quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ervas Daninhas, Alain Resnais

Ervas_Daninhas Ao final da projeção a plateia já deveras atordoada com o rumo dos acontecimentos é brindada com um sequência de passeios com câmera até chegar no rosto de uma garotinha, que por sua vez faz a seguinte indagação “Quando eu for um gato posso comer comida de gato?”. E o filme acaba e nós ficamos no vácuo tentando localizar onde isso se encaixa na história que acabamos de ver. Lógico que há pessoas que vão sair irritadas do cinema, outras vão sair como se tivessem descobrindo algo mas não soubessem exatamente o que é, e há pessoas que vão se divertir bastante com as situações absurdas do filme. Atualmente aos 87 anos o enfant terrible do Nouvelle Vague continua a chamar as pessoas a sala de projeção sem ter um estilo específico e sempre surpreendente.

Dentro da obra diacrônica de Resnais esse é uma continuação temática de seu último trabalho Medos privados em lugares públicos,  vide que a matéria prima do filme são as intricadas relações humanas, contudo é totalmente diferente em sua concepção, se em Medos o maior charme está nas histórias que se entrecruzam em uma Paris paralisada com a Neve, o roteiro de  Ervas Daninhas é extremamente simples sua execução que é complexa.

Marguerite (Sabine Azéma que também estava em Medos Públicos) é uma mulher estranha que tem sua bolsa roubada, Georges Palllet (André Dussollier, perfeito) acha sua carteira e partir daí começa um caso de amor a primeira vista, ou a primeira neurose vide que Georges é outra pessoa muito estranha. Parece simples mas não é, Resnais destrói a primeira premissa de amor à primeira vista quando ele só se encontram no terço final do filme e Georges pergunta para riso geral “então você realmente me ama” . A relação desenvolvida antes disso é quase uma psicose de Georges em perseguir Marguerite no telefone, espionando-a e imaginando em sua própria solidão o porquê dela não querer conhecer a pessoa que encontrou sua carteira. Depois que ele para de  importunar-la é a vez dela de se sentir angustiada com a solidão que a falta dos telefonemas de Georges. (?). Paixão? Loucura? Psicose? O fato é que um relacionamento estranhíssimo.

Junte-se a isso o fato de termos vários gêneros dentro do filme do romance, a sátira deste, temas noir, comédia de humor negro e um desempenho estrondoso dos dois atores principais, aliados a câmera nada simples de Resnais que filma os dez primeiros minutos sem mostrar o rosto dos personagens, usufrui de câmera lenta, sátiras do cinema e joga ervas daninhas em nossa cara toda vez que a história toma outro rumo. O enfant terriblé! Se à algo constante no filme é seu clima de surrealismo que só se torna perceptível no final quando você já está atordoado, mas pontua o filme desde de seu início (Ele começa com uma grande descrição de pés), pronto a salada está completa.

Outro ponto importante da película é o fato de escutarmos o pensamento dos personagens e como sas neuroses são pautadas por coisas sem importância, ou mais especificamente por besteiras. Georges começa sua perseguição pelo fato de Marguerite no telefone não ter querido conhece-lo pessoalmente, Marguerite por sua vez vai atrás dele primeiro por querer saber se ele está bem, depois por ele não estar mais reparando nela. Esses pensamentos de situações pequenas que se desenrolam em tempestades interiores talvez sejam as ervas daninhas do ´titulo, aquilo que começa pequeno e depois é calo no cérebro nos incomodando de maneira importuna. Assim também é a última frase do filme, que por parecer não ter lugar dentro da história fica remoendo em nossas mentes. Um presente de Resnais para seu público? Talvez. Com 87 anos e ainda um enfant terrible.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SHERLOCK HOLMES, Guy Ritchie

sherlockholmes "Elementar meu caro Watson" não é proferido nenhuma vez, Sherlock arrebenta a cara de dois gorilas logo no início da película e sua arrogância e sarcasmo pululam nesta encarnação do personagem por Robert Downey Jr. Com certeza esse não é o Sherlock Holmes que você conhece muito menos que eu conheci, Entretanto quem se aventurou a conhecer a obra original de Sir Arthur Conan Doyle se alumbrava ao descobrir um Sherlock também diferente das transposições cinematográficas. O Sherlock de Doyle é muito mais introspectivo, usa drogas e está muito mais para o nosso tradicional anti-herói do que para o símbolo de boas virtudes, mas o que podemos esperar de alguém que se diverte memorizando cada tipo diferente de terra nos arredores de Londres?

Talvez por isso essa adaptação fosse tão aguardada, uma promessa de fazer um filme mais próximo do ideal do detetive estranho criado há dois séculos e também porque o último grande filme com Sherlock Holmes do qual me lembro se centrava em sua infância e passa na Sessão da tarde (logicamente picotado), contudo fora uma superprodução para a época e uma reinvenção inteligente do personagem, o filme foi o Enigma da pirâmide. Desde então não havia uma superprodução como a que foi designada para este filme que, alias, já está pronto há mais de um ano.

A abordagem segue uma fidelidade estrutural na obra de Doyle e em certos personagens, mas com a já habitual necessidade de adaptar a novos tempos (e leiam-se aí adolescentes), o filme ganhou ares mais modernos em seus protagonistas, e em especial no personagem de Sherlock que afasta a imagem do detetive velho, fechado e anoréxico e entra o galã da meia idade redescoberto Robert Downey Jr, forte e sarcástico. As mudanças já eram previstas na pré-produção sendo que quem abraçou o projeto foi o bad-boy Guy Ritchie, que para quem não conhece é o ex da Madonna e é o Quentin Tarantino inglês, o que já demonstrava o caráter dirty real estético e ação incessante que o filme iria ter. Quando saiu o trailer já se comprovou tudo o que era pensado a respeito, Sherlock Holmes estava de volta em grande produção e em um filme que vai reintroduzir o personagem na cultura pop. Mais afinal de contas, o filme é bom?

Sim ele é. Temos três situações distintas: Se você é um ignorante no assunto vai encontrar um filme legal em que vai se divertir bastante com a história e química entre os dois personagens. Se você conhece um pouco do universo e sabe que Baker Street não é uma novela tosca do Jô Soares, e sim a rua em que Sherlock incomoda a todos com seu violino, mais precisamente no 221b, você vai gostar de ver a nova versão e ver a série de citações e homenagens ao universo de Sherlock, estão todos no filme até mesmo o Moriarty. Se você é do Hard core fan-club (e eu não sabia que existiam tantos), você vai achar que faltou algo no filme, e será o Sherlock Holmes dos livros, pois a transposição interessante de Downey se parece mais com ele do que com o personagem clássico.

A trama é relativamente simples, sendo que as complicações estarão ligadas aos mistérios do sobrenatural que Lord Blackwood (Mark Strong, em papel bem simples) expõe na tela. Sherlock já começa indo atrás do vilão e o prendendo por múltiplos assassinatos envolvendo magia negra, após a morte deste por enforcamento o mistério continua, pois ele volta dos mortos e os assassinatos continuam, aumentando sua fama e o medo em Londres. A isso se junta os problemas de relacionamento entre Watson (Jude Law muito bem) e Holmes, já que Watson está partindo para a ventura do matrimônio e Irene Adler (Rachel MacAdams), o grande amor da vida de Holmes reaparecendo o que significa mais problemas.

É um filme que se centra muito mais no contraste entre a ação ininterrupta e a comédia inteligente de Ritchie, que não consegue fazer nada próximo do drama, mas não passa disso também. Creio que seu único defeito está na parte estrutural, que ironicamente foi a transposição mais fiel da estrutura dos livros, pois quando chegamos ao final da projeção em menos de cinco minutos Holmes resolve todos os mistérios do Lord Blackwood, em uma verborragia à la Robert Langdon, que pode deixar muitos espectadores, com o olhar “what a fuck?”, pois as resoluções são bem inventivas. O que funciona muito bem no livro, no cinema fica maçante, porém é só um detalhe. Vale o ingresso para pura diversão.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

UM SONHO POSSÍVEL, John Lee Hancock

      o_lado_cego   Deus do céu. Sandra Bullock vem forte para  o Oscar!!!!! Seu papel não é algo extraordinário, mas a boa imagem do filme, seu sotaque e uma performance bem diferente do usual devem garantir uma indicação para a bela quarentona. Se a Julia Roberts conseguiu, torçam os dedos.
         O filme no caso ainda não foi lançado no Brasil, contudo como faço parte da Associação Estrangeira de Hollywood eu já vi rá.rá.rá. Pelo menos o exemplar que vi saiu desses DVDs que são distribuídos para eles, mas não digo como tive acesso a isso, pois não vou queimar minha fonte. Em todo caso resolvi assistir este dessa forma, pois de acordo com o histórico de filmes que tem o futebol americano como centro em território brasileiro, não vai importar que ele não se centre nisso, que seja para toda a família e que seja um filme emocionante de amizade... Ele vai passar direto por nossos cinemas! Se você por acaso ficar com vontade de assistir não espere uma segunda chance quando ele sair.
         A história é bem básica: Uma mulher rica e de vida totalmente resolvida se depara com o grande moço Michael, que apesar da idade avançada esta nas primeiras séries do Ensino fundamental americano, ela acaba o ajudando por uma noite pois ele não tem onde ficar, o que acaba virando uma temporada inteira, um apego com a família e uma adoção legal por parte da família daquele menino que tinha tudo para ser mais uma vítima na guerra e gangues, ou alguém sem futuro nas periferia das grandes cidades americanas. Ele se dá bem com todos os membros e devido ao seu tamanho elevado, seu instinto protetor e bom coração a família o incentiva a entrar para o esporte, mais especificamente ao futebol americano. Por que isso? Para quem não sabe não existe USP,Unesp, PROUNI ou qualquer tipo de faculdade gratuita nos States. Contudo a melhor maneira de não pagar os estudos universitários é entrando como atleta da universidade. Milhares de bolsas são distribuídas para os melhores nadadores, jogadores de basquete e tudo que possa existir competição. Depois ninguém sabe porque os caras ganham quase tudo nas Olímpiadas! Não pense que o mérito por intelecto é jogado fora, há bolsas para esses alunos também, contudo é muito interessante que Universidades avaliem o desempenho  poderiam ter mais chances nos estudos, enfim...
        A personagem de Sandra tem um gênio mandão que combina bem com a atriz. Acho que nunca fez um papel dramático que caísse tão bem (Alguém assistiu aquela abobrinha do 28 dias?), lógico que o cômico será pelo resto da eternidade a Miss Simpatia, mas aqui ela sustenta boa parte do longa sozinha. Toda essa caridade gratuita que vai se desenrolando na tela é porque ela põem a veracidade na personagem, o roteiro não explora as contradições que poderiam existir ou conflitos que poderiam recorrer. O filme é feliz, você fica torcendo para que todo mundo fique com o sorriso no rosto no final e saíam abraçados. Ao final da projeção levantam uma questão que poderia tornar a coisa muito mais complexa, mas com mesma sutileza que ela é introduzida, a Sandra manda para escanteio antes que o drama realmente chegasse e você saí feliz do filme. Bem legal, há um certo exagero nas indicações que ela anda recebendo mas é indiscutível que ela é a alma do filme.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

ABRAÇÕES PARTIDOS, Pedro Almodovar

 

   abraços partidos

     Existem muitos casos de amor platônico entre o diretor e seus atores: Woody Allen e Diane Keaton, Ingmar Bergman e Liv Ullman, Alfred Hitchcock e Grace Kelly, Felini e Marcelo Mastroianni. Atualmente podemos dizer que as obsessões estranhas de um certo diretor espanhol começaram a se centrar na esbelta figura de uma musa clássica: Penélope Cruz.
    Não por menos. Penélope é a diva não só de Almodóvar, mas de nove entre dez indivíduos do sexo masculino, e para certas mulheres também. Em Volver seu trabalho tinha sido nada menos que extraordinário, em Vicky Cristina ela roubou boa parte da projeção para ela. Se no primeiro a protagonista era sua personagem durona e sentimental, e no segundo a coadjuvante do filme de Woody é essencial para as múltiplas confusões da trama , nesse novo filme de Penélope a atenção é só pra ela, gira em torno da obsessão de um diretor por sua protagonista. Nada mais metalingüístico do que uma declaração de amor escancarada por parte de Almodovar.    Talvez a palavra para descrever este filme seja esta: a metalinguagem a que se propõem. Um diretor nos tempos atuais ganha a vida escrevendo roteiros. Seu drama é a cegueira que o atingiu em algum ponto de sua carreira e o impede de continuar dirigindo, tanto que adota um outro nome, um pseudônimo que utilizava e encarnou em seu verdadeiro ser. Mas nada de coitadinho, ele se vira muito bem sem a visão. Alias começa a projeção levando uma loiraça para a cama só com a lábia.
    A morte de um empresário o faz relembrar a história da realização de seu último filme, um fracasso de público e crítica e a figura de Penélope, atriz principal do longa casado com um magnata poderoso e obcecado por ela. Penélope e o diretor se envolvem em um tórrido caso amoroso que será a tragédia que o longe sugere. Nada de mais no roteiro, porém as vezes em Almodóvar o que basta é sua realização. As cores fortes, característica principal do diretor estão em sua força máxima, e em cada close diferente em Penélope encontra um declaração de amor não só à bela espanhola, mas à varias musas do cinema como Marilyn, Audrey (principalmente está), Grace Kelly e a lista é extensa. Nada mais lógico, dentro da estrutura ao que se propõem, pois carrega consigo um certo poetismo vide ao fato de Mateo não enxergar, então cada cena de sua lembrança é construída para entrar na memória.
    Ao final do filme suas homenagens chegam ao máximo, ao fechar a cena com a despedida de Mateo à sua amada, um abraço de 17 anos que só se completa agora. E Mateo tem a chance de finalmente montar o filme que queria realizar, mesmo cego ele recomeça o trabalho e a cena que nós vimos ser realizada  trilhões de vezes, aqui parece montada sem os erros e sem a trama ao qual ela se constituiu e o resultado é uma cena engraçadíssima que é nada mais que um homenagem ao seu próprio filme de 89. Mulheres à beira de um ataque de nervos. O filme que revelou Almodovar ao mundo.
    Bem... Em um ano de egos pequenos como um filminho de Tarantino em que ele encerra a projeção dizendo que fez a obra-prima, Almodovar homenagear a si mesmo faz parte da festa. Com certeza esse não é o trabalho mais significativo de Pedro, mas com certeza deve ser o mais pessoal, e se você não liga para nada disso, temos Penélope, que é motivo suficiente para qualquer um.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Temporda de premiações no cinema americano

          Cinéfilos de plantão a temporada de prêmios começou. O globo de Ouro é daqui alguns dias. E alguns nomes já vão pintando nas listas de apostas. A categoria Drama é um embate pesado entre Preciosa, Guerra ao terror, Amor sem escalas, Avatar e Bastardos Inglórios. Em comédia parece ficar mais fácil entre o novo cult 500 dias com ela e o bem bolado Julie & Julia. Tem It’s Complicated correndo por fora, Nine sendo o trofeu de maior projeto ambicioso e fracasso de crítica de todos os tempos (Rob Marshall resolveu mexer no 8 1/2 e transformar em comédia musical, deve ter ficado interessante mas…) e Quando beber não case como a coisa mais estranha da década no prêmio da Associação estrangeira de Hollywood.

            A premiação do Sag seguiu o mesmo caminho, e lista do Producers awards saiu esses dias. Normalmente ela não difere muito do Oscar, mas eu achei estranhíssima:

Melhor filme
Avatar – Ganha cada vez mais força. Citando o blog da Ana Maria Bahiana. Cameron tem o dom de fazer o filme certo, na hora certa.
Distrito 9 – Um ano de Fc finalmente. Eu achei fantástico, mas creio que não tem força para ganhar premios do circuito artístico.
Educação – Ele chega devagar e vai conquistando mais fãs.  O filme retrata a relação entre uma adolescente e um homem muito mais velho
Guerra ao Terror – Leiam na outra página. O iraque sem enfeite. Já nas locadoras.
Bastardos Inglórios – Fantástica fabula. Tem um textinho meu assim que saiu.
Invictus – é clint. Vou ver em breve aguardem.
Preciosa – Esse ta aí em baixo. Desde de Sundance só ganah prêmios. Até Mariah Carey
Star Trek – Estranhíssimo. Sou fã, mas por essa eu não esperava.
Up - Altas Aventuras – Lindo! Para crianças de 1 a 100 anos.
Amor sem Escalas – Queridinho da critica. George Clooney viaja e foge da vida e das relãções humanas.

                  A lista do Oscar deste ano sai mês que vem e dessa vez vai ter 10 candidatos (na verdade estão retomando uma tradição da década de 30) possivelmente vai ser bem parecida.

               Mas tudo isso é para falar que esses filmes devem invadir nossos cinemas em alguns dias ou semanas. Como eles guardam todas as pérolas para essa data fiquem atentos, também para: Onde vivem os monstros de Spike Jonze, fantasia dark for kids. A estrada, outra atuação perfeita de Viggo Mortensen, baseada numa obra perfeita de Cormac McCarthy. A Single man, Colin Forth em um papel tenso de um homem que perdeu seu amor de 16 anos, A Serious man, Os irmão Cohen judiam do protagonista desta nova obra, Uma vida interrompida, Peter Jackson parece ter errado a mão mas veremos… Dr. Parnasus e a nova loucura de Terry Gilliam e o próprio Nine para ver até onde Rob Marshall foi reinventando Fellini.

Preciosa, de Lee Daniels

preciosa 

    Este filme foi o ganhador do festival de Sundance deste ano, é um dos principais concorrentes da temporada de prêmios americanos do começo do ano e é uma história, sobretudo, fascinante.
    “Precious” é uma menina de 16 anos, negra, obesa e grávida do segundo filho. A escola faz uma expulsão educada com a menina enviando para uma escola de indivíduos excluídos onde ela pode tentar recomeçar, isso é se ela própria e os demais acreditarem nela. Contudo o pior pesadelo de “precious” não é essa vida e sim o confronto com uma mãe dominadora e terrível, interpreta da brilhantemente por Mo’nique, que parece existir somente com a função de destruir a menina por dentro.
    É um filme que trata de questões muito delicadas como analfabetismo adulto, miséria, abuso sexual, incesto, AIDS e um sofrimento crescente na qual a personagem de Gabourey se encontra ao longo dos 120 minutos de projeção. Contudo sua abordagem não é assustadora, pelo contrário o filme passa por esses caminhos sem tornar estes os temas principais do longa. Sua temática é a relação desta menina abusada com uma mãe tirânica, sua força está nesse confronto, belamente retratado de uma forma quase documental.
    Aos cinéfilos que adoram procurar coisas estranhas, além das atuações contida e explosiva das duas protagonistas. Fica marcante a presença dos coadjuvantes a começar pela professora que tira “precious” do fundo de sua auto-depreciação, passando por todas personagens da classe, cada uma desenvolvendo uma personalidade específica durante seu pouco tempo na projeção, e também destaco as participações especiais de Lenny Kravitz, como o enfermeiro do hospital e uma irreconhecível Mariah Carey como a assistente social durona. Sério. Creio que Mariah pode ser uma atriz muito melhor que a companheiras de profissão Jennifer Lopez  ou Madonna. Nada mais lógico em um filme em que o contato humano é essencial para o desenvolvimento da trama, na verdade essencial. Vale o ingresso, especialmente porque a cena final de MO’nique é de arrepiar.

Preciosa estreia dia 29 de janeiro.

domingo, 3 de janeiro de 2010

PEANUTS COMPLETO 1950-1952, Charles M. Schultz


Charles Schultz foi um garoto tímido, que era chamado de Sparky, tinha problemas com garotas e muitas inseguranças, demasiadas para sua infância. Aos 27 anos, após voltar vivo da guerra Ele começou uma das tirinhas mais famosas de nossa geração: Peanuts, ou em tradução livre Minduim. Para quem ainda não identificou por ser muito jovem eu estou falando de Charlie Brown e sua turma, e do excêntrico cachorro Snoopy. Ah... Agora sim você se lembra. A tirinha da qual Charlie Brown nasceu, começou em 1950 e a Lpm vai lançar integralmente a partir desse ano (na verdade começou em dezembro) a obra completa e bote livrinhos para isso pois a última tira que Schultz escreveu fora em 1999. Prevejo então uns 24 ou 25 encadernados de capa dura e com umas 300 páginas.
Houve um tempo em que eu ia na Bienal do livro com a referência de duas editoras para achar algo legal relacionado a quadrinhos: Devir na qual havia uma grande mesa de RPG, na qual uns caras estranhos ficavam jogando e meu maior desejo infantil era aprender a jogar e detonar com aqueles nerds, o Magic fazia muito sucesso e ficava umas menininhas uniformizadas demonstrando as cartas do jogo. E havia Panini, que jogava e creio que ainda joga, uma porrada de revistinhas em várias caixas e você tal como garimpeiro de sebo ficava procurando alguma coisa que terminasse aquela história que você tem parado no quarto.
Enfim... Os tempos mudam isso ainda ocorre provavelmente, mas temos o Quadrinhos na Cia. Trazendo Graphic Novels inéditas a solo nacional, o Tin-Tin voltou a ser publicado, Jbc traz um monte de coisa do oriente, a Conrad, compete diretamente com os dois sem se especializar em nada (Eles perderam o Sandman, estou bravo desde o ano passado), a Via Lettera Ana mal das pernas, agonizando diria...e a L&PM a melhor editora de livros de bolso, começa a se especializar em trazer tiras completas. Eles já tinham uns pockets bem legais do Dilbert, Garfield, Snoopy, etc, Trouxeram todas as tiras do Garfield em um senhor álbum, agora prometem Peanuts completo e creio que podemos ficar sossegados. Eles vão editar.
Falo isso, pois os fãs de Peanuts aqui no Brasil são inúmeros. Se você pesquisar no Orkut quantas comunidades existem sobre o Charlie Brown, você se surpreenderá, sendo que a que eu mais gosto é “Eu tenho complexo de Charlie Brown!” Bem eu também tenho! Se os mais novos só se lembram do Snoopy, essa publicação cronológica é fantástica pela riqueza que ela contém. Desde a primeira tira sentimos o porquê de ser ta revolucionária. Charlie Brown passando e Sermy comentando sobre o “bom e velho Charlie Brown”, frase que o seguirá sempre, para no último quadrinho ele completar. “Como eu o odeio”. Essa maldade no mundo das crianças é a tônica das primeiras histórias, o universo adulto retratado nas figuras de Charlie, Shermy, Paty e Violet é o que se seguirá sempre em todas as transposições. Charlie Brown usa terno e roupas estranhas, discute com as personagens assuntos referentes ao amor, se revolta, amarga seus fracassos ao mesmo tempo que come tortinhas de lama, brinca com os amigos e vai crescendo conforme o tempo passa.
Nesse volume temos os primeiro balões de pensamentos do Snoopy, o aparecimento de Schroeder (uma criação genial diga-se de passagem), a primeira aparição de Lucy ainda bebê e de seu irmão Linus. Mas escolho como o principal momento as série de tiras que Charlie fala, olhando diretamente para nós, “Eu não agüento mais!!!!!!!!!!!!!!!!”. Esses momentos é o que tornam a tira um clássico. Dentro dos quadrinhos o menino Charlie Brown é o melhor representante da teoria mal estar na modernidade que começa em Baudelaire e ainda é visitada por Zygmaunt Baumann. Um dos motivos de sua popularidade é essa depressão constante ao qual ele se lança e que é tão similar ao que se realmente sente nesse mundo pós-moderno. O mais interessante é ver como a tirinha vai tomando a cara desde os primeiros quadrinhos em que Cherry e Paty apareciam mais, a partir da 24ª tirinha é que começam a se centralizar na figura de Charlie, já ao final do volume notamos como as crianças cresceram um pouco, outros personagens foram introduzidos e uma certa constância nas pequenas histórias começa a transparecer e dar uma personalidade a estes. Exemplar obrigatório na casa de qualquer fã de quadrinhos.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ 2010 COM TOPS


Bem pessoal, um ano se foi e agradeço a todos que me leram e espero continuar por muitos e muitos anos escrevendo bobagens.
Para comemorar a passagem de ano fiz um pequeno top a respeito a respeito dos assuntos usuais deste site. Tudo que mais me tocou está aí embaixo. Espero que gstem:

Um abraço e Feliz 2010
CINEMA

1 – Distrito 9, Neil Blokamp (USA/AFS)
2 – Avatar, James Cameron (USA)
3 – Anticristo, Lars Von trier (USA/DIN)
4 – Valsa com Bashir, Ari Folman (ISR)
5 – Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino (USA)
6 – 500 dias com ela, Mark Webb (USA)
7 – Desejo e Perigo, Ang Lee (CHI)
8 – Up – Altas Aventuras, Peter Docter (USA)
9 – Coraline, Henry Sellick (USA)
10 – Star Trek, J.J. Abrams (USA)
11 – Abraços Partidos, Pedro Amodovar (ESP)

Livros Adultos
1 – Primavera num espelho Partido, Mario Bennedetti (URU)
2 – Filho da Mãe, Bernardo de Carvalho (BRA)
3 – Leite Derramado, Chico Buarque (BRA)
4 – Caim, José Saramago (POR)
5 – Estrada, A, Cormac McCarthy (USA)
6 – Zazie no Metrô, Raymond Queneau (FRA)
7 – Fantástica vida breve de Oscar Wao, Juniot Diaz (USA)
8 – Luuanda, José Luandino Vieira (ANG)
9 – Antes de nascer o mundo (Jesusálem), Mia Couto (MOÇ)
10 – Syngué Sabour – Pedra-de-paciência, Atiq Rahimi (AFE)
11 – Garoto no Convés, John Boyne (ING)

Livros Infantis e Juvenis
1 - Marcelino Pedregulho, Sempé (FRA)
2 – Tem um cabelo na minha terra, Gary Larson (USA)
3 – Caneco de Prata, João Carlos Marinho (BRA)
4 – Hoje não quero banana, Sylviane Donnio; Dorothée de Monfreid (FRA)
5 – Ladrão de Raios, Rick Riordan (USA)

Quadrinhos

1 – Retalhos, Craig Thompson (USA)
2 – Sandman: Entes Queridos, Neil Gaiman (USA)
3 – Jimmy Corrigan: O menino mais esperto do mundo, F.C.Ware (USA)
4 – Nova York – a vida na grande cidade, Will Eisner (USA)
5 – Sandman: Vidas Breves, Neil Gaiman (USA)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

GUERRA AO TERROR, Kathryn Bigelow


Tirando de lado o infeliz título nacional que salienta o esteriótipo do povo do Oriente Médio, The Hurt Locker é um interessante filme sobre o dia-a-dia de uma equipe de desarmamento de bombas no Iraque, ao receber um novo líder faltando 38 dias para o término das atividades a vida do grupo muda radicalmente pois James, é uma pessoa difícil que entra de cabeça nos riscos de se deparar com bomba mortais em plena guerra no Iraque,

De um lado este filme é um avanço artístico em como a guerra atual vem sendo retratada na tela grande, em que anda servindo para qualquer filme de ação em que os inimigos não precisem de muitas motivações a não se a etnia. Bem... vimos isso no cinema americano por um bom tempo quando se tratava de russos, ou dos vilões mais pops do século XX, os nazistas, Hurt Locker não tenta complicar demais as relações dos fuzileiros diante dos inimigos islâmicos, há alguns resquícios, mas as relações intrínsecas ou motivações dos guerrilheiros iraquianos, para isso você vai ter que ver Paradise Now, por outro lado não há julgamento dos personagens ou qualquer sentimento de patriotismo sendo lançado nas cara do público como o cinema de propaganda.

Sua inovação artística está em demonstrar essa guerra da perspectiva dos soldados com extremo realismo sendo quase confundido como um documentário real, além de construir um tensão frequente em seus momentos chaves que desordenam os sentimentos dos soldados enviados na missão. Esse é sobretudo um filme sobre soldados e para isso, constroem um personagem provável para condensar tudo que possa existir no interior de um soldado: Sua valentia estúpida, alguém próximo de ser um louco, que corre risco de se envolver, chora e tem dúvidas sobre a missão. Os culpados por essa concepção são a diretora Kathryn Bigelow e o ator principal Jeremy Renner, a primeira por conseguir fundir sentimentalismo e tensão em um filme só, o segundo que com um trabalho competente consegue criar complexidade em um personagem que poderia ser um simples action hero. A complexidade é ideal para se entender o sentido mais profundo a que o filme se pretende sutilmente sendo explicitado na primeira frase do filme “The war is drug”. Não uma droga nem seu sentido denotativo, mas uma droga real que vicia o personagem principal e o torna incapaz de se adaptar a sociedade. Ele precisa da adrenalina da guerra para viver, precisa quase morrer para viver.

Esse é um dos principais concorrentes à premiação do começo do ano: Globo de Ouro, Oscar, SAG, Bafta, etc... é um filme lançado no começo do ano em solo americano e que chegou aqui direto em dvd em abril. Então você pode assistir no conforto do lar um filme que pode ganhar o Oscar de melhor filme em fevereiro. Creio que isso deva significar alguma cosa, mas ainda não teria palavras para expressar. Só indico que isso também deva explicar este título em português estranhíssimo que nada tem a ver com o filme ou o fato de encontrarmos no poster do dvd só o nome das participações especiais (Ralph Fiennes, Guy Pearce e David Morse devem somar 10 minutos de projeção o todo) e não dos atores principais. Mas são só perguntas sem respostas.

domingo, 27 de dezembro de 2009

JIMMY CORRIGAN – O MENINO MAIS ESPERTO DO MUNDO, F.C. Ware.



Jimmy Corrigan é um homem de 37 anos, castrado emocionalmente, inseguro de tudo, vive encolhido em si mesmo e telefona para mãe todo o dia. Um belo dia ele recebe uma carta de uma pessoa que alega ser seu pai e o convida para passar as festas de final de ano com ele, para eles finalemnte se conhecerem. Jimmy vai e descobre um pessoa da qual ele não tem nada em comum e esse encontro relativamente curto vai ser o primeiro e o único, conforme a capa nos informa. Essa é a história do quadrinho em seus termos gerais, contudo sua constituição é a mais complexa possível, elaborada a enésima potencia nessa obra que é considerada o Ulisses do quadrinho.

O que pode afastar um leitor mais acostumado com o selo DC/Marvel de agilidade de histórias mensais, mas deve agradar o nosso público adulto de graphic Novels. Jimmy é um quadrinho para poucos, a realidade se confunde com o sonho, a imaginação se sobrepõem por vezes e você não distingue o que é realidade e o que é a cabeça do protagonista. Há explicações técnicas e maquetes para serem “feitas” pela e a história também abrange boa parte da vida de Jimmy avó no começo do século, e do Jimmy pai em seus anos de juventude. Há algumas observações sociológicas a cultura americana e uma grande análise do preconceito racial dentro da estrutura da obra. Ainda sobre a estrutura é um eterno vai e volta ao passado que ainda fragmenta a narrativa.

A primeira barreira a ser transporta é um prólogo como bula d remédio que ensina como ler o livro que tem em mãos. Escrito como se fosse uma bula de remédio, prepare-se para ficar uma boa meia-hora om as vistas juntas para entrar na narrativa levemente engraçada de F.C. Ware, que contém algumas críticas deliciosas a imagem dos quadrinhos atuais e que encontra sua força não no tom cômico das atitudes dos Jimmy's, um patetismo que leva a uma profunda melancolia deste indivíduos fechados em si mesmo.

Sobre estes indivíduos é que se centra a totalidade da obra, uma vez que a multiplicidade de Jimmy's torna o título ambíguo. O jimmy atual não é retratado com um menino, apesar de se tornar claro que ele é aquele adulto que regrede a infância com muita facilidade. Ele simplesmente ignora todas as barreiras da vida adulta, a emancipação e falta de interesse em relacionamentos são os mais gritantes, assim com sua carência paterna que o força a ir em encontro ao seu pai biológico. O outro Jimmy, que é seu avó natural também, tem boa parte da história para ele e sua similaridade com o protagonista não é mera coincidência, as carências afetivas amorosas, a insegurança perpetua e o relacionamento conturbado com o pai são o drama do Jimmy de 1900, um espelho da situação atual, que demonstra que os males de uma família são eternos;

Por fim, sobretudo, Jimmy Corrigan é um livro sobre os relacionamentos humanos. O detalhismo de sentimentos e ações é incrível, o desenho que se centra só nos protagonistas é belíssimo, uma explosão de cor que torna os temas ainda mais pesados pela simplicidade dos traços, mas a parte imaginativa de sonhos e reflexões, tornam o livro um objeto de estudo da psicanálise e suas interpretações são diversas. Um livro sobretudo fascinante e uma história fantástica.

AVATAR, James Cameron



“Eles não vão sair. O que nós podemos oferecer a eles: Cigarros e bebidas? Eles não querem nada de nós. Eles não vão sair”

O Filme do ano! O Filme que vai revolucionar o cinema 3-d! O filme de James Cameron, o diretor de Titanic! É assim que essa singelíssima produção que consumiu de 300 a 500 milhões de dólares está sendo vendida. Com relação a segunda afirmação eu só posso reproduzir o que andam dizendo, mas com certeza é um dos filmes do ano.

James Cameron é um gênio do cinema. Suas grandes obras porém não vão de encontro com as motivações mais básicas de um cineasta: Atuações pungentes, dramas de grande consequência global, direção ossessiva por cada frame (bom talvez esse ele tenha). Ele só tem uma motivação simples que percorre toda a sua careira: Romper o pré-estabelecido, destruir os limites dentro da obra que se instala. Vejamos uma breve retrospectiva de suas principais obras: Terminator, ficção de roteiro simples, orçamento baixo e com um halterofilista austríaco que não sabia falar inglês, o atual Governator. Aliens, fazer uma continuação de um cult e tentar ser melhorar (lógico que ele consegue). Terminator II, outra continuação em que ele abriu o leque de sua mitologia e inverteu os papéis dos mocinhos e bandidos, de queba ainda começou seu processo de inovação dos efeitos digitais com seu T-1000. O megalomaníaco Titanic parecia ter sido sua última fronteira, com 270 milhões para construir e destruir qualquer coisa que quisesse, e contando a mais básica das histórias de amor, o fez com tal primor e habilidade que teremos o recorde de público por muitos e muitos anos. Bem não era, quando você sai do cinema em Avatar tem a impressão de ter visto uma coisa tão fantástica que não imagina para onde o cinema está indo.

Não é que a história seja originalíssima, alias ela é tão básica quanto em Titanic, é a história da colonização revisitada no futuro. Tirem os índios e ponham alienígenas azuis de 4 metros de altura, a busca por qualquer minério, especiaria ou combustível que percorra nossa história e substitua por uma pedra, que ninguém sabe o que faz no filme, mas vale 20 milhões o kilo (como se isso fosse uma justificativa) e em vez de embarcações, latarias e equipamento pesado de destruição e temos nosso filme.

Os humanos estão em Pandora, instalados em uma base no planeta para pesquisa, bancados por uma grande mineradora na verdade eles querem o minério que está no planeta e está localizado embaixo da aldeia dos humanóides do planeta, os Na'vi. A partir daí entra o personagem de Jack Sully, um militar paraplégico que pode controlar o avatar de seu irmão gêmeo por ter um genoma igual (infelizmente há um furo científico na história, mas passa...). O Avatar é uma mistura do Dna humano e alienígena para criar um ser como os Na'vi, um outro corpo para o usuário que é um Na'vi.
Jack começa por fazer jogo duplo, mas caba se apaixonando por Neythli a filha do chefe do grupo, pela cultura esquecida e pela própria Pandora, a ponto de não saber mais se é um humano. O conceito de Avatar é basicamente esse, existe uma complexidade metafórica leve como uma parábola, mas a mais imaginativa é próprio conceito de ser um Avatar. Sentir com todos os sentidos as maravilhas e perigos de pandora. James não propõem só um filme, mas uma completa imersão na Floresta nos céus e aí o 3-D ganha mais força pois permite o espectador não ter objetos arremessados em sua cara como um brinquedo divertido, mas sentir as folhas passando por suas vistas ou a poeira acostando em seu ombro.

A complexidade do filme é visual. O que James tenta novamente, pois esse é um tema recorrente, é demostrar como a tecnologia pode ser prejudicial e como o futuro pode ser sombrio, não sabemos o que aconteceu na Terra, mas podemos supor que algo ruim anda acontecendo por lá. Há mercenários, sucatas como veículo do exército e a motivação principal é matar seres vivos em troca de dinheiro. E em contrapartida a esse mundo mecânico que vemos na base a floresta está cheia de realismo tanto em seus singulares habitantes, como nas cores fosforescentes que surgem ao cair da noite. E em certas cenas ele atinge com certeira habilidade a emoção do espectador como Jake se deliciando ao esfregar os pés de seu Avatar na terra em sua primeira caminhada, ou quando o clã dos Na'vi é expulso de sua morada com gás para ver a arvore gigantesca ser bombardeada até sua queda e o terror e tristeza está estampado na cara de seus habitantes. Vale muito o seu ingresso para assistir esse espetáculo da sétima arte, já inscrito na história.

Ah sim.. 70% o filme é digital, incluindo os Na'vi, mas seu realismo transpassa o que até então foi visto no cinema. Se tivemos o Gollum alguns anos atrás, aqui temos uma população inteira que chora, se emociona e principalmente nos atores principais é de se notar a perfeição da captura de movimento que consegue transmitir por meio do bonequinho azul tudo o que aquele personagem sente. Só mais uma inovação do Sr. Cameron.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Espiões, Os, Luis Fernando Veríssimo


É bom notar que as pessoas sentem falta do meu lento resmungar, ou das minhas hiperbólicas efusivas ladainhas elogiosas. Para alguém que ressuscitou o blog a pouco, fico feliz pelo apoio. A explicação para minha fuga do mundo virtual está em uma tríplice complicação. Curso de línguas – trabalho de verdade e Faculdade em término, o que já ligo com a primeira frase do recente romance lido: Formei-me em Letras e bebo para esquecer, o que não está tão longe da realidade deste crítico de internet.
O personagem de Veríssimo é um editor que tem seu grande momento da semana quando chega a segunda-feira, de ressaca, e ele recebe um monte de originais ruins, em que ele pode utilizar toda a sua maldade para detonar o autor, sendo ele mesmo um autor fracassado. Só por esse começo o livro já vale a lida, contudo ele continua se movendo por personagens mais satíricos e estranhos, todos fracassados e patéticos que não deixam nenhum leitor rabugento isento de uma risadinha leve no canto da boca: Dubin o fiel amigo, que inventou um condado para ele e é outro formado em humanas (quase uma terra-media), o professor Fortuna, charlatão de carteirinha que gosta de sexo tântrico, Marcito, o editor sacana que se recusa a pagar Direitos autorais, Edmar autor de livros de astrologia famoso e uma gangue perigosíssima exilada em uma cidade do interior.

A salada está pronta para Luis Fernando exibir seu bom humor contínuo. A história se centra na figura de uma personagem que está armando uma vingança escrita contra os tipos perigosos com quem ela vive. Ela envia os originais de seu texto para o nosso narrador que se apaixona pela história sombria e sem vírgulas que recebe. O nome da personagem é Ariadne, como da lenda do Minotauro e tece sua teia sob todos os amigos do narrador também, estes vão até a cidade para salvá-la, já que ela ameaça se matar. É verdade? Pouco provável, mas nossos personagens vão do mesmo jeito como espiões em missão de salvamento. Essa talvez é a grande sacada do livro. Nosso narrador que leu Le Carré demais e está a procura de um sentido em sua vida se joga de corpo e alma na aventura, em que o final vai mostrar que os limites da ficção e realidade pressupostos por nossas mentes leitoras são mais estreitos do que se imagina e o perigo pode ser muito real.


Leve, engraçado e ao mesmo tempo assim que terminei a leitura me inquieta essa sensação indescritível que a história é mais metalinguística do que se pensa a princípio, mas um romance que fala desse pessoal formado em humanas que estão destinados a serem um rocambole de significações que ainda estão para serem descobertas. E é a esse pessoal de humanas que me junto agora formado em Letras e já bebendo literatura para comemorar.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

trailer de Alice in Wonderland



estréia 5 de março de 2010

domingo, 29 de novembro de 2009

ENTES QUERIDOS, de Neil Gaiman


Delírio: “(responsabilidade) é mais que isso. As coisas que a gente faz criam Ecos. Tipo, se você para na esquina e admirar um relâmpago em igue-zague...zap! Por um tempão e coisas vão para nessa mesma esquina e olhar pro céu sem saber o que estão procurando. Alguns vão enxergar um relâmpago-fantasma. Outros podem até ser mortos por ele. Nossa existência deforma o universo. Isso é responsabilidade.”


Penúltimo capítulo da maior de todas as histórias em quadrinhos, ou podemos dizer que é efetivamente o último, pois o álbum seguinte “Despertar” em minha opinião é muito mais um prelúdio pra fechar as pontas soltas, em todo caso é o maior e mais emocionante, desfecho perfeito para uma história perfeita.
Para os mortais que não conhecem Sandman, esta foi a série que revolucionou os quadrinhos adultos da Vertigo entre 1987-93, publicado esparsamente no Brasil pela Globo somente suas edições em brochura dão conta da tamanha genialidade em se fundir cultura pop, erudita, mitologia grega, nórdica, religião, história e muitas outras áreas em torno de Morpheus, ou Sonho, ou Sandman, ou moldador. O senhor dos sonhos. Preso por 80 anos, descendo ao inferno para procurar a amada, em contos curtos em que encontra William Shakespeare, procurando o irmão desaparecido, Destruição. Todas as suas histórias mostravam um pouco do mundo obscuro e como este afetava nossas vidas. Sempre disse que não era necessário ler na continuidade para entender a história, o que realmente é verdade, mas ler os álbuns na sequência te dá uma noção d totalidade que não pode ser substituída. Uma prova disso é que aqui ele vai fechar tudo que já aconteceu nos 60 álbuns anteriores.
Para começar a história é o caos: uma criança é raptada e sua mãe entra em desespero, Loki perambula por nosso mundo fazendo vítimas, Delírio procura seu cão, Nuala volta ao reino dos elfos, Morpheus está deprimido pois no álbum 7 (Vidas Breves, fantástico também) ele matou seu filho. Tudo isso começa a interseccionar até as Fúrias, ou Bondosas (Kindly Ones no original o que, infelizmente, perde seu duplo sentido em português) aparecem para exigir vingança de Morpheus e não deixaram pedra sobre no Sonhar, ou sonho sobre sonho. As Fúrias são as justiceiras e nem mesmo Morpheus tem mais controle sobre seu reino, o cerco se fecha sobre ele até a única opção para salvar os habitantes de sua terra e viajar as fronteiras do pesadelo para enfrentar as Benevolentes, e ,pasmem, Matthew vai junto.
O maior álbum, nesse ponto é repetitivo falar como ele constrói bem as história, mas seria fácil perder a mão com tantas coisas acontecendo e ele não perde, e um final digno de tudo que foi proposto por aqui. No fim após tantas cenas desconcertantes de belas, como um bebê sendo atirado no forno ou último diálogo de Sonho com sua irmã, Morte, o que álbum nos mostra são as diferentes relações entre seus personagens e a família e como sacrifícios tem que ser feitos em nossa existência. E quase esqueci de falar O melhor álbum.
Pena não ter nas HQ's de banca atuais uma série tão forte e desconcertante como esta foi no passado, lógico que há coisas muito boas com Authority, mas ainda parece que falta algo para se tornar inesquecível. Mark Millar que me desculpe, mas não cega perto do Gaiman fez como este personagem. No momento este álbum está esgotado, a Panini relançará desde o começo ano que vem a série completa, o que é muito bom pois não será perdida para gerações futuras, a editora diz que serão edições definitivas. Não sei como melhorar essa edição da Conrad para ser bem sincero, na dúvida se você quiser acompanhar a saga de Lorde Morpheus consiga este da Conrad, que é uma edição extraordinária. Fica a dica, como sempre, mas no caso desse vocês tem que conhecer!

sábado, 21 de novembro de 2009

AvóDezanove e o segredo do soviético, de Ondjaki


Na PraiaDoBispo as crianças se divertem todo dia no calor inventando brincadeiras. AvóNhete está a reclamar de dores no pé. AvoCatarina sempre de preto, sempre escondida e sempre tirando um sarro da vida. Os russos fazem uma ação “comunitária” construindo um Mausoléu para o povo Angolano enterrar seu presidente, eles só tem que explodir algumas casas da Praia e vão conseguir terminar o projeto. Quem chefia esta empreitada é Camarada Bilhardov, ou Bortadov, ou Sovacov na linguagem das crianças. Uma bomba de gasolina que só tem água salgada e o maluco EspumaDoMar só fala cubano e tem ideias esquerdistas. Esses e mais alguns personagens saídos parte da imaginação, parte das memórias do escritor angolano Ondjaki, constituem uma das narrativas mais verdadeiramente engraçadas sobre a Angola pós-independência.
Luandino Vieira escreveu a bíblia Luuanda, Pepetela tem uma força cruel em seus romances, assim como outros atores menos conhecidos por aqui eles traçam uma Angola e uma Luanda sombria, em que a realidade social é pungente e marcante, fruto de quase meio século de guerra em Angola, da década de 50 até 1975 pela independência (leiam Os Cus de Judas também) e depois de 1976 até 2002 em guerra civil. Incrivelmente Ondjaki não segue o mesmo caminho, talvez por ser o escritor angolano mais novo e famoso atualmente (ele só tem 32 anos e muitos livros editados por lá), sua narrativa não assume o caráter realista buscado por seus antecessores, na verdade por ser narrado do ponto de vista de uma criança, a inocência desse relato que nem chega a citar a Guerra civil diretamente, talvez por isso é deliciosamente engraçada.

A história central está em nosso narrador Ndalu, seus amigo 3,14 (o nome dele é pi) e Charlita, que tem a brilhante ideia de “desplodir” as obras do Mausoleu para salvar a PraiadoBispo. O livro inteiro se move nessa “missão:impossível”, mas que na mágica do mundo infantil vai se concretizar de uma maneira ou de outra. Há uma sutil alegoria à ocupação estrangeira após independência, como o que acontece com a maioria dos povos africanos quando em razão da independência são obrigados a se aliar, por motivos econômicos e por vezes socias, a outros países para conseguir sobreviver. Contudo o  foco principal do romance é o relacionamento das crianças entre si e com os mais velhos, as histórias que a AvóNhete (Mais tarde Dezanove) conta e as lembranças que as vezes atingem o protagonista, trazem um sentido nostálgico ao texto que junto ao seu caráter de filme de aventura, funcionam como uma combinação interessante.
Profundamente pessoal esse livro merece ser descoberto pelo público brasileiro, visto que acho que está passando despercebido por aqui, e assim como “Os da minha rua” pode muito bem se tornar um livro para se indicar no colégio em função de trazer as crianças mais perto de nossos camaradas angolanos, com o perdão do trocadilho. Por que Dezanove e qual o segredo não são os eixos centrais do livro, mas o primeiro é bem inusitado e o último é revelado na última linha do romance trazendo algo de fantástico a essa salada que já tinha de tudo. Vale a leitura.

FEATURETTE DO FILME AVATAR

Saiu ontem no site Rotten Tomatoes, uma bela prévia do filme que estreia dia 18/12/2009. Vejam e babem.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

SEMINARISTA, O, Rubens Fonseca


Todo o grande escritor pode errar a mão uma vez ou outra, e me parece que Rubem Fonseca errou feio neste novo romance. Sou um grande admirador do escritor que melhor retratou a vida urbana paulista em sua extensão de violência, sexo e velocidade estonteante, livros como o Caso Morel e O Cobrador são obras-primas inigualáveis da literatura brasileira, o que não acontecerá com O seminarista.
A história é de um matador de aluguel, que assassinava clientes com a mesma paixão ao qual come biscoitos, não se importa muito quem é ou porquê, só faz o serviço e nem lê o jornal para saber se o corpo foi encontrado. Após matar muitas pessoas para seu chefe o Despachante, ele resolve se aposentar e viver uma vida normal e olha que só nos primeiros quatro capítulos ele matou um monte de gente, agora ele quer viver como um cidadão normal, logicamente que isso não vai dar certo, e ele ainda vai se apaixonar por uma alemã mesmo com todos os sentidos de paranóia do cara dizerem o contrário, a história se encaminha firmemente até ele voltar a matar um monte de gente referente a um caso do passado e basicamente só sobrar ele no final mais sangrento de todos os livros do Rubens, mas descrito com tanta naturalidade e sem um pingo de emoção, que o fato de cara perder a língua, os olhos, os bagos e várias outras coisas não nos causa impacto.
Estilisticamente essa falta de sentimentos ou emoção é buscada para justificar o personagem, contudo não há nada escondido ele não é mais profundo que um pires como personagem. Isso tudo é proposital lógico, mas como é CHATO! O personagem não está nem aí se via morrer, porque está sendo perseguido, ele nem estranha quando um outro personagem que ele matou a algumas páginas atrás, com um tiro nos colhões e dois na cara (para que não tenha o funeral com caixão fechado) magicamente reaparece dizendo ser o pai de sua namorada (!), ah sim eu çao estou brincando, esse mesmo personagem pergunta a ele - Não está surpreendido em me ver? e ele responde - Vocês dois se conhecem, e acaba o mistério (?). Comecei a pensar que ia virar algo à la David Lynch, que tudo acontecia na cabeça dele, mas não há elementos na narrativa que sustentem essa hipótese a não minha obesessão em tentar explicar o romance.
Estava com muitas expectativas? Era para ser algo mais divertido (pois é inegável que dá para se divertir, parecendo um legítimo filme do Tarantino m relação à violência) do que profundo? Eu entendi o livro completamente errado? O mundo vai acabar em 2012? Minha cabeça está cheia de perguntas sem resposta,s e alguém tiver a resposta dê-me-a, pois fiquei um tanto decepcionado.
Ah, sim, o título. O personagem foi um seminarista antes de matador profissional. Só um detalhe. Não, eu não estava errado em esperar mais.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

500 DIAS COM ELA


Podemos nos fazer de dificéis, podemos dar as costas ao mundo, ou viver de casos esporádicos, viver assexuadamente, e eu conheço um caso atual! Mas o fato é que todas as pessoas tiveram um grande amor, senão mais de um. Dependendo de que momento você está na vida você pode pensar diversas coisas a respeito dessa afirmação. "Sim, I'm Love", " o amor não existe", "será que é isso" e tantos outro filmes românticos se centram em alguns desses tópicos. 500 dias com ela se centra em todos os pontos de um relacionamento, o descobrimento casual, os gostos em comum, a época mais feliz, a mais penosa, os pontos de vistas diferentes, e todas as fases do rompimento que fazem o filme se eleger entre o panteão dos pequenos clássicos atuais.
Joseph Gordon Levitt (Sim, um dos sobreviventes do 30 rock from the sun, um dos melhores seriados da década de 90) faz um personagem meio nerd, meio normal, que tem um emprego burocrátco comum e vive sem muitas ambições, apesar de já querer ter sido um arquiteto, ele desistu de lutar, e para melhorar (ou piorar) ele é um romantico inveterado. Logicamente que pessoas assim não dão certo na vida, em todo caso ele conhece Summer, uma moça que vai mudar sua vida amorosa como a própria Dulcinéia de um Quixote moderno, interpretada pela Gracinha da Zooey Deschanel impossível não se apaixonar por uma moça que ama Smithse usa roupinhas antigas que em qualquer um seriam um horror só, menos nela e o pior de tudo para nosso herói é que ela tem os mesmos gostos que ele, receita mágica para unir qualquer casal. Summer é uma garota moderna, não acredite em amor e não quer se envolver, a princípio, enquanto o relacionamento vai evoluindo você até torce para que os dois fiquem juntos. Ela e ele são perfeitos não? Sim são, mas não é esse o ponto do filme e sim quando ela rompe com ele que o seu mundo se arrebenta e sua reconstituição é o ponto mais interessante e real do filme. Essa parte é muito fofa e tragicômica já anunciada no primeiro frame do filme, mas até o final você torce para que eles fiquem juntos, contudo não é um filme triste, seu final te coloca mais pra cima do que muito água com açucar sem personalidade.
Meu filme preferido é o Brilho eterno de uma mente sem lembranças, mas esse chegou perto de desbancar minhas preferências, quem sabe daqui alguns anos desbanque, pois...a vida muda. E qual o seu?

sábado, 7 de novembro de 2009

FANTÁTICA VIDA BREVE DE OSCAR WAO, de Junot Diaz


“(...)Oscar se trancou no quarto, tirou a roupa no banheiro - já não compartilhando mais com a irmã,, que estava morando na faculdade, a Rutgers -, e se examinou no espelho. A banha! As estrias quilométricas!O corpo horrivelmente tumescente! Parecia ter saído direto de um quadrinho de Daniel Clowes. Fazia lembrar garoto grande e negro de Palomar, o lugarejo criado por Gilbert Hernandez.
Meu Deus!, sussurrou ele. Sou um Morlock.
NO dia seguinte, no café da manhã, ele perguntou à mãe: Eu sou feio?
Ela suspirou. Bom, hijo, você definitivamente não se parece comigo.
Pais dominicanos! Não á para deixar de gostar deles. (...)”


A pior parte do livro é decidir quando eu paro com o excerto. Sério essa cena continua e vai ficando cada vez mais engraçada, o livro de Junot Diaz é uma chuva interminável de bom humor no meio das maiores tragédias. A saga de uma família dominicana contada de maneira à la Quentin Tarantino, indo e voltando no tempo em sua luta contra o fuku, uma espécie de Lei de Murphy eterna que o livro prega como assolação dos males de todos, que é simplesmente o azar nosso de cada de dia e no meio disso um menino que tinha tudo para ser popular e conquistar todas as garotinhas do bairro, pois afinal ele é dominicano, Oscar que atingido pelo fuku acab se tornando um adolescente gordo, ned e fissurado em Senhor do anéis. Nosso narrador é imperdoável, “ Oscar não conseguia disfarçar como eu (ou você) sua condição de otaku, fissurado em mangá” e por isso ele vai ser o eterno rejeitado por um mundo que não lhe pertence, a velha retórica quixotesca tingida com um escrita de cultura pop.
Pelo fato de Oscar ser um nerd, cdf que quer ser o Tolkien latino, o livro é também um redemoinho de referência que nós nerds como eu (E VOCÊ!!!!!!!!!!), vão se rachar de rir, alias a citação do livro é do Quarteto Fantástico (O que Galacticus sabe sobre as vidas breves), o que é, com o perdão do trocadilho, fantástico. A salada poderia ser só essa mas não é, em sua escrita ele confunde as línguas em um portunhol (no original um spanglish) hilário, mistura as décadas, mistura dúzias de notas enormes de história dominicana om sua história simples de um menino que não queria ser nerd, e e´só simples entre aspas, se você não conhecer um pouco dos universos citados e adorados por Oscar você se perde totalmente nas partes com ele ou seu narrador, que só é revelado no final do livro como sendo um personagem e outro nerd, contudo um nerd velado.
Ei Big Bang Theory é a série mais vista no Eua! Nunca se tirou tanto sarro dessa raça estranha, contudo devo dizer que o livro também é uma pegadinha, e aí é que ele cresce exponencialmente para se tornar um clássico. Sua crítica ao estilo de vida e a história da republica dominicana recente é escancaradamente a essência de tanta loucura. Temos duas coisas que se contrapõem, a falta de vida de Oscar em suas experiências mais básicas que sintetizam o que seria a vida com a ditadura fascista imposta por Rafale Trujilho, ou vulgo Ladrão de Gado Frustrado durante mais de 30 anos. Eu saí de mais 300 páginas quase como um expert em história dominicana, e muito emocionado com todas as provações que o sensível Oscar Wao (a origem desse apelido é muito engraçada e duvido que alguém descubra sem ler o livro ) passa até seus momentos derradeiros, em que ele consegue vive finalmente.
De confessar que nunca gostei de livros que utilizassem muito humor, um mesmo filmes assim, contudo esse ano mostra como as coisas podem mudar. Os livros que amis mexeram comigo foram aqueles que mais ri: Oscar, Zazie e Caim. Com eles eu ri horrores e convido a quem tenha interesse em entrar nesse bom humor a acompanhar Oscar nas aventuras da vida e quem sabe até possa entrar em nossa comunidade singela em que anéis destroem o mundo e o personagem mais legal dos quadrinhos tem 1,60, fuma charutos e tem garras de animal. Venha Luke junte-se ao Lado Negro da Força!!!!!!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

LUUANDA, José Luandino Vieira


Ao ganhar a independência a custo de muito sangue, a imprensa entrevistou Luandino perguntando se agora o povo angolano voltaria a falar e escrever em quimbundo, Luandino respondeu que a língua portuguesa seria o troféu de guerra. Luandino está para Machado de Assis no desenvolvimento da literatura angolana tal como ela é hoje, e este é seu livro mais significativo, seu domínio da linguagem é indiscutível. O livro escrito entre 1962-63, enquanto o autor esteve preso, ganhou um grande prêmio de incentivo à cultura em 1963, e menos de um dia depois a polícia aprendeu a comissão julgadora do evento e proibiu a circulação do livro, que a partir daí teve sua fama feita e a circulação clandestina competia com Jorge Amado e Graciliano Ramos, igualmente proibidos na Angola portuguesa. O livro só conseguiu ser publicado em Portugal em 1973 (ironia), ou seja após a queda de Salazar, o ditador poe excelência, e também recebeu grandes prêmios literários para logo depois ser publicado em Angola ao grande publico já liberto e com a fama de clássico antes mesmo das pessoas ao qual o livro se dirige conhecerem a obra.
Para aqueles que adoram ler livros que causam polêmica este seria um prato cheio, mas é bom tomar cuidado para não terminar a leitura e não entender porque este livro foi tão censurado e nem pensar a respeito. Luuanda é um grande livro que basicamente traz três estórias: O relacionamento entre uma avó e seu neto durante um dia inteiro em que a fome os assola e o menino não consegue achar emprego, uma caso de roubo de patos e papagaios (?) que termina com os praticantes do crime presos e uma disputa de duas vizinhas a respeito de um ovo. A primeira história é mais tocante, a segunda é confusa e e engraçada, a terceira engraçada e fantástica e o livro termina. Subversivo, não.
Primeiramente queria informar que os três contos são os melhores que nossa língua permite e isso já bastaria para colocar o livro no panteão de obras clássicas, mas todas as proibições tinham fundamento na época, pois a princípio o livro era um ultraje ao uso da língua pois estruturalmente, lexicalmente e morfologicamente Luandino mistura português e quimbundo ao nível da fala, tal qual Guimarães Rosa nosso conterrâneo, a começar pelo título até seu final. Estruturalmente podemos relacionar as três estórias de várias maneiras do relacionamento entre as idades, a vida no musseque, e na minha interpretação de uma maneira muito forte com a fome que o povo angolano passava dia a dia quando colônia de Portugal e isso, carregado na ironia de tratar de estória (ou seja não é real), era uma fronte ao governo Português.
Tal com a metáfora do cajueiro há várias maneiras de interpretar o livro, não sei se no final ele escreve em português, ou se em Luandinês, mas o fato o fato é que maravilhosamente tecido em clássico.