terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Oscar 2011 – Os indicados

 

Saiu Hoje!!!! Eis a lista de Indicados ao Oscar

MELHOR FILME

127BRAVURACISNE NEGRODISCURSO DO REIINVERNO DA ALMA

minhas-maes-e-meu-pai-posterORIGEMREDE SOCIALTOYo-vencedor-poster

127 Horas (127 hours); Bravura Indômita (True Grit); Cisne Negro (Black Swan); Discurso do Rei (King’s Speech); Inverno da Alma (Winter’s Bone); Minhas Mães e Meu Pai (The Kids are All Right); Origem, A (Inception); Rede Social (The Social Network); Toy Story 3; Vencedor, O (The Fighter)

FILME ESTRANGEIRO

BIUTIFULdogtooth_posterIN A BETTER WORLDINCENDIESOUTSIDE THE LAW

BIUTIFUL (MEX), DOGTOOTH (GRE), IN A BETTER WORLD (DIN), INCENDIES (CAN), OUTSIDE THE LAW (ALG)

ANIMAÇÃO

TOYCOMO TREINARMAGICO

TOY STORY 3; Como treinar o seu dragão; O mágico

DOCUMENTÁRIO

ExitThroughTheGiftShop-poster gasland Inside-job-Poster restrepo-poster waste-land-poster

Exit through the Gift Stop; Gasland; Inside Job; Restrepo; Lixo Extraordinario.

 

DIRETOR

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Daren Aronosvky (Cisne Negro); David O. Russel (O Vencedor); David Fincher (A rede Social); Tom Hooper (O discurso do Rei); Joel e Ethan Cohen (Bravura indômita)

 

ATOR

colinfirth jamesfranco javier bardem jeff bridges true grit jesse eisenberg

James Franco (127 Horas); Jeff Bridges (Bravura Indômita); Jesse Eisenberg (Rede Social); Colin Firth (Discurso do Rei); Javier Barden (Biutiful)

ATRIZ

AnnetteBening_KidsAreAllRight jennifer lawrence michelle willaims natalie portman nicole kidman

Nicole Kidman (Rabbit Hole); Natalie Portman (Cisne Negro); Michelle Williams (Blue Valentine); Annete Benning (Minhas Mães e Meu Pai); Jennifer Lawrence (Inverno da Alma)

 

ATOR COADJUVANTE

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Chistian Bale (O Vencedor);Geofrey Rush (Discurso do rei);John Hawkes (Inverno da alma); Mark Ruffalo (Minhas mães e meu pai); Jeremy Renner (Atração Perigosa)

 

ATRIZ COADJUVANTE

melissa leo AmyAdams_Fighter_TalkingOscar haileen jackiweaver helena bohan carter

Amy Adams (O vencedor); Melissa Leo (O vencedor); Helena Bohan Carter (Discurso do rei); Jacki Weaver (Animal Kingdom); Haileen Seinfeld (Bravura Indômita)

 

ROTEIRO ADAPATADO

127 Horas, Rede Social, Toy Story 3, Bravura Indômita, Inverno da Alma

ROTEIRO ORIGINAL

Another Year, O Vencedor, A Origem, Minhas Mães e Meu Pai, Discuso do Rei

 

DIREÇÃO DE ARTE

Alice no País das Maravilhas; Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1; A Origem; Discurso do Rei; Bravura Indômita

FIGURINO

Alice no País das Maravilhas; I am Love; Discurso do Rei; A tempestade; Bravura Indômita.

FOTOGRAFIA

Cisne Negro; A Origem; Discurso do Rei; A Rede Social; Bravura Indômita

MONTAGEM

Cisne Negro, O Vencedor, Discurso do Rei, 127 Horas, A rede Social

MAQUIAGEM

Barney’s Version, The Way Back, O Lobisomen

EFEITOS ESPECIAIS

Alice no País das Maravilhass, Harry Potter e as relíquias da morte- Parte 1, Alem da Vida, A Origem, Homem-de-ferro 2

EDIÇÃO DE SOM

A Origem, Toy Story 3, Tron – O legado, Bravura Indômita, Incontrolável.

MIXAGEM DE SOM

A Origem, Discurso do Rei, Salt, Rede Social, Bravura Indômita

TRILHA SONORA

Como treinar seu Dragão; A Origem; O Discurso do rei; 127 Horas; A Rede social

CANÇÃO

Coming Home (Country Song); I See the Light (Enrolados); If I rise (127 Horas); We belong Together (Toy Story 3)

CURTA-ANIMAÇÃO

Day & Night; Gruffalo; Let’s Pollute; The Lost Thing; Madagascar: carnet de Voyage.

CURTA-FICÇÃO

The Confession, The Crush, God of Love, Na Wewe, Wish 143

CURTA DOCUMENTÁRIO

Killing in the Name; Poster Girl; Strangers No More; Suns Comes Up; The Warriors of Quigang.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Belas Artes – São Paulo perde mais um cinema

belasartes1981

Juro não ter entendido a posição do HSBC em Março do ano passado. Um banco que ainda não perdeu a alcunha de ter substituído o Bamerindus (pois tanto eu quanto outras pessoas da geração de 90 ainda canta a musiquinha do extinto banco), deveria se orgulhar de divulgar seu nome em outras mídias.

Quando íamos ao Belas Artes quando ainda em patrocínio, ou falávamos “vamos ao HSBC” ou “Vamos ao Hsbc Belas Artes”, mas nunca só chamava-o de Belas Artes, durante ao ano que passou tive muitas dificuldades em retomar esse nome e com muito pesar consegui, pois o que mais queria era ver outro patrocinador estampado na faixada da Consolação, só assim haveria segurança, durante a Mostra 2010 um apanhado de pessoas fortes ameaçou bancar o patrocínio do cinema e notícias recentes informam que até um patrocinador tinha sido definido e pulou fora na reta final. Tudo isso são fragmentos de notícias que pululam em nossa frente, mas o final fora anunciado a dois dias o Belas Artes fechará as portas em 27 de janeiro, sendo substituído por mais uma loja que alugara o espaço, pois São Paulo precisa de mais uma loja e menos um cinema.

Dentre as sala de São Paulo, Belas Artes era o melhor cinema, em preço, em títulos, em especiais e no atendimento. Fora lá que fazia minha temporada de Oscar durante Janeiro/Fevereiro. Fora lá que vi o Sétimo Selo na telona, em qualidade impecável no Cineclube. Me surpreendi com Lúcia e Sexo. Me rendi a Piaf – Um Hino ao amor. Vi uma sala cheia gargalhar em consonância com Pequena Miss Sunshine. Vi uma sala se irritar com o onírico (Medos Privados em Lugares Públicos) e as vezes é única sala exibindo um filme que só sairia em DVD (Desejo e Perigo demorou 2 anos para ser exibido e só veio para o Brasil porque  Belas Artes exibiria). O acervo do Belas Artes trazia certeza de exibir tanto Almodóvar e Woody Allen, quanto Gaspar Noé e Michel Haneke. Temos filmes desconhecidos quanto alguns cults modernos como A Origem ou Sin City.  Havia espaço para todos os filmes sendo o único critério é ser no mínimo interessante. E o Noitão de cinema em São Paulo era lá, pode até ter cópias no momento mas quem começou isso foi o Belas.

Tudo isso acaba no final desse mês. Como só um espectador desse drama não posso fazer mais críticas, mas realmente não entendo porque ninguém se tornou o novo patrocinador do cinema (Sesc e Imprensa Oficial. Os maiores difusores de cultura em São Paulo. Por que não adotar o cinema também?). Ano passado o Gemini já fechara as portas, Marabá fora comparado Playarte alguns anos antes. Dentre os cinema alternativos quais são os próximos? Cinema da Vila? Reserva Cultural? CineSESC? Dentre estes os únicos mais ou menos seguros me parecem Espaço Unibanco da Augusta e o Cine Cultura, mas o cinema alternativo não pode ficar somente nestes dois circuitos.

É com pesar e tristeza que escrevo este post me despedindo do Belas Artes e todos os grandes momentos que tive com ele.

belasartes2010

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

2011 – O que esperar no cinema?

 

Um ano novo começa então v ou fazer algumas apostas das grandes apostas desse ano. Ou seja pausa no top de novo. kkkk. Para ver o trailer basta clicar no nome

OS CANDIDATOS A ESTATUETAS

Pelos próximos dois meses teremos algumas certezas de grandes filmes em função das premiações americanas e européias. O novo trabalho de Joel e Ethan Cohen, volta ao western de raiz com o habitual humor negro, é a refilmagem de um clássico de John Wayne, com Jeff Bridges melhor do que nunca na pele de um xerife alcoólatra. espero muito de Bravura Indômita que chega dia 21 aqui. Cisne Negro é um filme do Daren Aronovsky muito similar ao Réquiem para um sonho, é uma viagem psicológica e um filme que segue o rigor do balé. 127 Horas, traz o grande Danny Boyle retratando a história real de alpinista que ficou preso numa montanha por vários dias até tomar uma decisão trágica. Inverno da Alma, é um filme sombrio que sobre a pobreza no Norte dos Estados Unidos. Uma garota de 17 anos tem que achar o corpo do pai, um traficante da área, para não perder a casa que abriga seus dois irmãos pequenos e a mãe doente, entretanto seus próprios familiares não querem que a verdade seja descoberta. Até o momento foi o drama do ano destes que estão no páreo. Ainda há O Vencedor, drama de superação com Mark Whalberg e Christian Bale. E O Discurso do Rei, comédia dramática com o sempre ótimo Colin Firth.

Dentre aqueles não são americanos ou ingleses, devemos receber logo: O novo drama de Iñarritu, Biutiful, sobre um homem á beira da morte (Javier Barden) que precisa rever sua vida, agora sem os roteiros caleidoscópicos de seu parceira Guillermo Arriaga. O ganhador da Palma de Ouro 2010, Tio Boomie, uma fábula que quem assistiu diz ser inesquecível. E o grande filme francês de 2010, Deuses e Homens de Xavier Beauvoir. Mias pra frente há um filme coreano ao qual espero muito: Poesia de Lee Chang-dong, uma meditação sobre a vida que fez muito sucesso na última mostra, mas infelizmente não consegui ver. O novo filme de Lars Von Trier, Melancholia, uma história do fim do mundo vista por quem está terra, muito parecido com o roteiro de O Sacrifício de Tartovsky, mas conhecendo o gênio do dinamarquês pode ser algo bom ou uma bomba gigante. E o novo filme de Almodóvar, Pele que Habito, cineasta que está sempre melhor mantém o roteiro em sigilo mas o segundo o próprio é seu roteiro mais forte e vai marcar o reencontro com Antônio Bandeiras. Gaspar Noé também tem novo filme que deve chegar esse ano aqui, Soudain La vide, é uma viagem LSD…parece que literalmente.

BLOCKBUSTER’S NO MEIO DO ANO

Logo após a temporada de premiações temos os filmes que se pretendem “arrasa-quarteirão”. Nesse ano um é com certeza o filme do ano, o final de Harry Potter, está marcado para Julho e todos os fãs estão com contadores ansiosamente aguardando. Esse ano será bem fortuito com relação aos super-heróis: O Lanterna-Verde mostrou um trailer simpático, Thor continua me deixando assustado com o Kenneth Branagh pode ter aprontado com o herói nórdico. Capitão América – O Primeiro Vingador, ainda é um mistério mas se não acabarem com a história deve ser no mínimo interessante. Ainda destaco Super 8, projeto ainda secreto de J.J. Abrams (Star Trek), é um filme partindo de uma ideia original dele e o cara que criou Alias, Fringe e Lost costuma ter ideias boas. Contudo dois filmes que acho que serão melhores do que seus trailers são Battle: Los Angeles, que parece no mínimo divertido, contudo o Aaron Eckhart escolhe bons projetos para se envolver e parte do roteiro já vazou no plagio descarado do péssimo Skyline, em que tudo está errado. E Priest, a adaptação do mangá, parece visualmente melhor do que eu imaginei a princípio.

APOSTAS PARA DECEPÇÃO DO ANO

Aproveitando continuemos nos blockbusters com aquilo que eu aposto que é ruim ou irrelevante: Amanhecer – Parte 1, é lógico que vai fazer sucesso entre os fãs e vai bater recordes, mas ao contrário de outras séries ninguém está interessado em fazer algo minimamente bom em termos artísticos, então… Piratas do Caribe 4, é o filme que estréia o quadro; PRA QUE MAIS UM?!? As duas continuações do original já foram mais fracas, esse então... Aproveitando vem por aí também, Pequeno espiões 4, que já devem estar casando e Premonição 5, que prova que a morte está realmente sem nada o que fazer, alias, ela é um inimigo imortal (!) acho que vou ver continuações até meus 80 anos… Eu já perdi a esperança de ver um filme bom dos X-men enquanto a Fox estiver com os direitos, X-MEN: First Class não me inspira confiança, nem mesmo mais um reboot em Planeta dos Macacos, que deveria ter ficado no primeiro e só. Agora haverá um prequel: Rise of the Apes. Agora nós temos as coisas ruins que não se importam em ser boas, mas isso é a proposta: Piranha 3DD, com essa hipérbole no nome deve trazer maiores piranhas, peitos, sangue, pessoas nuas e muito mais gore. Uma série que por mais que cada filme tenha 2:30 não se importa em ter um roteiro são os Transformers, no terceiro capítulo Dark side of the moon (que original) fato é que só os carros se transformando em robozões movimenta as platéias.

FILMES MAIS ESPERADOS POR MIM

Logo de cara aposto em Joe Wright, um diretor muito interessante liderando uma atriz mirim muito boa em Hanna. Ainda no começo do ano Zack Snider apresenta a sua primeira história original muito similar a famosa Alice, inspiração da maioria dos mundos mágicos-góticos contemporâneos com Sucker Punch – Mundo Surreal, visual tem, contudo Zack normalmente fica devendo na dramaturgia das personagens.

A volta de três grandes cineastas também é muito aguardada: Terrence Mallick, que volta e meia some, traz seu ainda obscuro Árvore da Vida, Soddenberg volta à la Traffic com elenco gigante e uma história cruzada sobre uma epidemia que atinge níveis globais em Contagion, e mais aguardado por mim e também ainda obscuro a volta de Andrew Niccol em Now, o diretor criou um clássico de FC moderna em Gattaca escreveu o Show de Truman, e ainda apresentou o subversivo Senhor das Armas como último trabalho.

No final do ano temos três grandes com projetos que tem tudo para ser fantásticos: Clint Eastwood volta aos dramas históricos com J.Edgar, a biografia do polêmico chefe do FBI, que ele já alfinetara em A Troca. Steven Spielberg volta as telas com a primeira adaptação do detetive belga em Tintin e o segredo Licorne. E o mais esperado é a adaptação cinematográfica de um dos meus livros juvenis preferidos: A Invenção de Hugo Cabret, por Martin Scorsese.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

21 – Pequena Miss Sunshine

 

pequena miss sunshine EUA. 2006. Direção: Jonathan Dayton/Valerie Faris. Elenco: Greg Keener, Toni Colette, Abigail Breslin, Paul Dano, Steve Carrel e Alan Arkin.

A revitalização do cinema independente americano foi um dos pontos chaves dessa última década. Sundance cresce em importância a cada ano e sempre revela três ou quatro obras relevantes para o cinema como um todo. Em 2010 especificamente um filme extraordinário, que ainda não chegou por aqui, foi lançado por lá: Inverno da Alma (Winter’s Bone), que dentro de sotaques complicados, um produção simples e uma atuação fortíssima de Jeniffer Lawrence mostra o lado pobre da América “Terra da liberdade”. Seu mundo sombrio já criou inimigos ferrenhos e fãs ardosos, como esse que escreve. Mas escreverei sobre esse filme um outro dia. Esse olhar carinhoso para qual os filmes independentes americanos tem hoje, é possível em função da crise que limitou e continua limitando a produção de filmes nos States, que só em 2010 caiu 33%,e  também devido ao sucesso de público e crítica dessa pequena joinha ao lado que é o marco histórico da retomada do gênero de Cassavetes.

O filme é um acerto estético do começo pelo casal de diretores, há planos cuidados milimetricamente que são pura poesia, como a abertura e outros de pura improvisação natural como a cena final da dança. A transição é precisa que isso passa desapercebido. O roteiro também combina questão dramática com a mais pura comédia. E as atuações são todas excelentes: Keener e Colete, que já estão na estrada dos independentes há tempos, estão seguros nos papéis principais, mas eles são aquele tipo de atores que vocês sabe que vai ver uma ótima atuação. O time de coadjuvantes rouba a cena, Steve Carrel como o professor-homossexual-suicida deu a melhor atuação de sua carreira até o momento, Alan Arkin foi redescoberto como o avó-tarado-viciado-em-heroína, laureado com justiças em muitas premiações por sua atuação neste. As surpresas são a jovem Breslin, como a menina-gordinha-disputando-um-concurso-de-miss-sunshine e o jovem Paul Dano (que no futuro daria uma atuação ainda mais assombrosa no poderoso Sangue Negro) como o adolescente-filosófico-mudo… por escolha.

A história para quem esteve fora dos cinemas nos últimos 4 anos narra as desventuras dessa família disfuncional cruzando o país para levar a caçula para o concurso de miss.  A viagem é hilária dentro da Kombi amarela que não tem quase marchas, uma lavação de roupa suja que não tenta mostrar a família americana que se ama, e sim a família real que tem que se suportar. Não dava muita coisa para o filme até vê-lo no cinema pouco depois de sua estréia, e posso garantir, estava num cinema lotado e nunca vi um cinema rir tanto em conjunto e consonância, nem mesmo na comédia escrachada mais idiota. A diversão inteligente sempre supera a comédia forçada. Mas enfim, como não simpatizar com Breslin dançando?

 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

22 – Curioso Caso de Benjamin Button

 

curioso caso EUA. 2008. Direção: David Fincher. Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson, Tilda Switon.

Eric Roth encantou o mundo com o roteiro fantástico do não menos fantástico Forrest Gump – o Contador de Histórias. O estilo dessa história específica combinava humor, drama, comédia e tragédia em uma estrutura de aventura mas ao mesmo tempo fechada dentro da vida do menino corredor Forrest. 14 anos após ele trouxe uma outra ideia parecida a princípio, mas totalmente diferente em sua constituição: Benjamin Button é uma fábula de um homem também, mas ao contrário de Forrest que passou por todos os eventos importantes americanos anonimamente e ingenuamente, Benjamin não passa por nenhum evento significativo só olha de relance pois ele é o mais normal dos seres apesar de sua curiosa anomalia. Levado a vida por Brad Pitt com um sotaque de interior, calmo e seguro Benjamin é um grande filme de David Fincher, mas deve muito a esse grande roteirista, aqui com Robin Swicord, que fica muitas vezes no anonimato, mas vale lembrar que é dele os roteiros de Encantador de Cavalos, Ali, o Bom Pastor e do melhor Michael Mann, O informante. E tais como todos os outros, essa história defende uma tese muito específica e sinistra.

Benjamin Button nasce no final da primeira guerra mundial, fora abandonado pelo pai em um asilo por ser diferente dos outros: Parecia um velho próximo da morte, tal sua aparência e deterioração física. Criado por Queenie no asilo Benjamin começa a “rejuvenescer”, crescendo ao contrário de todos. Passa pela Segunda Guerra e sobrevive, descobre quem foi o pai, reencontra o grande amor, ou seja, vive a vida mais normal e simples do mundo. Contudo a condição de Button não é mágica, ele não é uma espécie de imortal só por rejuvenescer, somente seu definhamento será diferente do nosso. O final é igual para todos.

Por viver em um asilo, lutar na guerra e mesmo viver entre as pessoas, basicamente todos os personagens padecem de alguma forma no filme, seja em cena ou no simples comentário de um personagem. Em cena emblemática Button leva seu pai moribundo para ver o pôr-do-sol, enquanto em off, explica “Você pode xingar. Amaldiçoar… mas no final você tem que aceitar.”. Mais interessante é não usar isso para prometer a eternidade ou insinuar a felicidade, o filme é centrado em um aspecto analítico e terreno do que é a morte. Demorei um pouco para perceber como isso é a força motriz do filme porque não é tão óbvio a princípio, talvez porque essa história que flerte tão próxima dessa força tão sinistra, o faça com o intuito de promover a vida. Seria um pensamento muito estranho? Creio que não. Dentro da estrutura do filme a história de Benjamin está sendo contada para sua filha, seu recado para ela é belamente ilustrado nesse trecho. Belamente escrito por Roth e milimetricamente preciso por Fincher. Temos que aproveitar a vida.

23 - Medos Privados em Lugares Públicos (2006)

 

medos públicos França. Direção: Alain Resnais. Elenco: André Dussolier, Sabine Azéma, Pierre Arditi, Isabelle Carré.

Vocês sabiam que Cavaleiros do Zodíaco não foi um sucesso no Japão quando em sua estréia em 1986 até foi cancelado em 1991 em função da audiência? Contudo quando foi lançado para o mercado ocidental se tornou um fenômeno e principalmente aqui no Brasil, tanto que posso dizer que faço parte da geração que curtiu as aventuras de Seiya. As pessoas que seguem o que escrevo sabem que as pontes que faço tanto aqui n’O Espanador são um tanto quanto improváveis, contudo creio que estou fazendo a maior insanidade escrita ao começar este post de um filme cult francês com um anime popular da década de 90. Mas o fato que quero salientar não é nenhuma comparação estético-artística entre as duas obras, mas sim de fenômenos entre o público. Se cavaleiros ainda passa toda a manhã desde seu lançamento em meados da década de 90, Medos Privados é recorde de público do Belas Artes desde meados de 2007 quando foi lançado.

Por que esse fascínio? Posso garantir que Medos Privados (Coeurs) fora um filme praticamente normal em seu país de origem, logicamente que foi um sucesso devido ao renome do mestre francês Alain Resnais, tanto quanto qualquer lançamento de um Martin Scorsese ou Woody Allen mobilizam a crítica mesmo que não estejam em seus melhores momentos. Entretanto nos países ocidentais ele foi igualmente bem visto, e 3 anos e meio depois ainda é sessão garantida em São Paulo, e olha que no dia de hoje acabei de consultar para saber se está passando. Dentre a obra de Resnais é um filme muito mais “normal” que as evoluções estéticas da década de 60 ou do recente Ervas Daninhas.

A trama…bem… Não existe basicamente uma linha narrativa única. São seis personagens vagando por uma Paris em neve, cada um com sua solidão e desejos de amor. Se há uma linha narrativa que une parte deles, é Thierry (o grande André Dussolier), que tem uma secretária recatada (Sabine Azéma) que de noite cuida de enfermo na base do desejo sexual sadomasoquista (?!!!), e que passa noite entre o tédio e a experiências com vídeo pornô que dá para dar muitas risadas. Ele tem uma filha que se arrisca em encontros às escuras. Há também um casal prestes a se separar, e um homem que vive no bar,e  algumas situações inusitadas. Podemos dizer que não há um começo propriamente dito no filme, que retrata a vida como ela é, contudo posso garantir que há um fim na belíssima cena de Sabine conversando em um cômodo com neve caindo. Surreal e poético.

Entretanto como disse o filme é essencialmente simples. Talvez esse seja o segredo de seu sucesso aqui, pois apesar de se passar em uma Paris no inverno ele é tão honesto com relação ao amor contemporâneo e suas impossibilidades, tão certeiro nas pequenas tristezas e felicidades da vida que é impossível não se identificar com a vida em São Paulo, ou em qualquer grande metrópole. Resnais é mestre.