segunda-feira, 14 de junho de 2010

Túnel, O de Ernesto Sabato


tunel,o "Que o mundo é horrível é uma verdade que não requer demonstração. Em todo caso bastaria um fato para prová-lo: num campo de concentração, um ex-pianista queixou-se de fome e foi obrigado a comer uma ratazana, só que viva."

Se o trecho acima fez algum sentido para você, comece a se preocupar pois você pode estar se identificando com um personagem realmente aterrorizante. Estranhamente foi o trecho que me fez engolir o livro em uma tacada ininterrupta. O túnel é uma das experiências mais perturbadoras que a literatura produziu, neste caso a literatura do hermano Ernesto Sabato.
A trama é simples, mas sua execução é que primorosa: O narrador da história Juan Pablo Castel está na prisão e por meio de sua prosa direta e analítica, ele pretende narrar o seu crime: O assassinato de Maria Iribarne Hunter, a única mulher que o compreendia e que ele amava.
Assim sendo volta ao passas à uma exposição de seus quadros para apresentar esta mulher que se alumbrou com um de seus quadros mais simples, o de uma mulher na janela, e  intrigado com a figura misteriosa ele começa a procurá-la, quando a encontra começa a persegui-la até, por incrível que pareça desenvolver um caso adúltero com ela. Porém ele é um homem cheio de dúvidas, problemas, ciúmes e inquietações que consomem toda a narrativa sobre a natureza daquela relação, mais até do que os momentos bons com ela. Só existe a dor que a mulher produz nele, contudo esta é uma dor que não possui lógica, basicamente é um recorte da loucura do próprio personagem que progride até o derradeiro ato da qual ele não se sente culpado, mas fica intrigado com a palavra Insensatez que lhe proferem, motivo que ele ainda ao final do livro procura explicar, pois em seu relato ele procura demonstrar que a razão foi dele.

A genialidade da narração fica por conta dessa lógica do discurso de Juan Pablo, que pega o niilista moderno em nós e cria uma ponte de identificação com este leitor. depois te leva por esse túnel escuro da mente do personagem pelo mesmo timbre até Juan Pablo começar a fazer associações como esta:

“Fiz repetidos esforços para posicioná-los na ordem correta, até conseguir formular a ideia desta fórmula terrível: Maria e a prostituta tiveram uma expressão semelhante , a prostitua fingia prazer; portanto Maria fingia prazer. Maria é uma prostituta.

- Puta, puta, puta! – gritei saltando da banheira.”

Se isso fez algum sentido, vá ao hospício rapidamente. É um livro perturbador, pois até o último minuto nós queremos que ele se arrependa ou que os motivos do crime façam um sentido mais palpável em nossas cabeças. O que há é um túnel escuro em direção a loucura, em dado momento da leitura você toma conta da inevitabilidade desta direção mas não tem como parar. É um livro terrivelmente bom.

terça-feira, 1 de junho de 2010

LOST – THE END

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Há algum tempo eu não visito essas linhas por motivos que vão além do que um mero ser humano pode querer: Falta de Tempo/Espaço em meu contínuo existencial. Contudo como adiantei na postagem anterior o Maior evento do Ano se aproximava e como eu tempo uma camiseta da Dharma, me juntei há milhões assistindo licitamente ao último episódio de Lost há alguns dias. Agora que baixamos o filme sem comerciais, legendas e tudo o mais que havia de disponível na minha sexta temporada pirata. E a primeira coisa que quero informar é que essa matéria vai contrariar minha lógica de dar informações diretas sobre as possíveis surpresas que um interessado no assunto pode ter, ou seja, significa que há SPOILERS aqui. Então pare de ler se você não viu o último episódio, se bem que, se não me engano se você não viu já bombardeado por milhões de informações a respeito.

Devo dizer que não estava esperando mais nenhuma surpresa com relação ao sitcom, e seus últimos 15 minutos foram um choque ao vivo. Olhando com mais apuro agora, tudo começava a apontar para aquele desfecho:  “Christian Sheppard?” brinca Kate logo no primeiro minuto emendada por um Desmond sóbrio “We have to go”. As pistas pululam e como desde a primeira temporada o pessoal da produção jurava de pé junto que os personagens não estavam mortos, nós engolimos a isca direitinho e nessa última temporada a possibilidade nem passou pela cabeça de nós. Eu devo salientar que eu achei isso genial!! E eu não sou um crente. Devo também informar que quase chorei ao final do episódio.

Em si tudo estava bem definido. Locke/Fumaça-Negra procurava Desmond para destruir a ilha, Jack se tornou um novo Jacob e tem que proteger o coração da Ilha agora, mas ele é ousado e arrisca a própria destruição desta para destruir a fumaça negra e tirar os remanescentes da ilha. Não há explicações sobre que é maldita, que com certeza tiraria muito do charme que o seriado tem, só existe uma luz no interior da ilha que o bem mais valioso do mundo. Na outra realidade em que o avião não caiu, os personagens vão se encontrando e relembrando como foi a vida na ilha, somente Jack que luta contra as memórias involuntárias que os outros suscitam nele. Até o velório do pai em que este aparece e lhe mostra sua vida na ilha e a realidade da situação: Não era uma realidade paralela cientificamente plausível e sim um lugar criado para que todos se reencontrassem e pudessem seguir para outro plano: Eles estavam mortos! É irônico, genial e emocionante já que toda essa cerimônia ocorre paralelamente aos últimos momentos de Jack agonizando mas feliz por ter salvado tudo e culmina em sua morte no mesmo em que começou.

Para mim foi o melhor seriado em muitos anos, algumas coisas ficaram na história com Arquivo X, mas descambou muita idiotice em seu final. Outros como  A Sete Palmos são memoráveis muito mais por sua conclusão. O difícil em um seriado dramático é manter o nível em todos os seus anos. Pois depois de alguns episódios a fórmula começa a ficar manjada. Lost mostrou que não é necessário se agarrar aos gêneros ou pode se agarrar todos. Um seriado que começa como um seriado de sobrevivência, mistério com monstros e teorias científicas, pura ficção científica em alguns episódios e não largou em nenhum momento a veia dramática do show e termina como a velha briga entre o bem e o mal, questionando tal como John Locke a crença das pessoas. Podemos dizer que eles se acharam no final, o que dá um novo significado para o título. Podemos dizer que muita gente odiou o final e muita gente amou. 8\80. Não há meio termos, mas pelo nível tão distante de emoções que rodeiam este seriado atualmente só posso dizer que se você ainda não assistiu, assista do começo ao fim. Possivelmente não haverá nada igual na televisão por um bom tempo.

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Bye Jack. Nunca foi preferido, ams vamos sentir saudades.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O MAIOR EVENTO DO ANO

 

É Oficial pessoal estamos chegando perto do maior evento mundial dos últimos anos. Como estamos em maio de 2010 você já sabe que eu vou falara logicamente do FINAL DE LOST!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A cada episódio que passa a gente sai com mais neurônios pulando e excitação de saber como o seriado mais original deo novo milênio vai acabar.  E Acabando de sair do 14º episódio não há muita coisa mais para deixar escondida, somente dar a forma de quem é Jacob e quem é Locke, ou carinha do mal. Fato é que essa última temporada é um jogo de gamão, tal como foi falado no primeiro episódio do seriado. Dois lados um e um bem o outro o mal, as peças mudam de lado constantemente.

No exato momento de hoje mataram mais 4 personagens principais e parece que o massacre dessa temporada não vai parar tão cedo.

O episódio de amanhã parece que vai revelar quem foi ou é Jacob, e alegoria ciatada por mim parece explicita no promo americano.

A outra pergunta interessante é o que a história na linha do tempo paralela vai interferir nesse, ou será que não vai. E onde diabos o Desmond se enciaxa nessa história???

Creio que a pergunta nunca vai se responder totalmente, mas creio que uma ligação bíblica ou sublime vai ser a chave do enigma.

Quem quiser dar uma olhada no sneak peak, vai notar que a cena é bem diferente do que está passando no seriado, simplesmente não dá para encaixar sí com a cena. Esperemos então em dentro de 24 horas para mais uma enxaqueca:

 

E o trailer do episódio:

terça-feira, 6 de abril de 2010

LIVRO DE ELI, Irmãos Hughes

 

book_of_eli_2010_1 Estava na dúvida se fazia a crítica desse filme ou não, pois nem tudo que eu vejo no cinema ou leio se torna parte desse blog, poderia dizer que é seleção mas é pura falta de tempo para pensar no que dizer, pois há sempre algo a se dizer. Mas aqui após alguns dias que vi sem compromisso em uma sessão que custou menos que uma locação me proponho a falar, não porque é uma pérola da sétima arte que me tocou e ficou na minha cabeça, mas sim pelo lamento de termos perdido um grande filme que poderia ter se realizado.

Pra começar a proposta do filme une o que algo muito batido, como a história de um mundo pós-apocalíptico totalmente destruído Um homem tem a arma para salvar o mundo. Sim, você já viu essa história antes, mas o interessante é que a arma para salvar o mundo é a Bíblia (?!?!?!). Se você é ateu esta confuso, se você é cristão também está achando estranho, mas é dessa combinação é que sai o ponto interessante da história. Poderíamos ter um aprofundamento dessa história em vários aspectos no teológico, no social, no pessoal e até no metalinguístico, mas não temos, nesse corte do filme é bem básica com algumas sutilezas nas entrelinhas que vamos ver a história de Eli, um andarilho que ruma à Oeste enfrentando a tudo e a todos para salvar a última relíquia da humanidade. Um vilão vai aparecer, sangue vai rolar, teremos uma bonitinha na história e algumas invenções legais como velhinhos simpáticos que podem ser canibais. Um arroz-com-feijão que serve para ter alguma sanguinolência mas seu grande trunfo pode ser um final extraordinário (eu digo pode ser e já volto nesse ponto…)

Os irmãos Hughes surgiram com um cult subversivo intitulado Menace 2 Society de 1993, e foram celebrados como os próximos irmãos Cohen, mas isso nunca foi muito pra frente em outras produções independentes que nunc agraciaram nada tiveram a grande chance de adaptar o grande graphic novel Do Inferno, ainda com aval de Alan Moore em 2001 e desde então estavam parados. A sua volta já traria gluma visibilidade ao filme. O roteiro básico mas interessante seria um atrativo. Denzel e Gary oldman no carro da frente. Fotografia linda, boa produção e  acertar o clima para parecer homenagear o western.Estava tudo pronto para fazer algo interessante, mas o problema são os irmãos Hughes, que tem uma ótima visão para cenas de ação, sangue e criar grandes sequências nesse âmbito, mas, assim como Do Inferno, não tem noção da coesão do todo.

A princípio temos pequenas falhas que não seriam notadas em função de alguns acertos, como a cidade do bandido aparecer no meio do deserto árido, algumas noções passagem de tempo, a personagem da Mila estar trancada em um momento e no outro não, aqueles erros de continuidade de sempre e o fato de se no fim do mundo termos a Mila Kunis todo bonitinha desfilando por aí, não é necessariamente ruim. Não que ela esteja mal no filme, acho que esta muito bem, mas ela está muito arrumada no meio dos ogros. Ok. Isso passaria. A história tem momentos em que ela trava, mas vários filmes tem momentos altos e baixos, as cenas de decapitação compensam. Eles podem vir a pensar. Aí chega o final em que aquilo que deveria ser uma Revelação (pegaram?) é parte do público, pra outra tanto faz como tanto fez e para aquela que notou sai perguntando: “é isso né?” Aí a outra parte responde um sonoro “ah?”  Aí você explica sua noção da história, a outra pessoa parece ter um alumbramento, mas ai começa a relembrar “Mas se foi isso, como aquilo aconteceu, e como aquela cena no bar possível”. Aí você começa ver que o momento da revelação virou o momento da confusão, isso não é para ser um David Lynch, deveria ser um sexto sentido em que o final faz você olhar para traz e se sentir O idiota. mas não acontece, você sai com a sensação que tentaram forçar a barra.

Com certeza você não perde a diversão, mas fico triste pelo fato de terem perdido uma grande chance de nós dar um grande filme, era só ter feito o filme em função do final e não da sanguinolência, se quiser corrige umas coisinhas ali, outras aqui, melhora o roteiro ali e talvez você tivesse um clássico. Sei que não é fácil, mas a gente tem que pensar que é para começar a fazer, no final tivemos só um filme bom.

domingo, 28 de março de 2010

FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE, OS – de Esmir Filho

famosos e os duendes Certa vez estava eu assistindo uma entrevista com alguma produtora muito chata em um canal universitário. Ela afirmava que a diferença do cinema brasileiro para os demais era que todo mundo produzia toneladas de filmes e só 1 ou 2 bons, e nós brasileiros produziamos 30 a 40 filmes por ano, e 30 ótimos filmes! é uma declaração extremamente patriótica e ilusória. Creio que na última década temo Cidade de Deus e Tropa de Elite como as grandes produções que podemos chamar de clássico. Isso sim é uma afirmação dentro da realidade.

Com pessoas loucas como a que estava na entrevista é que temos nossa camada de críticos e produtores que tentam vender uma imagem totalmente estranha do cinema brasileiro contemporâneo, e acreditem em mim, há muitas pessoas que ainda veem uma produção nacional e já torcem o bico para comprar a entrada ou mesmo cogitar ir assistir. Vamos então, antes de começar a falara dessa produção fazer um rápido panorama sucinto do que é o cinema brasileiro hoje: Achamos que estamos bem longe de Hollywood, mas não estamos, nossa Hollywood é Globo Filmes que ataca pelo menos metade do cinema em comédias leves (Se eu fosse você…, Lisbela e o prisioneiro, Casa da mãe Joana), filmes históricos e cine-bios (Lula, Menino da porteira, Mauá, Lamarca) que não atingem a excelência, são bons mas normalmente não se destacam. O pior mesmo são as obras infantis, que aparentemente não precisam de nenhum talento cinematográfico para fazer bilheteria (Xuxa e Didi, qualquer coisa), as obras pretensiosas que usam a estética da teledramaturgia (Olga, Salve Geral, Última parada). Esse é um ramo da produção, o outro são os órfãos de Glauber que acham Godard é legal e normalmente são feitos para o público da Augusta e Paulista , aqui só a pretensão e o conhecimento de que a ideia é melhor que a estética, ou vice-versa (Baixio das Bestas, Do começo ao fim, e muitos outros casos), mas são as tentativas de transgressão, que são válidas, mas nós enquanto nação não temos uma história cinematográfica tão ampla para tanta rebelião, se rebelar contra europeu é no mínimo estranho. Nossa melhor produção está literalmente no meio destes pólos: Homem que copiava, Nina, Cheiro do ralo, Quanto vale ou é por quilo, Ano em que meus pais saíram de férias, Proibido Proibir, Apenas o fim e agora os Famosos e os Duendes da Morte.

O filme ao qual fui a pré-estreia essa semana será lançado em 16 de Abril nos cinemas nacionais e é algo diferente mas que ainda está interessado em trazer público para as salas, pois creio que o maior desafio do atual cinema é conquistar público dentro do país. Em uma cidade do interior do Rio Grande do sul a narrativa se fragmenta entre o personagem principal, que não tem nome, e que sofre com o desejo de ir embora da pacata cidade e os desejos mórbidos que ele em off narra em seu blog. Intercalam as imagens caseiras de uma menina e um cara em situações estranhas, expressões artísticas em meio ao campo. O mesmo cara aparece em várias cenas em que o mostra como excluído da pequena sociedade formada,  sendo hostilizado. Como isso se junta com a história principal? Só perto do final fica mais claro. O filme é bem lento e contemplativo, algo de nostálgico dentro da história e de exemplificação do tédio que o personagem principal sofre.

Quando os mistérios que cercam a história são resolvidos, o filme vai para seu ato final que vai deixar mais interrogações do que respostas dentro da cabeça do espectador. Tenho minhas teoria, ouras pessoas tem as delas, mas é indubitável que o grande mérito é deixar as questões pululando em nossas cabeças por todos os minutos de projeção, a começar pelo título. é um filme bem estético, que mostra muito talento do diretor, seu único ponto fraco é a fluência da narrativa que as vezes se demora muito na contemplação, mas é só um detalhe que é a apagado pelas atuações juvenis e da mãe do personagem principal. A história é baseada num belo trabalho juvenil de Ismael Capanella (que atuou no filme como o misterioso Julian) bem poético e curto, o filme é extremamente mais sombrio e capta a essência das angústias juvenis. O suicídio e a morte estão constantes dentro da obra, isso para mim é a chave para as últimas cenas, que bebem no surrealismo. Valerá o seu ingresso e suas dores de cabeça a pensar em seu desfecho.

quarta-feira, 24 de março de 2010

ILHA DO MEDO, de Martin Scorsese

 

ilhadomedo Ao sair da projeção de Shutter Island fiquei pensando em fundamentos teóricos da estrutura do roteiro. Isso não é de se estranhar pois estou devorando um livro do Robert McKee sobre a teoria do roteiro e apesar de discordar de muita coisa no livro, há muitas outras interessantes. Começo essa crítica com esta afirmação porque destruindo o roteiro e analisando a fundo a história do filme como um todo, é ma história bem básica complicada a enésima potência, mas de maneira genial. Aí nós nos pegamos analisando clichês e como, quando roteiristas, tentamos fugir deles a todo custo, quando podemos amarrar uma história bem contada e como isso é difícil.

Então primeiramente tenha em mente que a história de Ilha do medo é MUITO BOA, baseada num livro de um dos autores policiais mais psicologicamente complexos da atualizada Dennis Lehane, o suspense de horror é um investigação a origem dos traumas e medos do ser humano. Segundamente, é Martin Scorsese, então é bom ter muito respeito com isso. Tecnicamente perfeito, muita gente torce o nariz para ele por ter se tornado mais comercial. Shutter com certeza é, mas basta ver seu começo e pensar na grande homenagem que ele faz ao noir dos anos 50 que você tem a ciência de estar diante de uma dos maiores cineastas do mundo.

Leonardo DiCaprio é um policial um tanto quanto traumatizado (com o mar, a guerra, a perda da mulher) que vai investigar o desaparecimento de uma paciente na prisão-hospício de Shutter Island, para isso ele conta com um parceiro estranho e uma grande teoria conspiratória de experiência com pacientes. A partir bunde-se para 2h30 de puro suspense na qual você vai ficar muito tenso, Martin utiliza de muitas imagens surrealista para fazer a lembrança, imaginação e alucinações de DiCaprio para investigar os cantos escuros da loucura. O final é surpresa e passo dizer que é o grande trunfo do filme. Ainda estou pensando sobre as engenhosas artimanhas do roteiro, mas não vou contar pois com esse tipo de filme quanto menos souber é melhor….

terça-feira, 9 de março de 2010

o Show que deveria ter sido.

Pela últimas semanas respirei prêmios: Golden Globe,Bafta,Directors guild, Actors guild,Razzies,Spirit....
Foram filmes e mais filmes que busquei avidamente no imdb, youtube,megavideo...
Conhecer, procurar, assistir. Assim passei os últimos dois meses e acabei por estar familiarizada com os concorrentes ao Oscar, principal prêmio de cinema.
Para mim o show foi curto, quase sem surpresas, curti os premios, os discursos , celebrei até. Mais um Oscar, aquele que seria totalmente diferente....igualzinho a todos os outros anos.
Eu esperava que Guerra ao Terror ganhasse pois desde o Golden Globe o filme está em foco. Mas também torcia por Avatar.
Fiquei na fila para ver Avatar num cinema lotado...Guerra ao Terror era um filminho na prateleira da locadora havia meses.

Mas para aqueles de só vêem o Oscar a situação foi um pouquinho diferente. Diante da massiva propaganda sobre mudanças,e de um filme recordista em todas as categorias de público, a audiência desse ano chegou aos 41 milhões de espectadores (foram 36 ano passado). Acredito que boa parte desse público também esperava a vitoria de Avatar.

Coloque-se na pele de um sujeito que gosta de filmes e quer acompanhar o Oscar.
Imagine que você foi ao cinema religiosamente durante o último ano, comprou revistas de cinema, viu as principais estréias, assistiu ao menos um filme por semana, a ponto de se considerar um adepto da sétima arte. Então, vêm as indicações para o Oscar e você descobre que não viu metade dos filmes, claro eles ainda não estrearam, e serão algumas semanas para conhecê-los. As semanas passam, os filmes estreiam praticamente todos juntos, em dois , três cinemas cada um . Será uma maratona conseguir ver todos. O Guerra ao Terror inclusive é lançado em pouquíssimos cinemas . Você faz malabarismo, revê a conta bancária e enfrenta as filas para poder acompanhar a premiação do Oscar devidamente informado.

Então, passado o show, você encontra aquele amigo que nunca vai ao cinema, que não liga para prêmio nehnhum, não conhece Zip de cinema e descobre que ele tem o filme ganhador do Oscar em casa, comprado na loja de departamentos na promoção de 12,99 lá pelo final do ano passado.

Agora me diga se você vai assistir o Oscar ano que vem.

domingo, 7 de março de 2010

Pré-Oscar

 

Daqui a algumas horas conheceremos os ganhadores do Oscar 2010, esse ano com 10 competidores a melhor filme. O que por um lado é muito bom pois a maior visibilidade aos filmes, por outro eles conseguem fazer algumas injustiças ou coisas esquisitas:

 

O que Um sonho possível está fazendo os indicados a melhor filme é um grande mistério e Invictus só emplacou ator e ator coadjuvante. Na minha opinião o filme de Clint é bem mais completo como filme do que o filme John Lee Hancock que se apóia exclusivamente na performance de Sandra Bullock, mas os americanos querem good feeling movies no momento. Então isso explica a indicação.

Nas categorias de coadjuvante, não há ninguém que bata Christoph Waltz (Bastardos) e M’onique (Preciosa), quem chega mais perto é Stanley Tucci (Um olhar do paraíso) mas acho difícil tirar o prêmio destes dois.

Na categoria de ator e atriz a coisa é mais interessante. A interpretação de Jeff Bridges é extraordinária em Coração Louco, mas Colin Firth em Direito de Amar é igualmente forte. Sandra Bullock  já está preparando o discurso, e apesar de ser sua melhor atuação, ela não é nenhum monstro a ser batido. Alias prefiro muito mais a Meryl, mas como todo mundo acha ( e deve ser) que é a única chance dela, enfim…

Assisti até o momento 9 dos 10. Falta um Homem sério. Falo com detalhes dos blocos que se formaram em minha opinião:

1 – Blocos da menções honrosas:

Um Sonho Possível -  Já salientei minha opinião. Gostei do filme mas sua presença na lista é mais política do que artística. Podíamos colocar o lugar Invictus, 500 dias com ela, Coração Louco, até O Anticristo

Up – Altas aventuras Compensando WALL-E ano passado, não é um exagero estar entre os 10 melhores filmes, contudo já vai ganhar animação é aí vai sempre ficar mais difícil para um desenho ganhar outra coisa, entretanto trilha sonora tá no papo

Preciosa – Sundance e a crítica levou o filme até aqui, mas não passa disso. Filme ótimo, poderia ter se tornado em um melodrama besta e forte mas a combinação entre o diretor e os atores foi perfeita.

Educação – Eu pessoalmente gostei muito do filme. Ao contrário das produções inglesas habituais esse filme é muito engraçado. Méritos de todos, mas principalmente de Carey Mulligan que traz uma interpretação na medida, sobre uma menina de 16 anos (detalhe ela tem 24) que se envolve com um homem mais velho que pode trazer uma vida muito mais emocionante do que a vida de estudante que ela costumava ter. ótimo mas é o mesmo caso de Preciosa.

Bloco 2, acima da média mas não é ano deles.

Distrito 9 – Já é um clássico. Revitalizou a FC. é sul-africano. É extremamente original e diferente de todos os outros filmes americanos concorrentes, exatamente por ser um estrangeiro (Sim, é um filme de produção estrangeira). A indicação já um ganho, sua violência e abordagem diferente possivelmente já o tiraria de uma lista com 5.

Amor sem Escalas – Poderia ter sido o Beleza americana do ano. Atuações ótimas, um roteiro atual e esperto fizeram o filme ser ovacionado pela crítica e creio que muito ainda consideram o melhor do ano. Contudo, o momento do cinema é retratar a guerra e os temas universais em relação a essa. Vai faturar roteiro com certeza e só.

 

Bloco 3 – A zebra!!!!!!!!!!!!!1 Que pode ganhar

Bastardos Inglórios – Quentin jogou tudo em seu filme lendário. Conquistou o mundo no meio do ano. Na minha opinião deveria ganhar, pois já é um clássico e o melhor filme do Quentin. Politicamente está quase morto no jogo como a terceira opção, ganhou o Sag, o que prova que ainda há poder. Principalmente por que nas novas regras Avatar e Guerra ao terror podem se anular e a terceira opção ter mais pontos que os dois.

 

Bloco 4 – A VERDADEIRA BRIGA

AVATAR – Outro projeto que os críticos queriam ver afundar, mas Cameron é imbatível e perfeito na concepção de suas obras. Avatar é visto como uma alegoria da Guerra do Iraque e da autodestruição que a humanidade faz. O tema é batido, simples, porém o que mais encanta é a realização do épico, a realidade dos personagens na tela e o uso revolucionário do efeito 3-D.

 

GUERRA AO TERROR – A direção está garantida na minha opinião, apesar de ter um ator com uma atuação ótima e a mão firme de Bigelow ao retratar o suor dos soldados, as moscas e o efeito constante de suspense que o filme tem desde o minuto inicial até o final que o tornam poderoso. É um exercício estético no todo, muito bem executado. Aqui no Brasil ele não tem o mesmo o apelo que nos States, isso porque a Guerra retratada é muito pessoal. Em um país que se enfia em guerras ano sim, não não, as consequências pessoais só tinham sido exploradas no Franco-Atirador como traumas, aqui ela é pela primeira vez demonstrada como droga. e um filme sobre soldados, mas tem muito subtexto político a respeito da situação atual dos Estados Unidos. Acho que ele está ligeiramente a frente nessa reta final. Avatar é torcida maior.  Mas acho também que o Bastardos pode ganhar hoje a noite.

Veremos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Brasas, As – Sandor Marai

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Sandor Marai é O escritor Húngaro. Primeiramente porque eu não conheço outro escritor húngaro vertido para tantas línguas quanto ele, segundo pois ele escreve maravilhosamente bem, ainda que a angústia de seus personagens crie um universo sombrio ao nosso redor.

As brasas foi o romance proibido de seu país e só republicado 41 anos depois após sua morte por suicídio em 1989. Não é um mero detalhe que a morte brutal do autor, que atirou com uma espingarda em si mesmo, ressuscitou este romance que fala sobretudo do fim da vida e todas as mágoas que carregamos conosco. Contudo creio que o detalhe mais significante para desencavarem o romance foi a queda da União Soviética.

Em 1940 o general recebe um chamado de que, Konrad,  um velho amigo foragido há 41 anos irá fazer-lhe uma visita, logo sua mente começa a divagar sobre a vida que os dois tiveram juntos, desde a infância até o momento em que Konrad foge para os trópicos. A relação destes dois escapa de uma amizade comum, ultrapassa as questões sociais (o general é de uma família nobre e Konrad é de uma família pobre), e em dado momento até ultrapassa o Eros das relações humanas. Contudo no dia em Konrad fugiu um segredo foi desencavado e o general encontra-se em solidão permanente por 41 anos esperando o momento de sua vingança. Esta não será física e muito menos com ódio, mas sim com palavras e  com o amor traído que os dois homens tinham entre si. Em sua primeira parte podemos até ver elementos homoeróticos, contudo creio que Sandor está tratando da amizade em sua forma mais pura, um sentimento forte que pode unir os diferentes. Na segunda parte do romance com Konrad já na mansão o general vai utilizar toda sua retórica nas acusações e nas exposições de sentimentos. Qual o segredo que pode se arrastar por tantos anos nas vida de dois velhos acima do setenta?  Estas e outras questões vão ser a síntese do romance, revelar mais pode ser prejudicial a leitura.

A prosa de Marai é angustiante, até as últimas páginas você está hipnotizado por esta história simples mas que contem muitos dos laços humanos que cruzam em nossas vidas. Com certeza não foi por essa prosa existencialista que o livro fora encarcerado por quase 50 anos,  mas por um posicionamento explicitamente contra o socialismo soviético estampado no personagem de Konrad que se exilou no exterior por ser contra a guerra e as mudanças sociais na Hungria, que também está escondido nas entrelinhas.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

FITA BRANCA, Michael Haneke

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Uma das coisas mais tristes ao sair do cinema é ficar decepcionado com aquilo de que você esperava muito. Não me divirto nem um pouco quando tenho que vir a público e dizer que é um droga, ou que poderia ser melhor. Não é caso aqui, mas eu quero ilustrar que eu me divirto imensamente quando eu posso criticar nossa talentosíssima indústria de produção e distribuição brasileira. Vamos primeiro ao causo e depois a crítica.

Eis que minha pessoa sai ávida do serviço para ver o filminho em questão em um cinema lá na Vl. Madalena, quase que a sessão começa sem mim, mas eu chego a tempo de uma pequena exaltação de ânimos, digamos, na bilheteria. A razão meu olho já localiza. O aviso que está grudado na bilheteria informa “que o filme tem legendas brancas e é em preto-e-branco, o que pode vir a tornar difícil a leitura”. Lógico que se seu alemão estiver em dia você não notara, considerando que não sei nem pronunciar “danken” corretamente, meu comentário foi “ouch” com a esperança de que não tinham feito essa caquinha com o filme alemão mais importante do ano passado. A esperança é um característica exclusivamente humana, para o pessoal do Cine da Vila ter tido de colocar um aviso prévio eu  não devia nem ter pensado essa besteira. Vamos dizer que eles foram bonzinhos com a situação, pois em certos pontos de paisagem com neve ou do trigo aos raios de sol, imagens de uma beleza sublime, o narrador contando a história, e você apertando os olhos para distinguir branco no branco, o que  é mais uma prova da perseverança humana contra todas adversidades e são grandes narrações que ligam a história.  Os risos irônicos no cinema perante a situação pululavam enquanto você adimirava a fotografia do filme.

No fundo posso dizer que parece não ter me prejudicado, graças a um esforço de minha retina, alguma palavra ou outra que parece com inglês e ir pescando quando tinha um pouquinho de preto no meio. Essas técnicas me salvaram para entender a história, entretanto bota barbeiragem nisso! Não notaram que algumas partes são IMPOSSÍVEIS DE LER! Posso estar falando bobagem pois não sei nada da técnica de projeção, mas creio que se nós fomos a Lua, construímos as Pirâmides, criamos Lost e atravessamos todo dia São Paulo, dá para colocar uma legenda com cor ou algo do tipo. Certo?

A Fita Branca é o novo filme de Michael Haneke, o mesmo de Violência Gratuita, o que já nos diz que é um filme tenso. O filme ganhou os principais prêmios internacionais do qual participou (Globo de Ouro e Cannes) e só não digo que é o favorito ao Oscar de estrangeiro, pois ali é loteria, não tem lógica. A história se centra em acontecimentos estranhos em uma vila da Alemanha pré-guerra. Os acontecimentos que estarrecem a população local são crimes cometidos contra crianças durante o ano pré-Primeira Guerra. Do cavalo que tropeça em aram,e ao final do filme vemos uma galeria de personagens envolvidos em diferentes graus com a violência que contribuem para uma reflexão geral do filme. Temos uma família de cristãos, o pai um pastor que governa a família com punho de ferro e suas duas crianças Klara e Martin, em fase de adolescência, ou seja, em fase de rebeldia contra a ordem da casa. Ao redor dessas crianças circulam outras do colégio em uma espécie de clubinho, que coloca um tom macabro em suas aparições. Temos o Barão com o casamento ameaçado com a Baronesa. Eles simbolizam a aristocracia do vilarejo em franca decadência. Uma família de pobres proletários que são os primeiros a sofrer as consequência dos crimes. Há ainda a família médico, a filha que pode estar sendo abusada sexualmente, o filho menor, sua babá que é sua amante ocasional e  tem um filho com Síndrome de Down. O personagem principal é o professor do colégio da vila que assiste ao desenrolar dos acontecimentos nos narrando a história e ao mesmo tempo narra sua própria história de amor com a primeira babá do Barão.

Com tantos personagens estamos quase em um filme de Altman, e apesar de não se resolver o mistério ao final dos créditos de maneira usual com culpados e bandidos, temos uma impressão muito forte que as crianças do vilarejo estão envolvidas nos crimes . Não há muito espaço para se pensar em qual é a mensagem desse filme, ela é explícita quando se olha o todo. Como ele é narrado por um personagem, este filme nos dá uma visão dele sobre os acontecimentos e ele tem a hipótese que fica na cabela do espectador desde o primeiro frame, esta sempre contida em sua narração  “pode servir para elucidar muita coisa que ocorreu depois na história deste país”, e logo depois ele vem com uma outra resolução “pois eu deveria ter desconfiado da atitude estranha daquelas crianças naquela época”. Por si só este já é o ponto central do filme, toda a salada que eu descrevi serve em primeiro lugar para tirar o foco desta ideia que ele vai defender com toda força no final e depois para aumentar o grau de significação da história no ponto que a violência contra crianças é odiosa, mas temos com as demais histórias um grau a mais de violência entre a sociedade humana. Ninguém é inocente no filme. Há uma crítica a religião pesada, escondida nas entrelinhas, como se fossem os principais culpados e sobretudo ao véu de ignorância que colocamos nos rostos, fechar os olhos perante a monstruosidade e usar uma máscara em forma de fita branca para esconder os demônios de nossa selvageria. a fita branca é um disfarce que a sociedade cria para esconder e com o tempo ela se transforma com uma fita vermelha com a suástica no centro. Tudo que o filme mostra é uma alegoria do que estaria por vir, a obra de Haneke mostra que nós buscamos tudo aquilo que aconteceu em nossa sociedade ocidental, que nós buscamos todo o mal nos aflige e nesse filme ele foi ao limite desse pensamento e o mais incrível e´que é sua obra mais sutil, mais aberta, mas ao mesmo tempo fechada para outras interpretações.

Um dos grandes filmes do ano sem dúvida, mas seria melhor se a legenda fosse amarela, mas isso não culpa do Haneke.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

UM OLHAR DO PARAÍSO, de Peter Jackson

 

um olhar do paraiso Se você achou que após o mundo azul de James Cameron nada mais poderia te encantar na tela grande, o diretor mais visualmente impactante dos últimos anos não poderia deixar esta briga ser vencida tão facilmente por Cameron e fez do mundo colorido de Um Olhar do Paraiso uma outra experiência visual que o transporta em todos os sentidos para o drama de Susan Salmon, uma menina cruelmente assassinada na década de 70 presa entre sua vontade de voltar para casa e a passagem natural a um outro plano. Longe de ser o primeiro filme espírita do mundo, Um Olhar do Paraíso faz o que Peter Jackson mais se habituou a fazer, criar emoções a partir da fantasia.

A tarefa é quase uma loucura cinematográfica que vai deixar muita gente insatisfeita,  pois ele vai tentar combinar dois pontos muito distantes entre si. De lado a história é de um crime hediondo executado a sangue frio e muito próximo da realidade, e no outro lado a criação de um mundo de aquarela que simboliza o paraíso de Susan, belo em todos os sentidos e trágico ao mesmo tempo. Esse contraste é conduzido com um pulso firme, apesar de não funcionar todas as vezes não chega a prejudicar o andamento do filme. Susan (Saoirse Ronan, a menininha chata de Desejo e Reparação no caminho para ser um a grande atriz) é uma menina comum que adora tirar fotos e sonhar com rapazes, um belo dia voltando para casa encontra o vizinho Sr. Harvey (ótimo Stanley Tucci) que a assassina de forma brutal. A Partir daí ela vive em seu paraíso observando a vida de seus pais (Mark Wahlberg e Rachel Wiesz discretos) em meio a dor e o assassino já pensando em sua próxima vítima.

O filme tem partes tensas, contudo não espere cenas fortes como em a Troca, ou uma violência explícita, Jackson cria mais tensão com o andamento que dá ao personagem de Tucci, um assassino sangue frio revelado desde o primeiro minuto do filme, metódico e impenetrável. Ele passa o tempo rememorando os seus assassinatos, não tem um pingo de remorso ou de qualquer psique que demonstre o porquê de suas ações, ele é um psicopata tão distante do expectador que é assustador! Saoirse é o outro ponto forte do filme, muito mais encantadora do que sua última personagem em tela grande, consegue dar vida ao mundo imaginário de Jackson, que por si só é um show a parte. A história começa a tomar uma outra linha quando o pai de Susan começa a investigar por si só o assassinato da filha e devo dizer que um dos melhores atrativos é que a história vai tomar rumos que não são tão óbvios com o decorrer da projeção até seu final em narração que dá um sentido final a toda a viagem de Susan. Belo e trágico ao mesmo tempo, porém quase se incinera também no final.

Me parece (é só um palpite) que a produção, apesar de Peter Jackson estar no meio, ter  tentado aos 45 do segundo tempo mudar um pouco o final do filme para algo mais tradicional, e eis que no meio da narração final de Susan nos aparece um cena que não tem nada a ver com filme até o momento, quase um ato desesperado de tornar o filme mais acessível ao público e totalmente desnecessário e do ponto de vista artístico, uma barbeiragem total. Não é nada que destrua o filme, mas você sai com a noção de que não precisava ter visto aquilo. E eu convido vocês a verem o filme, e porque eu não quero dar nenhum spoiler, me digam se localizaram e se concordam comigo, enfim… continuando não é o melhor filme de 2010, mas é mais um trabalho competente do hobbit mais imaginativo da Terramédia, vale a pena o ingresso.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Amor sem Escalas, Jason Reitman

amorsemescalas

 

E a tradução brasileira faz mais uma vítima, lógico que a intenção é fazer o filme vender mais, contudo imagino as menininhas apaixonadas que veem um cartaz de um filme com Amor no cartaz correrem para dentro da sala de exibição e ficarem chocadas com o triste filme de Jason Reitman, em que happly ever é um conto de fadas.

Amor sem escalas é um filme sobre muitas coisas mas com toda a certeza não é sobre amor. Até a mais apaixonada personagem sucumbe a realidade do mundo ao levar um pé na bunda via torpedo. Up in the air, seria traduzido como Sem chão, Nas nuvens, Pairando no céu, muitas opções mas nenhuma que tenha Amor no título, pois é sacanagem vender o filme desta forma.

Ryan (George Clooney em interpretação sutilmente eficaz) é um funcionário de  um singular empresa que demite as pessoas no lugar dos chefes. Não entendeu? Bem simples. Um belo dia aquele funcionário de 20 anos de empresa precisa ser despedido e como o chefe não tem coragem, surge  Ryan que vem com toda a sua lábia demitir o coitado e lidar com qualquer reação que esta tenha. Estranho? Bastante, não pesquisei para saber se uma empresa deste tipo existe, mas eu creio que exista quase tudo no mundo. A grande sacada desta história é ver como ela se encaixa na atual situação americana, com demissões em massa e muitos desempregados. Em dado momento o chefe de Ryan comenta a respeito e informa “Este é o nosso momento!” frase que escancara a crítica e dá o tom de um filme em que permeia um humor negro muito sutil vindo principalmente os monólogos interiores de Ryan.

Ryan é um personagem que detesta os laços humanos, odeia ficar em casa (no último anos ele passou 43 dias em casa e odiou) e passa maior parte da vida sobrevoando os Estados Unidos e demitindo pessoas por outros. Sua grande paixão, aquilo que o deixa bem, é ficar dentro de um avião ou de um hotel. Em uma dessas viagens ele conhece uma pessoa como ele, Alex (Vera Farminga), ao qual mantém uma espécie de relacionamento casual que irá crescer durante o filme.

A outra mulher que vai intervir na vida de Ryan é  Natalia (Anna Kendrick) ao quem ele precisa treinar no serviço. Essa personagem tem um plano revolucionário para a empresa que é cortar as viagens dos funcionários, com meio de cortar despesas. Para isso as demissões agora serão feitas por videoconferência! Além de receber a notícia de que depois de todos esses anos seus serviços não são mais necessários, a pessoa verá isso por meio de um computador, nem mesmo uma pessoa virá informá-lo. Toda essa trama vai culminar em todas as suas ramificações para criar um mundo em que a impessoalidade é total.  Um mundo muito próximo do nosso e por isso, e principalmente por seu final, é que este filme está sendo ovacionado, merecidamente, diga-se de passagem. Ele pega todas as regras de uma comédia romântica, cria uma história tão agradável, em que as coisas podem dar bem para jogar seu espectador no limbo da depressão.

Possivelmente é um dos filmes mais tristes que já vi no cinema, muito um função da interpreta ção de George Clooney e pessoalmente pois sinto que muitos de nós estamos caminhando par virar um eventual Ryan e o que fica bem claro é que certas coisas, decisões ou fatos da vida, não tem volta. Talvez o mais aterrorizante seja ver em sua palestra sobre se desapegar das coisas da vida (tanto materiais como humanas) para poder viver, e você secretamente concordar com essa visão de mundo pois ele é muito bem escrito para evocar a emoção certa na hora certa, por isso também que seu final é tão destrutivo. Vão assistir pois é um filme que reflete o agora, com ótimas atuações e um roteiro esperto, mas fica o aviso para os mais sensíveis não há nada de Amor no filme.

Moedeiros Falsos, André Gide

 

Moedeiros falsos_2.indd Quando li Os subterrâneos do Vaticano, fora porque eu tinha ouvido falar bem do livro em minhas excursões pelas várias listas de melhores livros do mundo, e também porque em uma de minhas habituais idas a sebo no começo do ano eu tinha achado uma edição de 1971 à preço de banana, o que era um sinal divino para a aquisição e leitura. Creio desde essa época eu não vejo uma edição de qualquer livro de Gide nas nossas livrarias, muito menos nos sebos. Agora na passagem de ano, uma das melhores editoras nacionais de literatura resolveu republicar a obra de Gide em traduções nacionais lançando quatro títulos de uma vez incluindo o já citado com nova tradução, Os Porões do Vaticano.

Os Moedeiros falsos é sua obra mais importante no âmbito do panorama mundial. é romance sobre a construção do romance e também sua primeira obra que mexe com o homoerotismo explicitamente, tema que será recorrente na década 20 e tem como ápice o livro Corydon, um tratado em prol da liberdade sexual.

Moedeiros acompanha vários personagens pela ruas de uma Paris do começo do século, todas elas transitam pela arte e pelos relacionamentos humanos. Os fios condutores são Bernard, um menino que se descobriu bastardo e fugiu de casa para vencer na vida sozinho. O amigo deste, Olivier, um menino a qual todos reconhecem ter um grande talento para artes e será disputado no decorrer do romance por todos os personagens, e tio de Olivier, Edouard, um escritor famoso de meia idade que tem uma paixão platônica e sonha em escrever um  romance de ideias, Os moedeiros falsos, assim com Velásquez pinta a si mesmo no quadro das garotinhas ou Charlie Kaufman, explica o processo de construção de um roteiro no fantástico Adaptação, a grande sacada deste romance é esse espelho que faz com a obra que está lendo, sendo que o personagem principal é Edouard, reflexo claro de Gide.  Edouard quer escrever um romance sobre a vida, totalmente real, mas que não tenha uma história propriamente dita, em parte é a estrutura do romance visto que em dado momento há tantas coisas acontecendo que você não sabe mais qual é o fio narrativo principal, contudo o livro não é completamente solto de um estrutura sendo que as histórias que o iniciam tem um final, outras desaparecem no interior da narrativa. O capítulo principal para que isso aconteça é o final da segunda parte em que o narrador comenta cada um dos personagens que criou, como se estivesse impotente para modificar seus atos, e outros ele resolve não falar mais na terceira parte como é o caso de Lilian.

Dentro da sub-histórias, temos um homem querendo reencontrar o neto. Este sendo uma criança fechada e tem uma relacionamento bonito com uma outra menina. Um escritor vaidoso que todos odeiam, a paixão de Edouard estando grávida de um adultério, o irmão mais velho de Olivier como conquistador barato, e o mais novo se encarregando ao final do livro de dar um sentido ao título sendo que ele põem em circulação moedas falsas na cidade. É um livro de difícil classificação visto que flerta com todos os gêneros, e ao mesmo tempo não pertence a nenhum, de uma habilidade narrativa extrema e de um final perturbador que de tão sombrio sua significação, pessoalmente, me remete ao lado negro da vida que é velado em várias histórias. No todo o livro constitui um panorama sobre a vida dos indivíduos na cidade  e na incapacidade da arte de conseguir retratar de maneira real os fatos da vida. Edouard diz que não usara a tragédia que se abate aos personagens no final do romance, por questões morais e pessoais, mas já está lá descrito pelo narrador, as limitações que Edouard põem ou quer colocar em sua obra é aquilo que impede de escrever e sobre as diversas fases da escrita do romance este livro é um primor da metalingüística. Vale a leitura, um clássico sempre vale.

sábado, 23 de janeiro de 2010

DEIXA ELA ENTRAR, Tomas Alfredson

 

deixa-ela-entrar2 Os clássicos podem aparecer de algumas formas, mas sobretudo de três maneiras. Ele já vem com cara de filme grande, gera muitas expectativas e muita gente torce pro maldito afundar mas não consegue, como exemplos práticos temos desde E o vento levou até o recente Avatar. Também podemos ter aquele filme que é descoberto depois em dvd mesmo, como À espera de um milagre e tem aquele filme que escapa de todo radar cinematográfico em alerta, normalmente uma produção pequena que se destaca por sua ousadia, caso do recente Distrito 9 e desta pérola sueca.

Em tempos em que o conceito original de vampiro está sendo reinventado a cada dia, sendo que, recentemente, sua pele virou diamante (vocês nunca pararam para pensar como isso é herético!?), é bom ver o velho mito em tela grande tal como foi criado, inclusive a regra mais estranha que as histórias costumam ignorar, que é a de que um vampiro só pode entrar na casa de alguém se for convidado. Alias, a última vez que vi alguém respeitar isso foi em Buffy, a caça-vampiros, os vampiros eram parados por alguma barreira invisível na porta das casas dos moradores de Sunnydale sendo que essa até hoje era a interpretação mais plausível para essa parte da lenda, contudo devo informar que Tomas alfredson criou uma cena muito mais fantástica para explicar isso. Alias, creio que todo o filme deve girar em torno dessa cena, tanto é que o título do filme se remete a esse detalhe.

Oskar (Kare Hedebrant) é um menino de 12 anos, sensível e infernizado dia-a-dia pelos valentões da escola. Em sua casa ele fica imaginando o dia em que vai se vingar. Eli (Leni Leandersson uma promessa de grande atriz) é uma vampira e sua nova vizinha, também de 12 anos mais ou menos. O filme não te enrola. Ele vai direto ao ponto por meio de um terceiro personagem que é o pai de Eli, um sujeito atormentado pois se tornou um serial killer, visando proteger sua menina. Antes dos minutos iniciais ele já está assassinando um jovem para coletar sangue, contudo ele já está demasiadamente conhecido e seus ataques costumam a não dar certo, sendo que em dado momento Eli vai ter que se virar sozinha. Parte do drama é que os vampiros não são seres  bonzinhos que podem comer outra coisa, ou podem só tomar sangue de animais, eles tem que sugar sangue humano e fresco! A genialidade é que, assim como Freud inaugurou a psicanálise e Otto Lara Resende fez um clássico da literatura  nacional ainda não descoberto (A boca do inferno), o filme nota também que as crianças não são boazinhas. Isso pode ser visto tanto na gangue de pentelhos que enchem o saco do protagonista, quanto na imagem que Eli faz do mesmo. Não há nada de bonitinho no mundo infantil do filme, a única coisa tocante é o relacionamento que vai se desenvolvendo entre os dois protagonistas.

No todo o filme é uma história de amor infantil, tão interessante quanto o clássico da sessão da tarde Meu primeiro amor, e se não mais tocante. Há algumas transgressões interessantes na estrutura desse romance, pois ao mesmo tempo em que temos a ingenuidade própria da idade há um relacionamento que transcende  o básico, um amor platônico que fica no silêncio entre os dois, ou sentimentos mais sensuais entre os dois como Oscar expiado Eli trocar de roupa, ou ela própria se embrenhando nua em sua cama.

E logicamente a genialidade maior reside no diretor que consegue combinar gêneros variados na sua obra. Sim, é um romance. Macabro, mas um romance. Contudo ele  combina isso um verdadeiro encadeamento de assassinatos e cenas fortes com uma suavidade incrível. Você não abstrai desta história que em certos pontos refletem as sutileza dos gestos dos protagonistas e em outras surge um homem deformado caindo 7 andares abaixo. Essa talvez a principal qualidade da obra, a sua direção competente. Tomas lembra muito Wong Kar-Wai na relação dos personagens com o espaço, ou como o espaço físico reflete as personagens em certos momentos, mas ainda tem pulso firme para criar a tensão, simulando a violência mais do que mostrando-a. No final do filme isso fica ainda mias claro, pois ele vai aos extremos desses dois tópicos sem perder o filme.

Um romance fantástico, vale muito a pena assistir. Só para salientar ele já ganhou 57 prêmios desde sua estreia em 2008, sendo que está indicado ao Bafta de Filme estrangeiro deste ano. Quando vai estrear? Estreou em setembro, só na rede Unibanco de cinemas.e ainda está passando em uma sessão especial há 00:00 de sexta a domingo, vale salientar que sessão especial no Unibanco é coisa chique, e que romance tocantes com genocídio no meio é algo único e que a Suécia é terra do Bergman e do Nobel e… é muito bom! 10.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ervas Daninhas, Alain Resnais

Ervas_Daninhas Ao final da projeção a plateia já deveras atordoada com o rumo dos acontecimentos é brindada com um sequência de passeios com câmera até chegar no rosto de uma garotinha, que por sua vez faz a seguinte indagação “Quando eu for um gato posso comer comida de gato?”. E o filme acaba e nós ficamos no vácuo tentando localizar onde isso se encaixa na história que acabamos de ver. Lógico que há pessoas que vão sair irritadas do cinema, outras vão sair como se tivessem descobrindo algo mas não soubessem exatamente o que é, e há pessoas que vão se divertir bastante com as situações absurdas do filme. Atualmente aos 87 anos o enfant terrible do Nouvelle Vague continua a chamar as pessoas a sala de projeção sem ter um estilo específico e sempre surpreendente.

Dentro da obra diacrônica de Resnais esse é uma continuação temática de seu último trabalho Medos privados em lugares públicos,  vide que a matéria prima do filme são as intricadas relações humanas, contudo é totalmente diferente em sua concepção, se em Medos o maior charme está nas histórias que se entrecruzam em uma Paris paralisada com a Neve, o roteiro de  Ervas Daninhas é extremamente simples sua execução que é complexa.

Marguerite (Sabine Azéma que também estava em Medos Públicos) é uma mulher estranha que tem sua bolsa roubada, Georges Palllet (André Dussollier, perfeito) acha sua carteira e partir daí começa um caso de amor a primeira vista, ou a primeira neurose vide que Georges é outra pessoa muito estranha. Parece simples mas não é, Resnais destrói a primeira premissa de amor à primeira vista quando ele só se encontram no terço final do filme e Georges pergunta para riso geral “então você realmente me ama” . A relação desenvolvida antes disso é quase uma psicose de Georges em perseguir Marguerite no telefone, espionando-a e imaginando em sua própria solidão o porquê dela não querer conhecer a pessoa que encontrou sua carteira. Depois que ele para de  importunar-la é a vez dela de se sentir angustiada com a solidão que a falta dos telefonemas de Georges. (?). Paixão? Loucura? Psicose? O fato é que um relacionamento estranhíssimo.

Junte-se a isso o fato de termos vários gêneros dentro do filme do romance, a sátira deste, temas noir, comédia de humor negro e um desempenho estrondoso dos dois atores principais, aliados a câmera nada simples de Resnais que filma os dez primeiros minutos sem mostrar o rosto dos personagens, usufrui de câmera lenta, sátiras do cinema e joga ervas daninhas em nossa cara toda vez que a história toma outro rumo. O enfant terriblé! Se à algo constante no filme é seu clima de surrealismo que só se torna perceptível no final quando você já está atordoado, mas pontua o filme desde de seu início (Ele começa com uma grande descrição de pés), pronto a salada está completa.

Outro ponto importante da película é o fato de escutarmos o pensamento dos personagens e como sas neuroses são pautadas por coisas sem importância, ou mais especificamente por besteiras. Georges começa sua perseguição pelo fato de Marguerite no telefone não ter querido conhece-lo pessoalmente, Marguerite por sua vez vai atrás dele primeiro por querer saber se ele está bem, depois por ele não estar mais reparando nela. Esses pensamentos de situações pequenas que se desenrolam em tempestades interiores talvez sejam as ervas daninhas do ´titulo, aquilo que começa pequeno e depois é calo no cérebro nos incomodando de maneira importuna. Assim também é a última frase do filme, que por parecer não ter lugar dentro da história fica remoendo em nossas mentes. Um presente de Resnais para seu público? Talvez. Com 87 anos e ainda um enfant terrible.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SHERLOCK HOLMES, Guy Ritchie

sherlockholmes "Elementar meu caro Watson" não é proferido nenhuma vez, Sherlock arrebenta a cara de dois gorilas logo no início da película e sua arrogância e sarcasmo pululam nesta encarnação do personagem por Robert Downey Jr. Com certeza esse não é o Sherlock Holmes que você conhece muito menos que eu conheci, Entretanto quem se aventurou a conhecer a obra original de Sir Arthur Conan Doyle se alumbrava ao descobrir um Sherlock também diferente das transposições cinematográficas. O Sherlock de Doyle é muito mais introspectivo, usa drogas e está muito mais para o nosso tradicional anti-herói do que para o símbolo de boas virtudes, mas o que podemos esperar de alguém que se diverte memorizando cada tipo diferente de terra nos arredores de Londres?

Talvez por isso essa adaptação fosse tão aguardada, uma promessa de fazer um filme mais próximo do ideal do detetive estranho criado há dois séculos e também porque o último grande filme com Sherlock Holmes do qual me lembro se centrava em sua infância e passa na Sessão da tarde (logicamente picotado), contudo fora uma superprodução para a época e uma reinvenção inteligente do personagem, o filme foi o Enigma da pirâmide. Desde então não havia uma superprodução como a que foi designada para este filme que, alias, já está pronto há mais de um ano.

A abordagem segue uma fidelidade estrutural na obra de Doyle e em certos personagens, mas com a já habitual necessidade de adaptar a novos tempos (e leiam-se aí adolescentes), o filme ganhou ares mais modernos em seus protagonistas, e em especial no personagem de Sherlock que afasta a imagem do detetive velho, fechado e anoréxico e entra o galã da meia idade redescoberto Robert Downey Jr, forte e sarcástico. As mudanças já eram previstas na pré-produção sendo que quem abraçou o projeto foi o bad-boy Guy Ritchie, que para quem não conhece é o ex da Madonna e é o Quentin Tarantino inglês, o que já demonstrava o caráter dirty real estético e ação incessante que o filme iria ter. Quando saiu o trailer já se comprovou tudo o que era pensado a respeito, Sherlock Holmes estava de volta em grande produção e em um filme que vai reintroduzir o personagem na cultura pop. Mais afinal de contas, o filme é bom?

Sim ele é. Temos três situações distintas: Se você é um ignorante no assunto vai encontrar um filme legal em que vai se divertir bastante com a história e química entre os dois personagens. Se você conhece um pouco do universo e sabe que Baker Street não é uma novela tosca do Jô Soares, e sim a rua em que Sherlock incomoda a todos com seu violino, mais precisamente no 221b, você vai gostar de ver a nova versão e ver a série de citações e homenagens ao universo de Sherlock, estão todos no filme até mesmo o Moriarty. Se você é do Hard core fan-club (e eu não sabia que existiam tantos), você vai achar que faltou algo no filme, e será o Sherlock Holmes dos livros, pois a transposição interessante de Downey se parece mais com ele do que com o personagem clássico.

A trama é relativamente simples, sendo que as complicações estarão ligadas aos mistérios do sobrenatural que Lord Blackwood (Mark Strong, em papel bem simples) expõe na tela. Sherlock já começa indo atrás do vilão e o prendendo por múltiplos assassinatos envolvendo magia negra, após a morte deste por enforcamento o mistério continua, pois ele volta dos mortos e os assassinatos continuam, aumentando sua fama e o medo em Londres. A isso se junta os problemas de relacionamento entre Watson (Jude Law muito bem) e Holmes, já que Watson está partindo para a ventura do matrimônio e Irene Adler (Rachel MacAdams), o grande amor da vida de Holmes reaparecendo o que significa mais problemas.

É um filme que se centra muito mais no contraste entre a ação ininterrupta e a comédia inteligente de Ritchie, que não consegue fazer nada próximo do drama, mas não passa disso também. Creio que seu único defeito está na parte estrutural, que ironicamente foi a transposição mais fiel da estrutura dos livros, pois quando chegamos ao final da projeção em menos de cinco minutos Holmes resolve todos os mistérios do Lord Blackwood, em uma verborragia à la Robert Langdon, que pode deixar muitos espectadores, com o olhar “what a fuck?”, pois as resoluções são bem inventivas. O que funciona muito bem no livro, no cinema fica maçante, porém é só um detalhe. Vale o ingresso para pura diversão.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

UM SONHO POSSÍVEL, John Lee Hancock

      o_lado_cego   Deus do céu. Sandra Bullock vem forte para  o Oscar!!!!! Seu papel não é algo extraordinário, mas a boa imagem do filme, seu sotaque e uma performance bem diferente do usual devem garantir uma indicação para a bela quarentona. Se a Julia Roberts conseguiu, torçam os dedos.
         O filme no caso ainda não foi lançado no Brasil, contudo como faço parte da Associação Estrangeira de Hollywood eu já vi rá.rá.rá. Pelo menos o exemplar que vi saiu desses DVDs que são distribuídos para eles, mas não digo como tive acesso a isso, pois não vou queimar minha fonte. Em todo caso resolvi assistir este dessa forma, pois de acordo com o histórico de filmes que tem o futebol americano como centro em território brasileiro, não vai importar que ele não se centre nisso, que seja para toda a família e que seja um filme emocionante de amizade... Ele vai passar direto por nossos cinemas! Se você por acaso ficar com vontade de assistir não espere uma segunda chance quando ele sair.
         A história é bem básica: Uma mulher rica e de vida totalmente resolvida se depara com o grande moço Michael, que apesar da idade avançada esta nas primeiras séries do Ensino fundamental americano, ela acaba o ajudando por uma noite pois ele não tem onde ficar, o que acaba virando uma temporada inteira, um apego com a família e uma adoção legal por parte da família daquele menino que tinha tudo para ser mais uma vítima na guerra e gangues, ou alguém sem futuro nas periferia das grandes cidades americanas. Ele se dá bem com todos os membros e devido ao seu tamanho elevado, seu instinto protetor e bom coração a família o incentiva a entrar para o esporte, mais especificamente ao futebol americano. Por que isso? Para quem não sabe não existe USP,Unesp, PROUNI ou qualquer tipo de faculdade gratuita nos States. Contudo a melhor maneira de não pagar os estudos universitários é entrando como atleta da universidade. Milhares de bolsas são distribuídas para os melhores nadadores, jogadores de basquete e tudo que possa existir competição. Depois ninguém sabe porque os caras ganham quase tudo nas Olímpiadas! Não pense que o mérito por intelecto é jogado fora, há bolsas para esses alunos também, contudo é muito interessante que Universidades avaliem o desempenho  poderiam ter mais chances nos estudos, enfim...
        A personagem de Sandra tem um gênio mandão que combina bem com a atriz. Acho que nunca fez um papel dramático que caísse tão bem (Alguém assistiu aquela abobrinha do 28 dias?), lógico que o cômico será pelo resto da eternidade a Miss Simpatia, mas aqui ela sustenta boa parte do longa sozinha. Toda essa caridade gratuita que vai se desenrolando na tela é porque ela põem a veracidade na personagem, o roteiro não explora as contradições que poderiam existir ou conflitos que poderiam recorrer. O filme é feliz, você fica torcendo para que todo mundo fique com o sorriso no rosto no final e saíam abraçados. Ao final da projeção levantam uma questão que poderia tornar a coisa muito mais complexa, mas com mesma sutileza que ela é introduzida, a Sandra manda para escanteio antes que o drama realmente chegasse e você saí feliz do filme. Bem legal, há um certo exagero nas indicações que ela anda recebendo mas é indiscutível que ela é a alma do filme.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

ABRAÇÕES PARTIDOS, Pedro Almodovar

 

   abraços partidos

     Existem muitos casos de amor platônico entre o diretor e seus atores: Woody Allen e Diane Keaton, Ingmar Bergman e Liv Ullman, Alfred Hitchcock e Grace Kelly, Felini e Marcelo Mastroianni. Atualmente podemos dizer que as obsessões estranhas de um certo diretor espanhol começaram a se centrar na esbelta figura de uma musa clássica: Penélope Cruz.
    Não por menos. Penélope é a diva não só de Almodóvar, mas de nove entre dez indivíduos do sexo masculino, e para certas mulheres também. Em Volver seu trabalho tinha sido nada menos que extraordinário, em Vicky Cristina ela roubou boa parte da projeção para ela. Se no primeiro a protagonista era sua personagem durona e sentimental, e no segundo a coadjuvante do filme de Woody é essencial para as múltiplas confusões da trama , nesse novo filme de Penélope a atenção é só pra ela, gira em torno da obsessão de um diretor por sua protagonista. Nada mais metalingüístico do que uma declaração de amor escancarada por parte de Almodovar.    Talvez a palavra para descrever este filme seja esta: a metalinguagem a que se propõem. Um diretor nos tempos atuais ganha a vida escrevendo roteiros. Seu drama é a cegueira que o atingiu em algum ponto de sua carreira e o impede de continuar dirigindo, tanto que adota um outro nome, um pseudônimo que utilizava e encarnou em seu verdadeiro ser. Mas nada de coitadinho, ele se vira muito bem sem a visão. Alias começa a projeção levando uma loiraça para a cama só com a lábia.
    A morte de um empresário o faz relembrar a história da realização de seu último filme, um fracasso de público e crítica e a figura de Penélope, atriz principal do longa casado com um magnata poderoso e obcecado por ela. Penélope e o diretor se envolvem em um tórrido caso amoroso que será a tragédia que o longe sugere. Nada de mais no roteiro, porém as vezes em Almodóvar o que basta é sua realização. As cores fortes, característica principal do diretor estão em sua força máxima, e em cada close diferente em Penélope encontra um declaração de amor não só à bela espanhola, mas à varias musas do cinema como Marilyn, Audrey (principalmente está), Grace Kelly e a lista é extensa. Nada mais lógico, dentro da estrutura ao que se propõem, pois carrega consigo um certo poetismo vide ao fato de Mateo não enxergar, então cada cena de sua lembrança é construída para entrar na memória.
    Ao final do filme suas homenagens chegam ao máximo, ao fechar a cena com a despedida de Mateo à sua amada, um abraço de 17 anos que só se completa agora. E Mateo tem a chance de finalmente montar o filme que queria realizar, mesmo cego ele recomeça o trabalho e a cena que nós vimos ser realizada  trilhões de vezes, aqui parece montada sem os erros e sem a trama ao qual ela se constituiu e o resultado é uma cena engraçadíssima que é nada mais que um homenagem ao seu próprio filme de 89. Mulheres à beira de um ataque de nervos. O filme que revelou Almodovar ao mundo.
    Bem... Em um ano de egos pequenos como um filminho de Tarantino em que ele encerra a projeção dizendo que fez a obra-prima, Almodovar homenagear a si mesmo faz parte da festa. Com certeza esse não é o trabalho mais significativo de Pedro, mas com certeza deve ser o mais pessoal, e se você não liga para nada disso, temos Penélope, que é motivo suficiente para qualquer um.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Temporda de premiações no cinema americano

          Cinéfilos de plantão a temporada de prêmios começou. O globo de Ouro é daqui alguns dias. E alguns nomes já vão pintando nas listas de apostas. A categoria Drama é um embate pesado entre Preciosa, Guerra ao terror, Amor sem escalas, Avatar e Bastardos Inglórios. Em comédia parece ficar mais fácil entre o novo cult 500 dias com ela e o bem bolado Julie & Julia. Tem It’s Complicated correndo por fora, Nine sendo o trofeu de maior projeto ambicioso e fracasso de crítica de todos os tempos (Rob Marshall resolveu mexer no 8 1/2 e transformar em comédia musical, deve ter ficado interessante mas…) e Quando beber não case como a coisa mais estranha da década no prêmio da Associação estrangeira de Hollywood.

            A premiação do Sag seguiu o mesmo caminho, e lista do Producers awards saiu esses dias. Normalmente ela não difere muito do Oscar, mas eu achei estranhíssima:

Melhor filme
Avatar – Ganha cada vez mais força. Citando o blog da Ana Maria Bahiana. Cameron tem o dom de fazer o filme certo, na hora certa.
Distrito 9 – Um ano de Fc finalmente. Eu achei fantástico, mas creio que não tem força para ganhar premios do circuito artístico.
Educação – Ele chega devagar e vai conquistando mais fãs.  O filme retrata a relação entre uma adolescente e um homem muito mais velho
Guerra ao Terror – Leiam na outra página. O iraque sem enfeite. Já nas locadoras.
Bastardos Inglórios – Fantástica fabula. Tem um textinho meu assim que saiu.
Invictus – é clint. Vou ver em breve aguardem.
Preciosa – Esse ta aí em baixo. Desde de Sundance só ganah prêmios. Até Mariah Carey
Star Trek – Estranhíssimo. Sou fã, mas por essa eu não esperava.
Up - Altas Aventuras – Lindo! Para crianças de 1 a 100 anos.
Amor sem Escalas – Queridinho da critica. George Clooney viaja e foge da vida e das relãções humanas.

                  A lista do Oscar deste ano sai mês que vem e dessa vez vai ter 10 candidatos (na verdade estão retomando uma tradição da década de 30) possivelmente vai ser bem parecida.

               Mas tudo isso é para falar que esses filmes devem invadir nossos cinemas em alguns dias ou semanas. Como eles guardam todas as pérolas para essa data fiquem atentos, também para: Onde vivem os monstros de Spike Jonze, fantasia dark for kids. A estrada, outra atuação perfeita de Viggo Mortensen, baseada numa obra perfeita de Cormac McCarthy. A Single man, Colin Forth em um papel tenso de um homem que perdeu seu amor de 16 anos, A Serious man, Os irmão Cohen judiam do protagonista desta nova obra, Uma vida interrompida, Peter Jackson parece ter errado a mão mas veremos… Dr. Parnasus e a nova loucura de Terry Gilliam e o próprio Nine para ver até onde Rob Marshall foi reinventando Fellini.

Preciosa, de Lee Daniels

preciosa 

    Este filme foi o ganhador do festival de Sundance deste ano, é um dos principais concorrentes da temporada de prêmios americanos do começo do ano e é uma história, sobretudo, fascinante.
    “Precious” é uma menina de 16 anos, negra, obesa e grávida do segundo filho. A escola faz uma expulsão educada com a menina enviando para uma escola de indivíduos excluídos onde ela pode tentar recomeçar, isso é se ela própria e os demais acreditarem nela. Contudo o pior pesadelo de “precious” não é essa vida e sim o confronto com uma mãe dominadora e terrível, interpreta da brilhantemente por Mo’nique, que parece existir somente com a função de destruir a menina por dentro.
    É um filme que trata de questões muito delicadas como analfabetismo adulto, miséria, abuso sexual, incesto, AIDS e um sofrimento crescente na qual a personagem de Gabourey se encontra ao longo dos 120 minutos de projeção. Contudo sua abordagem não é assustadora, pelo contrário o filme passa por esses caminhos sem tornar estes os temas principais do longa. Sua temática é a relação desta menina abusada com uma mãe tirânica, sua força está nesse confronto, belamente retratado de uma forma quase documental.
    Aos cinéfilos que adoram procurar coisas estranhas, além das atuações contida e explosiva das duas protagonistas. Fica marcante a presença dos coadjuvantes a começar pela professora que tira “precious” do fundo de sua auto-depreciação, passando por todas personagens da classe, cada uma desenvolvendo uma personalidade específica durante seu pouco tempo na projeção, e também destaco as participações especiais de Lenny Kravitz, como o enfermeiro do hospital e uma irreconhecível Mariah Carey como a assistente social durona. Sério. Creio que Mariah pode ser uma atriz muito melhor que a companheiras de profissão Jennifer Lopez  ou Madonna. Nada mais lógico em um filme em que o contato humano é essencial para o desenvolvimento da trama, na verdade essencial. Vale o ingresso, especialmente porque a cena final de MO’nique é de arrepiar.

Preciosa estreia dia 29 de janeiro.