ser se comportar e esperar que a vida se decida por si só. Até que acontece aquilo que aquece os corações e reanima a alma: O amor. Ele se apaixona por uma menina no acampamento religioso e tudo o que acreditava vai ser posto em cheque quando ele for passar quatro semanas na casa dessa “amiga”, que tem os pais em processo de divórcio e dois irmãos adotivos com Sindrome de Down, seu único momento de paz é quando está com Craig, dormindo junto em um cobertor de retalhos que ela fez para ele. Em meio a isso a lembrança do irmão menor sempre volta a sua cabeça, como ele dividia um cobertor e a cama com ele quando era pequeno, como os pais infligiam maldades aos dois e como ele mesmo não foi um bom irmão. Tocante é o mínimo que posso dizer, a maneira como ele vai mudando de pensamento durante o inverno é brilhantemente ilustrada em seus momentos finais e o melhor é que isso é só um momento, o amor que ele sente agora não vai continuar a não ser a lembranças que a colcha lhe traz, também são as lembranças que unem os irmãos já quando adultos.
Merece ser lido por todos que gostam de pensar, e deveria ser adotado nas escolas como grande obra da nona arte, mas não vai, pois tem uma cena de nudez e os valores não são os mesmo que o Estado quer passar adiante. Uma pena.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

LITERATURA: NOVA YORK, Will Eisner



É oficial, estamos vivendo a era de ouro dos quadrinhos, embora tenha começado nos anos 80 quando a Santa Trindade revolucionou o gênero inovando o gênero dos super-heróis ao mesmo que o destruíra por completo (Alan Moore), ou criando um novo estilo ao combinar mitologia, cultura pop e horror (Neil Gaiman), mas a grande inovação veio através do cronismo social e da carga dramática que Will Eisner trouxe ao conceito.
A Cia. Das Letras lançou este mês um novo selo chamado Quadrinhos na Cia. Onde estive presente para o lançamento e pude ver como a evolução da nona arte está em pleno progresso. Se cresci onde o ideal de quadrinhos nacionais era a Turma da Mônica, e a Morte do Super-Homem era o grande acontecimento que todas as bancas brandavam pela esquina em formatinho e Sandman só era visto em sonho, no novo milênio a Turma da Mônica virou um mangá adolescente onde Cebolinha e dita cuja, finalmente ficaram, se vão ficar até “os finalmente” é mais improvável, mas já uma evolução, e me lembro claramente quando o formato americano finalmente substituiu aquele formato feissimo, e os nomes citados acima, na realidade presente não são ilustres desconhecidos. Neil Gaiman atraiu milhares de fãs na última Flip, incluindo a minha pessoa e ficou autografando por 5 horas e meia e, novamente, eu estava lá, FORAM 5 horas meia. Agora uma das melhores editoras ancionais, resolve entrar com força nesse mundo e carro chefe é o Nova York.
Se adoro o trabalho de Moore antes mesmo de saber quem ele é, e o Neil Gaiman sempre me fascinou, devo confessar que esse é o primeiro Eisner, não me sinto a vontade falar como se conhecesse há muito tempo, mas vou falar que não poderia haver caro chefe mais poderoso que o livro em destaque, que é uma compilação poderosa de 4 Graphic Novels (Termo criado por Eisner) durante a década de 80: Nova York – a vida na grande cidade; O Edifício; Tipos Urbanos; Pessoas Invisíveis.
A crônica urbana é o centro do poder de Eisner, a maneira como ele condensa em poucas páginas situações cotidianas, por vezes irônicas, por vezes trágicas e sempre esmagadoras, é incrível do ponto de vista técnico. Seus traços são fortes, ele desenha expressões com um nível de detalhe fascinante mesmo assim elas ficam no meio termo entre uma caricatura e um desenho otográfico, e ainda consegue dar vida ao concreto de suas paisagens urbanas. Suas histórias são microcontos, em um ponto temos um bêbado patético versando sobre o amor, um homem que sente tantos cheiros que não sente o incêndio em seu apartamento, que estão na ordem do absurdo do sátira engajada, ao mesmo tempo nos deparamos com situações cotidianas de ver estranhos no metro e imaginar todas uma história com a pessoa, mas a grande força do livro vem das histórias fortes que nos botam para pensar como a de uma mulher que alimentava seu filho com a água do hidrante, até que fecham para sempre a fonte de vida dessa mulher, todos que leem essas duas páginas ficam aterrorizados com a força e esperteza do traço de Eisner.
Nova York – A grande cidade é uma ótima introdução, tem 1/3 do livro inteiro e tem muitas situações diversificadas ainda que organizadas por temas, tem a maioria dos microcontos que citei e em muito quadrinhos não há fala o que é impressionante.
O edifício – é o mais fraco na minha opinião, conta história de um edifício que foi demolido dando lugar para outros da perspectiva d 4 fantasmas que tem suas vidas narradas. Eles nunca fizeram nada na vida de orgulho e padecem ao pé do novo edifício, contudo é a graphic que tem o final mais otimista, talvez por isso eu tenha achado um pouco irreal. Na verdade totalmente.
Tipos Urbanos – é o mais legal, quatro grande blocos de pensamento organizam os contos que tem a narração socióloga de Eisner.
Pessoas Invisíveis – é a história maior, são três personagens que tem diferentes tipos de invisibilidade, e demonstra que o personagem de Eisner a essa invisibilidade, e é totalmente trágico.
Livro ótimo até para quem não gosta de quadrinhos, o que é um preconceito muito besta que cresceu ao ponto de enfiarem um quadrinho adulto na segunda série, com a única justificativa de ser “quadrinho” (????????????). Quadrinho é arte. E duarnte o ano veremos mais grandes obras sendo publicadas. Acompanhem.

domingo, 12 de abril de 2009

10 anos de quadrinhos no cinema!!!







Uma breve história dos quadrinhos como gênero cinematográfico.
Existe um novo gênero no cinema que é o já tradicional filme de super-herói, todo o ano temos um pacote inteiro só de obras saídas diretamente da nona arte, inspiradas ou que utilizam recursos gráficos deste. Este ano já vimos Watchmen, Spirit, e vem por aí Wolverine – A origem; Kick Ass; Dragon ball (que é um mangá, mas vamos enquadrá-lo aqui); Justiceiro – Zona de guerra; e mais alguns outros que não me ocorrem agora.
Me ocorreu escrever essa matéria pois faz exatamente 10 anos que essa febre começou, e seu grau de evolução durante essa década é no mínimo interessante dento da história do cinema como todo, tivemos em uma grande maioria os piores filmes já feitos que estraçalharam grandes personagens do quadrinho e também algumas obras que entraram para a história como grandes filmes.
Vejamos antes de 1999:
O melhor:
Super-homem o filme 1979 – Possivelmente a melhor adaptação feita até hoje do homem de aço, em tempos em que Smallville arrebenta 70 anos de história de Clark Kent é sempre bom rever este filme com tom de fábula e com o Marlon Brando com Jor-el.
Batman 1989 – O filme é um legítimo filme do Tim Burton em que Jack Nicholson rouba todas as cenas do filme como Coringa.
MIB – Homens de preto – ( Primeiro) é completamente diferente do quadrinho da Dark Horse, so contrário de Tartarugas Ninja o fato de virar Comédia até ajudou a melhor o quadrinho.
E eu vou para por aqui pois vou força a barra.
O pior: Capitão América – O filme; Hulk contra Thor(sim, isso existe); Spawn; seriado do Flash; seriado(s) do Super-homem; seriado do Batman; Aço; e outros heróis secundário que não significam nada no mundo atual, ah... eu já me esquecendo Batman Eternamente e Batman & Robin, que mostra simultaneamente como destruir uma franquia e estragar um personagem. Ftao é que em primeiro lugar não havia tecnologia suficiente para fazer o homem-aranha pular de prédio em prédio, ou o Super-homem levantar uma ilha, coisas que eles fazem mensalmente na banquinha mais próxima, e os estúdios não queriam se arriscar a fazer algo que não fosse uma garantia de lucro imediato isso até chegar os X-men de Brian Synger, uma adaptação que a meu ver está bem longe do original dos quadrinhos, mas funcionou como atilho para que diversas outras produções entrassem em pré-produção:
pós – 1999. O melhor.
1999 – X-MEN – História simples de matinê, acertaram no papel do Wolverine com o australiano Hugh Jackman, e um monte de gente foi ao cinema.
2001 – Homem-Aranha – E eles conseguiram fazer Peter Parker virar uma Aranha Gigante pular de prédio em prédio de maneira convincente. Nessa fase as histórias são simples, tentam recriar com veracidade os personagens e conquistar o público.
2002- X2 e Homem Aranha 2 – é o melhor filme dos X-men e do Spider, a trama é emocionante, todos os personagens são bem desenvolvidos e as falhas dos primeiros filmes são suprimidas.
2003 – Hulk – Primeira tentativa de se fazer um filme sério com personagens heróicos, Ang Lee é um Ótimo diretor, Jenifer Connely afunda o filme com uma ajuda do Shrek Digital, mas é vale pela intenção.
2005 – Batman Begins; Sin City; V de Vingança – Pode-se perceber que aqui os enredos começam a se tornar mais interessante. A tentativa de revitalizar o Batman foi bem acertada, principalmente pleo fato de mostrar o treinamento deste para se tornar o vigilante mascarado, quase um filme policial. Sin City é auge estético da transposição, três tramas completamente loucas com toques noir imitando com perfeição a estética de Frank Miller e V de vingaça para mim é a primeira tentativa acertada de fugir da fonte e criar algo novo, quem conhece o quadrinho sabe que a trama é muito diferente, mas acerta em um ponto crucial de qualquer adaptação, que é acertar o espírito da graphic novel. Uma trama de FC com um forte subtexto esquerdista contra o preconceito.
2007 – Persepolis - é uma biografia em quadrinhos, sobre a vida de uma mulher durante os anos de guerra civil no Irã. O quadrinho em si já é muito bom, o filme ao ser feito como um desenho em preto-e-branco tem uma aura de nostalgia poderosa também, seri o melhor filme francê do ano se já não houvesse o La vie en rose.
2008 – Homem de ferro; Cavaleiro das trevas – O primeiro encontrou em Robert Downey Jr. O protagonista perfeito para viver Tony Stark, muito parecido esteticamente com os antecessores Homem-Aranha e X-men, tenta ser uma aventura da tarde para toda a família e agrada, mas importante ainda pois coloca a semente de um grande projeto que é levar os Vingadores para o cinema. O segundo é o melhor filme de 2008, e melhor filme saído dos quadrinhos, mas assemelha-se a uma grande trama policial com direito a vilão psicótico e várias reviravoltas, o filme também tem grande crédito pois destrói todas as convenções dos quadrinhos adotadas até hoje, desde o herói bonzinho até a tradicional mocinha em apuros.
2009 – Watchmen, Valsa com Bashir – O primeiro é cópia frame-a-frame do quadrinhos inadaptável, com direito a nudez frontal, sexo, muita violência e um final difícil de digerir. O multiplot dos anos 90 parece que invade o filme, transformando a trama em algo complexo e cheia de alegorias. O segundo é um documentário filmado como se fosse um quadrinho, não para minimizar o caos da guerra e sim para demonstrar como ela é completmante louca.
Podemos esperar um aumento potencial da qualidade desses filmes, principlamente quando a as tramas de formação se esgotarem e quando outros diretores aderirem ao projeto estético que pode surgir do mercado mais criativo da última década. Imaginem ver um filme decente de Do inferno, ou respeitarem a história da Liga dos Cavaleiros extraordinários, toda a contracultura de The Authority ou ver um filme que realmente explore todo o potencial dos X-men, são muitas histórias que podem virar filme, são muitos personagens interessantes no mundo dos gibis e eu além de fã de cinema, sou há muito tempo um fã de quadrinhos, apesar de suspeito para falar acho que é um futuro promissor para grandes obras como o Dark Knight.