Um novo ano levanta-se a nós apreciadores da arte, em especial, de minha parte, o cinema. Este ano começa com uma pequena avalanche no maior mercado cinematográfico do mundo que ainda haverá repercussões mesmo após seu fim: A Greve dos Roteiristas de Hollywood, que causou ó
adiamento de várias séries, um
Break na
produção de muitos filmes, cancelou a entrega de todos os
prêmios referentes a indústria até o presente momento, e já teve adesões de várias entidades do ramo... ou seja entrou para a história como uma grande crise, que pode até aumentar se os
gringos não tomarem cuidado.
Truffault lá pelo ano de 1959 junto com
Goddard,
Rohmer,
Resnais, e outros lançou talvez o movimento mais importante do século XX para o cinema, que f
oi a
Nouvelle Vague, que teve cópias no
Neorealismo italiano e no Cinema Novo brasileiro, influenciou muitos
diretores, e influencia até hoje, pelo conceito simples de que o grande autor do filme é o
diretor, o artesão que une todas as partes para formar um todo. Isso em contrapartida só aconteceu a meu ver, pelo sentimento contra-Hollywood (muito válido aliás...) que estava se
assumindo como uma grande potência do mercado cinematográfico
atual. Logo devemos lembrar que nessa época o
diretor em Hollywood era somente mais um funcionário a serviço dos grandes estúdios...Victor
Flemming,
Billy Wilder, e tantos outros cineastas tinham nome, mas só porque os produtores criaram suas lendas, se você olhar atrás de um
dvd, de um filme da década de 50 americano, meus
amiguinhos, vocês verão que o último nome sempre será dos produtores.. o tempo muda, a
Nouvelle Vague acabou talvez com o domínio dos produtores em Hollywood. O
diretor ganhou um
status maior, ele pode até ter
salários astronômicos com
Ridley Scott, S
teven Spielberg que simplesmente tem um estúdio para si... agora porque mesmo que comecei com a aula de história?
Ah, sim! A greve. O que sempre me chamou a atenção no pensamento geral é nos perigos que se pode ocorrer ao se colocar o
diretor na posição de Deus, é que muitas vezes se tira o
mérito de uma equipe inteira atrás do resultado de duas horas que nos hipnotiza,
estava outro dia acompanhando um discussão de como
Spielberg era somente um
diretor e
Almodovar um cineasta e a
diferença essencial entre uma coisa e outra eu não havia entendido, mas aí explicaram, que o
diretor somente filmava, e o cineasta acompanhava todas as partes do todo, escrevia os roteiros cuidava da montagem etc... achei um tanto estranho, mas isso também são frutos do pensamento de
Truffault é claro... em certo ponto ele se justifica uma vez que
sempre vemos a mão do nosso
diretor querido em cada filme, mas ainda vemos o usual tema pai-filho em todos os filmes do
Spielberg, mesmo sem ele se envolver no roteiro oficialmente, contudo ele desempenha o papel de produtor então como saber o envolvimento? Assim como em
Verhoven você dificilmente verá um leite-com-
açucar calmo... Não será por isso que ele não se envolveu no
projeto, no final ele escolhera o que fazer, em outro lado eu acho que grandes filmes saíram de grandes roteiros, acho que Charles
Kauffman é o grande astro em
Brilho eterno de uma mente sem lembranças e Adaptação, e
ele é um roteirista, então devemos ter cuidado ao se elevar as pessoas, muitas vezes é só um
ator que carrega o filme com Uma Mente Brilhante, outras é o roteirista como por exemplo Uma mente sem lembranças.
E estamos vendo essa visão Anti-
Truffaultiana em
ação no momento, afinal de contas temos uma greve de roteiristas que abala toda a comunidade cinematográfica, o que mostra que o filme no final não é produto de uma mente só, mas sim de uma
coletividade que o torna provavelmente a arte mais complicada já realizada,
pois envolve todos os
estímulos e todas as técnicas.
Contudo temos grandes
espectativas para o ano que já está aqui.