domingo, 4 de julho de 2010

VOZES DO SOTÃO, AS – Paulo Rodrigues

vozes_do_sotao “Ela me arrancava dento de mim e desviava minha atenção para uma névoa densa que se espalhava pelo quintal (…) Embora calmo, não dava por termina a contenda, pois me sentia poderoso e forte depois de um embate como aquele. Forte o bastante para esfolar um vira-lata, ou para acorrentar no porão da casa o miserável corpanzil de uma negra velha”

O trecho acima demonstra a tensão da narrativa deste trabalho curto e preciso, Vozes do Sótão, é um dos melhores livros lançados atualmente. A história centra-se na figura de Damiano, uma pessoa que desde pequeno escuta uma voz em sua cabeça que é a sua maior companheira e ainda o faz fazer coisas que ele nunca revela. O livro é dividido em duas partes, a primeira “Estrume” é a mais fragmentada em que ele vive todas as épocas ao mesmo tempo, a segunda tem um desenrolar fluído, já que se centra em uma parte específica de sua vida, quando viveu no Uruguai. O livro exige bastante do leitor para se acostumar com fluxo de consciência que é desenvolvido, entre idas e vindas, ao longo da jornada.

Uma das primeiras coisas que notamos é que haverá auxílio para entender a vida de Damiano e do ele está falando, representado por um outro narrador (sim. esse livro é moderno e tem dois narradores) alguém que está investigando os cadernos de Damiano e entra a todo momento da história para explicar o que está acontecendo objetivamente. Essa segunda voz é genial, pois permite que se  desenvolva a personagem de Damiano, na voz do próprio, e ao mesmo tempo resume toda a vida deste em poucos parágrafos, fato que o próprio Damiano diz ser incapaz de fazer no começo do livro por não ter objetividade.

Segunda coisa é observar como ele é um personagem totalmente destruído pela família, a mãe o chamava de estrume, o irmão o odiava, não tinha amigos e sua única paz era se esconder no sótão onde começa a ouvir a voz e guardar bugigangas de um passado melhor. Para escapar da família ele casa com um moça que será sua perdição, traindo-o constantemente e brincando com seus sentimentos, até ele dar um basta na situação e se mudar para o Uruguai, onde começa uma segunda parte ainda mais intensa e um pouco mais linear.

A voz narrativa de Damiano cria muita tensão em suas linhas porque a violência de suas palavras não param, em todo momento ele evoca mortes, palavrões e sentimentos reprimidos dentro de si. Imagens fortes como a evocada no trecho pululam no texto. Contudo quando analisada de maneira linear, a historia de Damiano acaba sendo a historia de uma vítima constante, em nenhum momento ele evoca as maldades que comete, (será que cometeu?) nem mesmo a voz do segundo narrador explicita alguma coisa referente a alguma maldade adormecida em Damiano, ela só se limita a dizer que fez “coisas horríveis”. Essas insinuações nos fazem cogitar diversas coisas desde a veracidade do relato, até preencher pontos da história que estão obscuras com nossas próprias ideias.

Dentro do que é mostrado pelo texto é certo que o personagem é um indivíduo castrado emocionalmente, que sofre males de pessoas que querem e vão se aproveitar dele. Tudo o mais são artimanhas do texto que operam de forma subliminar em nossas cabeças, como uma voz dentro de nossas cabeças.

sábado, 3 de julho de 2010

DEIXA ELA ENTRAR – O REMAKE

Quem costuma acompanhar esse pequeno diário bem humorado sabe da comoção que tive ao assistir, Deixa ela entrar. Um filme sueco fantástico, possivelmente o melhor filme sobre vampiros feito desde o Nosferatu do Murnau. Enfim como ele é sueco e o mercado americano tem preguiça de ler, eis que saíra a refilmagem (que original), o trailer saiu ontem e segue logo abaixo. Ao que parece será uma cópia frame a frame. Necessário? Não. Mas o próprio Michel Hanneke refilmou um filme seu antigo para ele ter mais visibilidade, e está versão possivelmente terá.

 

A história é muita boa, um menino sem amigos uma amizade-amorosa com sua nova vizinha, o detalhe que é uma vampira que se alimenta de gente. A consolação da versão americana é que o diretor, Matta Reeves, é o mesmo de Cloverfield, filme que não dava nada mas provou ser bem interessante quando assisti e que a atriz que faz a vampirinha meiga (e assustadora) é Chloe ao qual eu rasguei seda no post abaixo deste.

Se você tem como achar em sua locadora ou baixar pela internet segue também o trailer do filme original, para mim já é um clássico obrigatório da sétima arte.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

KICK-ASS

 

KickAssPoster O cinema é fantástico! É  ótimo conhecer filmes que nos inspiram a dizer tal coisa, e ontem fui assistir mais um filme que possivelmente não será descoberto no cinema, que vai se tornar e que muito crítico de cinema vai torcer o nariz, também. Kick-ass é maior zoação com o universo do super.-heróis desde que a explosão de adaptações começou alguns anos atrás e se temos filmes que fundaram a fórmula (X-MEN, HOMEM DE FERRO)0 outros que a subverteram (Cavaleiro das Trevas, Watchmen) experimentos estéticos (SIN CITY) e fracassos colossais (não precisa mencionar né), temos agora também um filme que fica na metalinguagem do gênero. A premissa é bem simples: NO mundo não existem super-heróis certo? Mas tem muitos idiotas? Então como nenhum idiota nunca tentou ser um super-herói? Nosso “herói” vai tentar fazer essa experiência e se tornar um herói de verdade no nosso mundo de verdade para ver o que acontece.

Um parêntese necessário, Kick-Ass é uma adaptação fidelíssima de um quadrinho real idealizada pelo Midas dos quadrinhos Mark Millar, então história maravilhosamente cínica que vemos na tela é produto da mente desse infeliz.

David como é um jovem que não está nem entre os bonitões ou entre os cdf’s é simplesmente um zero a esquerda e imperceptível. Um belo dia ele resolve se tornar um super-herói e compram a ridícula roupa de mergulho, como seria qualquer roupa de super-herói se fossem traduzidos ao pé da letra pelo cinema e sai em combate ao crime. Ele quase morre! Enquanto isso um pai e sua filha passam as noites em atividades divertidas se preparando para ser super-heróis também, mas um tipo mais profissional que não deixa ninguém vivo.

David poderia ter colocado alguma sanidade na cabeça, mas resolve sair como Kick Ass novamente na roupa de mergulho e dessa vez ele consegue se sair bem e, a grande sacada é que ele é filmado e se torna o vídeo mais assistido no Youtube ganhando fama rapidamente. A partir daí o roteiro vai se tornar cada vez mais original juntando Kick Ass, na velha passagem da adolescência, um mafioso que será o grande vilão da história e os personagens d pai e da filha, que também se fantasiam de Big Daddy (o pai, interpretado por Nicholas Cage), uma espécie de Batman, e a Hit Girl (a filha, interpretada por Chloe Möretz) que tem 12 anos e é maior máquina de extermínio que o cinema já apresentou.

O filme tem vários pontos positivos mas eu vou salientar dois. 1º A direção da historia oscila entre pontos extremos com muita segurança, pois quem viu o trailer acha que é uma comédia, e tem muito humor negro, tiração de sarro e autorefência na história, ao mesmo tempo é um filme extremamente violento, não uma violência de deboche mas uma violência realística, e ainda tem cenas de drama realmente tocantes. São pontos extremos todos convergindo de maneira brilhante dentro da mesma história que é a base dessa experiência.

O segundo ponto que merece ainda mais destaque é a atriz Chlöe Moretz que rouba o filme para ela. A personagem da Hit Girl, tem 12 anos, fala palavrões de calibre (- Sim o prefeito tem um sinal luminoso no céu para nós. Ele tem a forma de um cacete gigante); mata violentamente pelo menos uns 40 atores,  é muito carismática e ela consegue não ser uma caricatura. A melhor personagem e atriz do longa.

por ser totalmente amoral, faz até sentido que ele não tenha feito sucesso no circuito comercial, mas com certeza tem uma vida longa sendo descoberto por “acidente”. Se você ainda tem tempo vá ver antes que saia de cartaz.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PASSAGEM TENSA DOS CORPOS, de Carlos de Brito e Melo

passagem Sabe quando você vê uma ideia brilhante que te faz pensar em como esse livro deve ser interessante e denso, você fica até excitado com a possibilidade de ler algo diferente e descobrir um novo autor, quando muito um clássico contemporâneo ou esquecido.

Isso aconteceu comigo pelo última vez ao ler O Vento da lua, quando o caminho foi o inverso: ao não esperar nada do livro eu me encantei com a beleza daquela prosa. Você passa muito tempo procurando um livro que possa lhe transmitir essa sensação de alumbramento novamente e eis que eu encontrei um forte candidato pela ousadia de sua história: No inteiro de Minas uma espécie de espírito vaga relatando mortes tanto naturais quanto assassinatos, até que em certo ponto encontra uma situação inusitada. Uma família que tem o pai envenenado ignora a morte deste e coloca o cadáver amarrado na sala como se nada tivesse acontecido.

Ótima história no resumo. Na realização porém, o  livro é muito enrolado e simples, por mais que a escrita se proponha ao lirismo. Não que o livro seja ruim. Ele está bem longe de ser ruim mas creio que um podemos tirar 100 das 248 paginas e conseguiríamos contar a história com um pouco mais de impacto.
O espírito (vou colocar espírito, mas o que o romance sugere é que seja uma língua?) não consegue sair da casa enquanto as pessoas da família não reconhecerem a morte e iniciaren os ritos fúnebres. A mãe está preocupada em conservar sua beleza, a filha em preparar o casamento contudo não há noivo até o momento, e o filho está trancado no quarto se recusando a participar da experiência.

A linguagem é bela e as mortes que são relatadas no meio dessa histórias central estão cheias de significado simbólico, o romance ainda tem um final aberto que casa a história deste morto preso entre a vida e a morte, com a do narrador também preso entre a vida e a morte.

O que nosso interlocutor quer mesmo é, por meio de sua narração, recuperar um corpo para si, já que outrora morrera o que logicamente direciona a narrativa para várias leituras metalingüísticas. Os problemas da história são a demasiada retomada nas descrições, a princípio desse ser que é um fantasma constituído de linguagem,  e que é descrito umas 10 vezes no mínimo, e também  as várias mortes narradas cortando a história principal. Mas o fator determiante para se cortar 100 páginas do livro é a falta de acontecimentos dentro da história já que nada muda: o menino nunca sai do quarto, a menina só fala em casamento, o narrador só reclama das condição de sua existência e até que isso se resolva vão páginas de abstração.
A idéia é ótima, mas ele acaba se saindo muito simples em sua concepção. Acredito que é a maior força do livro esteja em sua linguagem fluida de um poeta nato e apesar de ter 248 páginas é muito rápido de se ler, sendo os capítulos muito curtos. Contudo eu esperava bem mais.

PRÊMIO SÃO PAULO 2010

Prêmio São Paulo 2010

Olá pessoal. Apesar do luto, o mundo literário não para de todo e para continuar decidimos colocar em destaque o Prêmio São Paulo de 2010, que saíra em Setembro. Aqui estão os finalistas:

Melhor romance do ano
. O filho da mãe (Companhia das Letras), de Bernardo Carvalho
. Leite derramado (Companhia das Letras), de Chico Buarque
. O albatroz azul (Nova Fronteira), de João Ubaldo Ribeiro
. Estive em Lisboa e lembrei de você (Companhia das Letras), de Luiz Ruffato
. Avó Dezanove e o segredo do soviético (Companhia das Letras), de Ondjaki
. As vozes do sótão (Cosac Naify), de Paulo Rodrigues
. A minha alma é irmã de Deus (Record), de Raimundo Carrero
. Pornopopéia (Objetiva), de Reinaldo Moraes
. O livro dos mandarins (Alfaguara/Objetiva), de Ricardo Lísias
. Outra vida (Alfaguara/Objetiva), de Rodrigo Lacerda

Melhor estréia do ano
. A morte de Paula D. (Edufal), de Brisa Paim
. A passagem tensa dos corpos (Companhia das Letras), de Carlos de Britto e Melo
. Sinuca debaixo d’água (Companhia das Letras), de Carol Bensimon
. Sanga menor (Dublinense), de Cíntia Lacroix
. Os mundos de Eufrásia (Record), de Cláudia Lage
. Se eu fechar os olhos agora (Record), de Edney Silvestre
. Hotel Novo Mundo (Editora 34), de Ivana Arruda Leite
. Immaculada (WMF Martins Fontes), de Ivone Benedetti
. Cisão (7Letras), de Livia Sganzerla Jappe
. Ciranda de nós (Grua), de Maria Carolina Maia

E falo nós no sentido que teremos um parceiro nessa empreitada. O site Extremamente Alto & Incrivelmente Perto estará nessa disouta e muitas vezes vamos discordar. Sigam-nos.

Nesse site antes mesmo dos livros serem indicados já tenho criticas dos livros Filho da Mãe, Leite Derramado, AvóDezanove e o segredo dos soviético e Outra Vida. Todos indicados a ficção do ano.

sábado, 19 de junho de 2010

EM LANZAROTE


“Nossa única defesa contra a morte é o amor”
I
Na manhã do dia 18 de Junho do ano de 2010 da era de nosso senhor, José de Sousa Saramago esteve a levantar mais tardiamente que o normal, porém com um vigor que não sentia a algum tempo é certo. O lugar da conjugue já está vazio mas morno o que indica que ela se levantara a pouco, então a demora não influenciara na qualidade do café. Se vestiu o mais simples possível, alias podia-se dizer que ainda estava em pijama. Uma vez que estando em sua casa a formalidade das vestimentas eram de sua ordem e de sua intimidade, ao qual participava a sua mulher, e tudo isso de ser facilmente comprovado pelo uso demasiado do pronome pessoal que estivemos a fazer até o momento. Se a roupa não era elegante em contraponto aos ternos usuais ao qual era visto quando estava em palestras ou simplesmente mandando todo o Estado do Vaticano ao livro do compatriota Antunes, ele sentia enorme prazer em utilizar a malha marrom que Pilar costurara especialmente para o frio de uma primavera distinta até momento, dedilhava a malha e lhe dava prazer em pensar no objecto ao se ver no espelho com o carrinho e simbolismo que ela carregava, crua, grossa e sem estampas como a velhice há de se manifestar nas formas de vidas. O óculos de aro e entes grossas, combinavam com a nova roupa, detalhe importantíssimo visto que sua fronte era quase inimaginável, podemos até dizer que o óculos já era a sua face. Assim finalmente vestido de Saramago ele desceu.
Na cozinha ao som do cantarolar, ou lento murmurar de Pilar sobre a mesa ele foi guiado, também havia um cheiro doce de waffles recém saídos do forno e a própria presença calorosa de sua mulher ao vê-lo pisar no soalho da cozinha. Deixemos os dois fazerem os rituais matrimonias de bom dias, beijos, carícias discretas e comentar sonhos, dores e planos, enquanto estes se arrumam na mesa como é natural. A deglutição do café da manhã após tantas décadas juntos é silenciosa e cheia implícitos construídos pela intimidades. Saramago se detêm a passar um pouco de mel que recebera dos amigos nos waffles morenos estendidos a sua frente, Pillar fica no suco e a contemplar o tempo pela janela da cozinha, um clima que hoje teve um aumento de temperatura grande para a época refletido na clareza do sol ao lado de fora, O verão deve estar a bater do lado de fora, ela o informa Saramago que achava o clima da manhã um tanto frio percebe por fim a clareza da manhã que tinha passado despercebido até o momento, Acordei e tudo estava mais quente, ele responde meio sem pensar e podemos e dizer até que essa informação desencontrada entre os dois essa manhã, pois olhando de maneira ela não acrescenta nada a frase outrora dita, ou seja seria papo-furado, mas José a emenda de maneira económica e brilhante, O calor estava inclusive na sua sombra deixada na cama, o verão está sempre aqui com você. O que provocou aquele olhar de desejo que em outras idades seria convidativo ao coito mas resultou naquele beijo discretamente apaixonado dá em seu lábios, um beijo sempre diferente e suave. Pois bem examinemos a frase, diríamos ele matara dois coelhos com uma escopeta, além de cortejar sua donzela, admitia que ela tinha toda e inteira razão, coisas que universalmente toda mulher desde os primórdios adora. O resultado além do beijo e que ela retira louça sem se demorar em discussões sobre as obrigações masculinas e femininas a respeito do café da manhã, enquanto ele se dirige a varanda aspirar o ar puro do dia coisa que sempre faz. Sigamos.
Ao chegar a sua espreguiçadeira pensou na chegada do verão que se estendia a sua frente, tomou um sorriso ao ver o bule e as xícaras estendidos na mesa de centro. Toda a manhã via aqueles apetrechos deixados propositadamente a sua disposição, mas sempre se surpreendia com essa mulher que a tanto tempo vive e que cantarola de maneira contida a sua felicidade. Sentou-se e se servir do café fresco enquanto olhava para o horizonte pensava em suas ideias que acordaram com tanto vigor quanto ele: O tema da falta de filosofia no mundo, as possibilidades reais da eleição Portuguesa na Copa, o que renderia uma boa cronica sobre a mentalidade lusitana em esportes, e também pensava agora sobre um novo romance em que o verão não acabaria nunca. No meio dessas divagações o xícara lhe pesou o pulso e ele deixou derrubar um pouco do café no chão, o que iria lhe render algumas broncas de seu amor, mas logo essa intermitência a postura da mão cessou e ele levou com rigidez xícara ao lábio aproveitando uma manhã de lucidez solar.


II


Sua visão por detrás das grossas lentes se concentraram a um vulto negro que crescia no horizonte, não sabia se era um bicho, um carro ou um homem mas vinha em direcção a sua casa. Poderia ser um motivo de comemoração, por ser uma ilha Lanzarote não tinha muitas mudanças na rotina adjacente dos dias. Ao mesmo tempo a porta de sua casa abriu e estranhamente José intui pela falta de música ou pela vivida distorção que Pilar trazia que não era ela quem saia para fora de sua casa. Ao olhar meio de lado, meio para trás, viu um homem de barba longa e branca, com um sorriso bonachão se dirigindo a ele, esse senhor, mais especificamente o senhor, conhecido como deus às vezes, estava em pé em seu recinto sem pedir licença, ou por favor, e ainda se dirigindo para invadir a espreguiçadeira ao seu lado. José até pensou em protestar mas é sabido que este se denomina senhor-de-todas-as-coisas, portanto não havia muito o que fazer para com essa situação que resultou na completa apropriação da espreguiçadeira a direita.
Você, E você, respondeu o senhor completando, Vim te ver pessoalmente nesse, Para qual razão, Nenhuma exactamente, estive entediado nesses dias, sabe-se que é chato ser moderno, mas não sabe como é chato é ser eterno, Aí você começa a plagiar passar o tempo. O senhor ficou meio sem graça com a afirmação, pois tinha quase certeza que o autor português não conhecia o poeta brasileira, mas ele já tinha se equivocado antes e ainda sabia ser esperto, Bem que queria homenageá-lo pois depois de Drummond as letras lusitanas se curvam a Saramago, por isso vim a essa jangada de pedra, Sei, disse Saramago ignorando a última e fraca homenagem, Pois saiba que tentei diminuir seu prestígio, há alguns anos soltei um Lobo atrás de você e até deu certo em dado ponto de vista, Por acaso o que aconteceu hoje foi tem algo a ver com ele, disse mostrando o bule de café o que fez o senhor falar atrapalhadamente, Não, não, apesar de ter tentado mais práticas depois de 1991 havia algum tipo de força divina conspirando contra. O olhar indagador do português foi seco e duro para o senhor que continuou fingindo não perceber a contradição, Enfim seu compatriota fez coisas muito piores, O que seria, Foi ficando mais hermético e Cult, então Saramago ri pela primeira vez do senhor.
O ponto escuro já tem a silhueta de um homem e anda com força tal como um viajante, logo ele chegara o senhor ignorando continua sua narração, Aí eu tentei em minha onisapiência enviar algo mais controlável, e mudar de estratégia com um Coelho, Dos nossos nada folgados primos de língua, disse Saramago já estendendo a gargalhada, Exatamente, só que esta foi minha perdição, Sério, Sim, ora pois cravou a lápide, Achei que tinha sido o filósofo alemão, Não até somos amigos agora, a coisa começou a dar errado com um sujeito chamado Kardec que driblou minha onisciência e esse coelho só ajudou, Mas ele não tem nada ver com isso, É quase a mesma coisa, Discordo, Lógico que discorda e agora estou aqui e não sei o que fiz de errado, Que tal total displicência, julgamentos estranhos, regras estranhas, pragas, peste, guerras, Ei, espere um pouco, isso tudo é culpa de vocês, mas talvez eu tenha me desligado um pouquinho e todos podem errar uma vez ou outra. Saramago o olha com olhar irónico e lhe estende uma outra xícara com café, o senhor aceita com um sorriso, alias parece que o senhor só consegue rir actualmente.Então eu ganhei, Não vamos ser drásticos como eu te disse eu nem estou no ringue.
O viajante chega portanto uma mochila em suas costas, mas utilizando um terno irretocável, cabelo curto e anoréxico, se distinguia por um pequeno bigodinho que deveria ser moda antes da segunda guerra, parecia fadigado quando entrou na varanda como o português dos aventureiros, Bom dia, ele disse meio sem fôlego e foi respondido por dois bom dias mais descansados, Sente-se homem o que o traz a essa ilha, disse Saramago e foi prontamente atendido pelo não-tão-estranho personagem se jogar na escadinha em descanso, Trago notícias do mundo exterior, Quais as notícias meu velho, já o reconhecendo como um antigo amigo, este começo a narrar, O mundo paralisou por um instante, as pessoas debruçam em memórias e sentimentos esquecidos, as palavras dos livros ecoam novamente pelos sarais das ruas, a modernidade, minha velha amiga, fala por todas as mídias, por todas as línguas e idades, pequenas memórias invadem mentes alheias até dos desconhecidos, pequenas homenagens em por todas as canetas, há um buraco na alma de quem o conhecia, e há inda naqueles que nunca o viram pessoalmente, o mundo chorou esta manhã pois o escritor morreu. E todos ficaram em silêncio com aquelas palavras do poeta até o senhor quebrar o silêncio, Me dá um pouco de inveja essa atenção como se chama moço, Álvaro Campos e o senhor é, Senhor senhor, Ah sim... Eu trago notícias da modernidade ao meu velho amigo José, E como vai aquele mundo lá fora, continuou o senhor enquanto Saramago debruçava em pensamentos, Mesma coisa de sempre mulheres parindo, pessoas padecendo, jabulamis criando vítimas ali e guerras criando corpos acolá, É assim que tem que ser, completou Saramago, Eles não sabem o que fazer, tentou parecer poético o senhor e fora um pouco mais subtil dessa vez, o autor português para variar entrou em discordância, Claro que dá, enquanto houver palavras e histórias ainda temos ferramentas para solução, disparou, Meu velho amigo eu discordarei de novo, E eu vou ganhar de novo, A atenção é passageira, assim como as histórias e livros , A memória não. Álvaro sentindo o clima mudar tira da mochila um tabuleiro quadriculado,colocando em cima da mesa de chá, Por que vocês não resolvem isso de maneira mais prática, propondo isso tira pequenas tampas da mochila em seguida o que agradou muito o senhor que já estava colocando as damas pretas em seu campo de batalha, Saramago saiu da posição de descanso e pegou as remanescentes, Agora sim eu vou provar para você, E Pilar, perguntou o senhor, Está bem, Sentira sua falta, Eu sei ela me ama, Não quer vê-La, Não ela me ama, Eu posso tentar algo, podíamos fazer um acordo, Saramago ao colocar todas as suas peças posicionadas, ajeita o óculos olhando para o senhor e diz contemplando a expectativa de Álvaro, Vamos jogar damas, ela me ama é o que basta. O senhor juntou as mãos em alegria ao ver que as peças eram firmes e boas para o desafio.
Corre o espectáculo do mundo lá fora e os dois provavelmente estão jogando e discutindo, a única coisa que se sabe de ciência certa é que continuaram a discutir até então. Apesar de não haver mais nada o que contar as histórias nunca acabam de todo, as notícias que Álvaro trouxe se debruçam continuamente no papel e tudo isso ocorreu no dia 18 de junho em Lanzarote.

 

Por Rafael de Souza Menezes

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Adeus ao mestre, uma pequena homenagem a tantas outras que somam ao redor do globo. 87 anos de lucidez.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Túnel, O de Ernesto Sabato


tunel,o "Que o mundo é horrível é uma verdade que não requer demonstração. Em todo caso bastaria um fato para prová-lo: num campo de concentração, um ex-pianista queixou-se de fome e foi obrigado a comer uma ratazana, só que viva."

Se o trecho acima fez algum sentido para você, comece a se preocupar pois você pode estar se identificando com um personagem realmente aterrorizante. Estranhamente foi o trecho que me fez engolir o livro em uma tacada ininterrupta. O túnel é uma das experiências mais perturbadoras que a literatura produziu, neste caso a literatura do hermano Ernesto Sabato.
A trama é simples, mas sua execução é que primorosa: O narrador da história Juan Pablo Castel está na prisão e por meio de sua prosa direta e analítica, ele pretende narrar o seu crime: O assassinato de Maria Iribarne Hunter, a única mulher que o compreendia e que ele amava.
Assim sendo volta ao passas à uma exposição de seus quadros para apresentar esta mulher que se alumbrou com um de seus quadros mais simples, o de uma mulher na janela, e  intrigado com a figura misteriosa ele começa a procurá-la, quando a encontra começa a persegui-la até, por incrível que pareça desenvolver um caso adúltero com ela. Porém ele é um homem cheio de dúvidas, problemas, ciúmes e inquietações que consomem toda a narrativa sobre a natureza daquela relação, mais até do que os momentos bons com ela. Só existe a dor que a mulher produz nele, contudo esta é uma dor que não possui lógica, basicamente é um recorte da loucura do próprio personagem que progride até o derradeiro ato da qual ele não se sente culpado, mas fica intrigado com a palavra Insensatez que lhe proferem, motivo que ele ainda ao final do livro procura explicar, pois em seu relato ele procura demonstrar que a razão foi dele.

A genialidade da narração fica por conta dessa lógica do discurso de Juan Pablo, que pega o niilista moderno em nós e cria uma ponte de identificação com este leitor. depois te leva por esse túnel escuro da mente do personagem pelo mesmo timbre até Juan Pablo começar a fazer associações como esta:

“Fiz repetidos esforços para posicioná-los na ordem correta, até conseguir formular a ideia desta fórmula terrível: Maria e a prostituta tiveram uma expressão semelhante , a prostitua fingia prazer; portanto Maria fingia prazer. Maria é uma prostituta.

- Puta, puta, puta! – gritei saltando da banheira.”

Se isso fez algum sentido, vá ao hospício rapidamente. É um livro perturbador, pois até o último minuto nós queremos que ele se arrependa ou que os motivos do crime façam um sentido mais palpável em nossas cabeças. O que há é um túnel escuro em direção a loucura, em dado momento da leitura você toma conta da inevitabilidade desta direção mas não tem como parar. É um livro terrivelmente bom.

terça-feira, 1 de junho de 2010

LOST – THE END

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Há algum tempo eu não visito essas linhas por motivos que vão além do que um mero ser humano pode querer: Falta de Tempo/Espaço em meu contínuo existencial. Contudo como adiantei na postagem anterior o Maior evento do Ano se aproximava e como eu tempo uma camiseta da Dharma, me juntei há milhões assistindo licitamente ao último episódio de Lost há alguns dias. Agora que baixamos o filme sem comerciais, legendas e tudo o mais que havia de disponível na minha sexta temporada pirata. E a primeira coisa que quero informar é que essa matéria vai contrariar minha lógica de dar informações diretas sobre as possíveis surpresas que um interessado no assunto pode ter, ou seja, significa que há SPOILERS aqui. Então pare de ler se você não viu o último episódio, se bem que, se não me engano se você não viu já bombardeado por milhões de informações a respeito.

Devo dizer que não estava esperando mais nenhuma surpresa com relação ao sitcom, e seus últimos 15 minutos foram um choque ao vivo. Olhando com mais apuro agora, tudo começava a apontar para aquele desfecho:  “Christian Sheppard?” brinca Kate logo no primeiro minuto emendada por um Desmond sóbrio “We have to go”. As pistas pululam e como desde a primeira temporada o pessoal da produção jurava de pé junto que os personagens não estavam mortos, nós engolimos a isca direitinho e nessa última temporada a possibilidade nem passou pela cabeça de nós. Eu devo salientar que eu achei isso genial!! E eu não sou um crente. Devo também informar que quase chorei ao final do episódio.

Em si tudo estava bem definido. Locke/Fumaça-Negra procurava Desmond para destruir a ilha, Jack se tornou um novo Jacob e tem que proteger o coração da Ilha agora, mas ele é ousado e arrisca a própria destruição desta para destruir a fumaça negra e tirar os remanescentes da ilha. Não há explicações sobre que é maldita, que com certeza tiraria muito do charme que o seriado tem, só existe uma luz no interior da ilha que o bem mais valioso do mundo. Na outra realidade em que o avião não caiu, os personagens vão se encontrando e relembrando como foi a vida na ilha, somente Jack que luta contra as memórias involuntárias que os outros suscitam nele. Até o velório do pai em que este aparece e lhe mostra sua vida na ilha e a realidade da situação: Não era uma realidade paralela cientificamente plausível e sim um lugar criado para que todos se reencontrassem e pudessem seguir para outro plano: Eles estavam mortos! É irônico, genial e emocionante já que toda essa cerimônia ocorre paralelamente aos últimos momentos de Jack agonizando mas feliz por ter salvado tudo e culmina em sua morte no mesmo em que começou.

Para mim foi o melhor seriado em muitos anos, algumas coisas ficaram na história com Arquivo X, mas descambou muita idiotice em seu final. Outros como  A Sete Palmos são memoráveis muito mais por sua conclusão. O difícil em um seriado dramático é manter o nível em todos os seus anos. Pois depois de alguns episódios a fórmula começa a ficar manjada. Lost mostrou que não é necessário se agarrar aos gêneros ou pode se agarrar todos. Um seriado que começa como um seriado de sobrevivência, mistério com monstros e teorias científicas, pura ficção científica em alguns episódios e não largou em nenhum momento a veia dramática do show e termina como a velha briga entre o bem e o mal, questionando tal como John Locke a crença das pessoas. Podemos dizer que eles se acharam no final, o que dá um novo significado para o título. Podemos dizer que muita gente odiou o final e muita gente amou. 8\80. Não há meio termos, mas pelo nível tão distante de emoções que rodeiam este seriado atualmente só posso dizer que se você ainda não assistiu, assista do começo ao fim. Possivelmente não haverá nada igual na televisão por um bom tempo.

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Bye Jack. Nunca foi preferido, ams vamos sentir saudades.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O MAIOR EVENTO DO ANO

 

É Oficial pessoal estamos chegando perto do maior evento mundial dos últimos anos. Como estamos em maio de 2010 você já sabe que eu vou falara logicamente do FINAL DE LOST!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A cada episódio que passa a gente sai com mais neurônios pulando e excitação de saber como o seriado mais original deo novo milênio vai acabar.  E Acabando de sair do 14º episódio não há muita coisa mais para deixar escondida, somente dar a forma de quem é Jacob e quem é Locke, ou carinha do mal. Fato é que essa última temporada é um jogo de gamão, tal como foi falado no primeiro episódio do seriado. Dois lados um e um bem o outro o mal, as peças mudam de lado constantemente.

No exato momento de hoje mataram mais 4 personagens principais e parece que o massacre dessa temporada não vai parar tão cedo.

O episódio de amanhã parece que vai revelar quem foi ou é Jacob, e alegoria ciatada por mim parece explicita no promo americano.

A outra pergunta interessante é o que a história na linha do tempo paralela vai interferir nesse, ou será que não vai. E onde diabos o Desmond se enciaxa nessa história???

Creio que a pergunta nunca vai se responder totalmente, mas creio que uma ligação bíblica ou sublime vai ser a chave do enigma.

Quem quiser dar uma olhada no sneak peak, vai notar que a cena é bem diferente do que está passando no seriado, simplesmente não dá para encaixar sí com a cena. Esperemos então em dentro de 24 horas para mais uma enxaqueca:

 

E o trailer do episódio:

terça-feira, 6 de abril de 2010

LIVRO DE ELI, Irmãos Hughes

 

book_of_eli_2010_1 Estava na dúvida se fazia a crítica desse filme ou não, pois nem tudo que eu vejo no cinema ou leio se torna parte desse blog, poderia dizer que é seleção mas é pura falta de tempo para pensar no que dizer, pois há sempre algo a se dizer. Mas aqui após alguns dias que vi sem compromisso em uma sessão que custou menos que uma locação me proponho a falar, não porque é uma pérola da sétima arte que me tocou e ficou na minha cabeça, mas sim pelo lamento de termos perdido um grande filme que poderia ter se realizado.

Pra começar a proposta do filme une o que algo muito batido, como a história de um mundo pós-apocalíptico totalmente destruído Um homem tem a arma para salvar o mundo. Sim, você já viu essa história antes, mas o interessante é que a arma para salvar o mundo é a Bíblia (?!?!?!). Se você é ateu esta confuso, se você é cristão também está achando estranho, mas é dessa combinação é que sai o ponto interessante da história. Poderíamos ter um aprofundamento dessa história em vários aspectos no teológico, no social, no pessoal e até no metalinguístico, mas não temos, nesse corte do filme é bem básica com algumas sutilezas nas entrelinhas que vamos ver a história de Eli, um andarilho que ruma à Oeste enfrentando a tudo e a todos para salvar a última relíquia da humanidade. Um vilão vai aparecer, sangue vai rolar, teremos uma bonitinha na história e algumas invenções legais como velhinhos simpáticos que podem ser canibais. Um arroz-com-feijão que serve para ter alguma sanguinolência mas seu grande trunfo pode ser um final extraordinário (eu digo pode ser e já volto nesse ponto…)

Os irmãos Hughes surgiram com um cult subversivo intitulado Menace 2 Society de 1993, e foram celebrados como os próximos irmãos Cohen, mas isso nunca foi muito pra frente em outras produções independentes que nunc agraciaram nada tiveram a grande chance de adaptar o grande graphic novel Do Inferno, ainda com aval de Alan Moore em 2001 e desde então estavam parados. A sua volta já traria gluma visibilidade ao filme. O roteiro básico mas interessante seria um atrativo. Denzel e Gary oldman no carro da frente. Fotografia linda, boa produção e  acertar o clima para parecer homenagear o western.Estava tudo pronto para fazer algo interessante, mas o problema são os irmãos Hughes, que tem uma ótima visão para cenas de ação, sangue e criar grandes sequências nesse âmbito, mas, assim como Do Inferno, não tem noção da coesão do todo.

A princípio temos pequenas falhas que não seriam notadas em função de alguns acertos, como a cidade do bandido aparecer no meio do deserto árido, algumas noções passagem de tempo, a personagem da Mila estar trancada em um momento e no outro não, aqueles erros de continuidade de sempre e o fato de se no fim do mundo termos a Mila Kunis todo bonitinha desfilando por aí, não é necessariamente ruim. Não que ela esteja mal no filme, acho que esta muito bem, mas ela está muito arrumada no meio dos ogros. Ok. Isso passaria. A história tem momentos em que ela trava, mas vários filmes tem momentos altos e baixos, as cenas de decapitação compensam. Eles podem vir a pensar. Aí chega o final em que aquilo que deveria ser uma Revelação (pegaram?) é parte do público, pra outra tanto faz como tanto fez e para aquela que notou sai perguntando: “é isso né?” Aí a outra parte responde um sonoro “ah?”  Aí você explica sua noção da história, a outra pessoa parece ter um alumbramento, mas ai começa a relembrar “Mas se foi isso, como aquilo aconteceu, e como aquela cena no bar possível”. Aí você começa ver que o momento da revelação virou o momento da confusão, isso não é para ser um David Lynch, deveria ser um sexto sentido em que o final faz você olhar para traz e se sentir O idiota. mas não acontece, você sai com a sensação que tentaram forçar a barra.

Com certeza você não perde a diversão, mas fico triste pelo fato de terem perdido uma grande chance de nós dar um grande filme, era só ter feito o filme em função do final e não da sanguinolência, se quiser corrige umas coisinhas ali, outras aqui, melhora o roteiro ali e talvez você tivesse um clássico. Sei que não é fácil, mas a gente tem que pensar que é para começar a fazer, no final tivemos só um filme bom.

domingo, 28 de março de 2010

FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE, OS – de Esmir Filho

famosos e os duendes Certa vez estava eu assistindo uma entrevista com alguma produtora muito chata em um canal universitário. Ela afirmava que a diferença do cinema brasileiro para os demais era que todo mundo produzia toneladas de filmes e só 1 ou 2 bons, e nós brasileiros produziamos 30 a 40 filmes por ano, e 30 ótimos filmes! é uma declaração extremamente patriótica e ilusória. Creio que na última década temo Cidade de Deus e Tropa de Elite como as grandes produções que podemos chamar de clássico. Isso sim é uma afirmação dentro da realidade.

Com pessoas loucas como a que estava na entrevista é que temos nossa camada de críticos e produtores que tentam vender uma imagem totalmente estranha do cinema brasileiro contemporâneo, e acreditem em mim, há muitas pessoas que ainda veem uma produção nacional e já torcem o bico para comprar a entrada ou mesmo cogitar ir assistir. Vamos então, antes de começar a falara dessa produção fazer um rápido panorama sucinto do que é o cinema brasileiro hoje: Achamos que estamos bem longe de Hollywood, mas não estamos, nossa Hollywood é Globo Filmes que ataca pelo menos metade do cinema em comédias leves (Se eu fosse você…, Lisbela e o prisioneiro, Casa da mãe Joana), filmes históricos e cine-bios (Lula, Menino da porteira, Mauá, Lamarca) que não atingem a excelência, são bons mas normalmente não se destacam. O pior mesmo são as obras infantis, que aparentemente não precisam de nenhum talento cinematográfico para fazer bilheteria (Xuxa e Didi, qualquer coisa), as obras pretensiosas que usam a estética da teledramaturgia (Olga, Salve Geral, Última parada). Esse é um ramo da produção, o outro são os órfãos de Glauber que acham Godard é legal e normalmente são feitos para o público da Augusta e Paulista , aqui só a pretensão e o conhecimento de que a ideia é melhor que a estética, ou vice-versa (Baixio das Bestas, Do começo ao fim, e muitos outros casos), mas são as tentativas de transgressão, que são válidas, mas nós enquanto nação não temos uma história cinematográfica tão ampla para tanta rebelião, se rebelar contra europeu é no mínimo estranho. Nossa melhor produção está literalmente no meio destes pólos: Homem que copiava, Nina, Cheiro do ralo, Quanto vale ou é por quilo, Ano em que meus pais saíram de férias, Proibido Proibir, Apenas o fim e agora os Famosos e os Duendes da Morte.

O filme ao qual fui a pré-estreia essa semana será lançado em 16 de Abril nos cinemas nacionais e é algo diferente mas que ainda está interessado em trazer público para as salas, pois creio que o maior desafio do atual cinema é conquistar público dentro do país. Em uma cidade do interior do Rio Grande do sul a narrativa se fragmenta entre o personagem principal, que não tem nome, e que sofre com o desejo de ir embora da pacata cidade e os desejos mórbidos que ele em off narra em seu blog. Intercalam as imagens caseiras de uma menina e um cara em situações estranhas, expressões artísticas em meio ao campo. O mesmo cara aparece em várias cenas em que o mostra como excluído da pequena sociedade formada,  sendo hostilizado. Como isso se junta com a história principal? Só perto do final fica mais claro. O filme é bem lento e contemplativo, algo de nostálgico dentro da história e de exemplificação do tédio que o personagem principal sofre.

Quando os mistérios que cercam a história são resolvidos, o filme vai para seu ato final que vai deixar mais interrogações do que respostas dentro da cabeça do espectador. Tenho minhas teoria, ouras pessoas tem as delas, mas é indubitável que o grande mérito é deixar as questões pululando em nossas cabeças por todos os minutos de projeção, a começar pelo título. é um filme bem estético, que mostra muito talento do diretor, seu único ponto fraco é a fluência da narrativa que as vezes se demora muito na contemplação, mas é só um detalhe que é a apagado pelas atuações juvenis e da mãe do personagem principal. A história é baseada num belo trabalho juvenil de Ismael Capanella (que atuou no filme como o misterioso Julian) bem poético e curto, o filme é extremamente mais sombrio e capta a essência das angústias juvenis. O suicídio e a morte estão constantes dentro da obra, isso para mim é a chave para as últimas cenas, que bebem no surrealismo. Valerá o seu ingresso e suas dores de cabeça a pensar em seu desfecho.

quarta-feira, 24 de março de 2010

ILHA DO MEDO, de Martin Scorsese

 

ilhadomedo Ao sair da projeção de Shutter Island fiquei pensando em fundamentos teóricos da estrutura do roteiro. Isso não é de se estranhar pois estou devorando um livro do Robert McKee sobre a teoria do roteiro e apesar de discordar de muita coisa no livro, há muitas outras interessantes. Começo essa crítica com esta afirmação porque destruindo o roteiro e analisando a fundo a história do filme como um todo, é ma história bem básica complicada a enésima potência, mas de maneira genial. Aí nós nos pegamos analisando clichês e como, quando roteiristas, tentamos fugir deles a todo custo, quando podemos amarrar uma história bem contada e como isso é difícil.

Então primeiramente tenha em mente que a história de Ilha do medo é MUITO BOA, baseada num livro de um dos autores policiais mais psicologicamente complexos da atualizada Dennis Lehane, o suspense de horror é um investigação a origem dos traumas e medos do ser humano. Segundamente, é Martin Scorsese, então é bom ter muito respeito com isso. Tecnicamente perfeito, muita gente torce o nariz para ele por ter se tornado mais comercial. Shutter com certeza é, mas basta ver seu começo e pensar na grande homenagem que ele faz ao noir dos anos 50 que você tem a ciência de estar diante de uma dos maiores cineastas do mundo.

Leonardo DiCaprio é um policial um tanto quanto traumatizado (com o mar, a guerra, a perda da mulher) que vai investigar o desaparecimento de uma paciente na prisão-hospício de Shutter Island, para isso ele conta com um parceiro estranho e uma grande teoria conspiratória de experiência com pacientes. A partir bunde-se para 2h30 de puro suspense na qual você vai ficar muito tenso, Martin utiliza de muitas imagens surrealista para fazer a lembrança, imaginação e alucinações de DiCaprio para investigar os cantos escuros da loucura. O final é surpresa e passo dizer que é o grande trunfo do filme. Ainda estou pensando sobre as engenhosas artimanhas do roteiro, mas não vou contar pois com esse tipo de filme quanto menos souber é melhor….

terça-feira, 9 de março de 2010

o Show que deveria ter sido.

Pela últimas semanas respirei prêmios: Golden Globe,Bafta,Directors guild, Actors guild,Razzies,Spirit....
Foram filmes e mais filmes que busquei avidamente no imdb, youtube,megavideo...
Conhecer, procurar, assistir. Assim passei os últimos dois meses e acabei por estar familiarizada com os concorrentes ao Oscar, principal prêmio de cinema.
Para mim o show foi curto, quase sem surpresas, curti os premios, os discursos , celebrei até. Mais um Oscar, aquele que seria totalmente diferente....igualzinho a todos os outros anos.
Eu esperava que Guerra ao Terror ganhasse pois desde o Golden Globe o filme está em foco. Mas também torcia por Avatar.
Fiquei na fila para ver Avatar num cinema lotado...Guerra ao Terror era um filminho na prateleira da locadora havia meses.

Mas para aqueles de só vêem o Oscar a situação foi um pouquinho diferente. Diante da massiva propaganda sobre mudanças,e de um filme recordista em todas as categorias de público, a audiência desse ano chegou aos 41 milhões de espectadores (foram 36 ano passado). Acredito que boa parte desse público também esperava a vitoria de Avatar.

Coloque-se na pele de um sujeito que gosta de filmes e quer acompanhar o Oscar.
Imagine que você foi ao cinema religiosamente durante o último ano, comprou revistas de cinema, viu as principais estréias, assistiu ao menos um filme por semana, a ponto de se considerar um adepto da sétima arte. Então, vêm as indicações para o Oscar e você descobre que não viu metade dos filmes, claro eles ainda não estrearam, e serão algumas semanas para conhecê-los. As semanas passam, os filmes estreiam praticamente todos juntos, em dois , três cinemas cada um . Será uma maratona conseguir ver todos. O Guerra ao Terror inclusive é lançado em pouquíssimos cinemas . Você faz malabarismo, revê a conta bancária e enfrenta as filas para poder acompanhar a premiação do Oscar devidamente informado.

Então, passado o show, você encontra aquele amigo que nunca vai ao cinema, que não liga para prêmio nehnhum, não conhece Zip de cinema e descobre que ele tem o filme ganhador do Oscar em casa, comprado na loja de departamentos na promoção de 12,99 lá pelo final do ano passado.

Agora me diga se você vai assistir o Oscar ano que vem.

domingo, 7 de março de 2010

Pré-Oscar

 

Daqui a algumas horas conheceremos os ganhadores do Oscar 2010, esse ano com 10 competidores a melhor filme. O que por um lado é muito bom pois a maior visibilidade aos filmes, por outro eles conseguem fazer algumas injustiças ou coisas esquisitas:

 

O que Um sonho possível está fazendo os indicados a melhor filme é um grande mistério e Invictus só emplacou ator e ator coadjuvante. Na minha opinião o filme de Clint é bem mais completo como filme do que o filme John Lee Hancock que se apóia exclusivamente na performance de Sandra Bullock, mas os americanos querem good feeling movies no momento. Então isso explica a indicação.

Nas categorias de coadjuvante, não há ninguém que bata Christoph Waltz (Bastardos) e M’onique (Preciosa), quem chega mais perto é Stanley Tucci (Um olhar do paraíso) mas acho difícil tirar o prêmio destes dois.

Na categoria de ator e atriz a coisa é mais interessante. A interpretação de Jeff Bridges é extraordinária em Coração Louco, mas Colin Firth em Direito de Amar é igualmente forte. Sandra Bullock  já está preparando o discurso, e apesar de ser sua melhor atuação, ela não é nenhum monstro a ser batido. Alias prefiro muito mais a Meryl, mas como todo mundo acha ( e deve ser) que é a única chance dela, enfim…

Assisti até o momento 9 dos 10. Falta um Homem sério. Falo com detalhes dos blocos que se formaram em minha opinião:

1 – Blocos da menções honrosas:

Um Sonho Possível -  Já salientei minha opinião. Gostei do filme mas sua presença na lista é mais política do que artística. Podíamos colocar o lugar Invictus, 500 dias com ela, Coração Louco, até O Anticristo

Up – Altas aventuras Compensando WALL-E ano passado, não é um exagero estar entre os 10 melhores filmes, contudo já vai ganhar animação é aí vai sempre ficar mais difícil para um desenho ganhar outra coisa, entretanto trilha sonora tá no papo

Preciosa – Sundance e a crítica levou o filme até aqui, mas não passa disso. Filme ótimo, poderia ter se tornado em um melodrama besta e forte mas a combinação entre o diretor e os atores foi perfeita.

Educação – Eu pessoalmente gostei muito do filme. Ao contrário das produções inglesas habituais esse filme é muito engraçado. Méritos de todos, mas principalmente de Carey Mulligan que traz uma interpretação na medida, sobre uma menina de 16 anos (detalhe ela tem 24) que se envolve com um homem mais velho que pode trazer uma vida muito mais emocionante do que a vida de estudante que ela costumava ter. ótimo mas é o mesmo caso de Preciosa.

Bloco 2, acima da média mas não é ano deles.

Distrito 9 – Já é um clássico. Revitalizou a FC. é sul-africano. É extremamente original e diferente de todos os outros filmes americanos concorrentes, exatamente por ser um estrangeiro (Sim, é um filme de produção estrangeira). A indicação já um ganho, sua violência e abordagem diferente possivelmente já o tiraria de uma lista com 5.

Amor sem Escalas – Poderia ter sido o Beleza americana do ano. Atuações ótimas, um roteiro atual e esperto fizeram o filme ser ovacionado pela crítica e creio que muito ainda consideram o melhor do ano. Contudo, o momento do cinema é retratar a guerra e os temas universais em relação a essa. Vai faturar roteiro com certeza e só.

 

Bloco 3 – A zebra!!!!!!!!!!!!!1 Que pode ganhar

Bastardos Inglórios – Quentin jogou tudo em seu filme lendário. Conquistou o mundo no meio do ano. Na minha opinião deveria ganhar, pois já é um clássico e o melhor filme do Quentin. Politicamente está quase morto no jogo como a terceira opção, ganhou o Sag, o que prova que ainda há poder. Principalmente por que nas novas regras Avatar e Guerra ao terror podem se anular e a terceira opção ter mais pontos que os dois.

 

Bloco 4 – A VERDADEIRA BRIGA

AVATAR – Outro projeto que os críticos queriam ver afundar, mas Cameron é imbatível e perfeito na concepção de suas obras. Avatar é visto como uma alegoria da Guerra do Iraque e da autodestruição que a humanidade faz. O tema é batido, simples, porém o que mais encanta é a realização do épico, a realidade dos personagens na tela e o uso revolucionário do efeito 3-D.

 

GUERRA AO TERROR – A direção está garantida na minha opinião, apesar de ter um ator com uma atuação ótima e a mão firme de Bigelow ao retratar o suor dos soldados, as moscas e o efeito constante de suspense que o filme tem desde o minuto inicial até o final que o tornam poderoso. É um exercício estético no todo, muito bem executado. Aqui no Brasil ele não tem o mesmo o apelo que nos States, isso porque a Guerra retratada é muito pessoal. Em um país que se enfia em guerras ano sim, não não, as consequências pessoais só tinham sido exploradas no Franco-Atirador como traumas, aqui ela é pela primeira vez demonstrada como droga. e um filme sobre soldados, mas tem muito subtexto político a respeito da situação atual dos Estados Unidos. Acho que ele está ligeiramente a frente nessa reta final. Avatar é torcida maior.  Mas acho também que o Bastardos pode ganhar hoje a noite.

Veremos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Brasas, As – Sandor Marai

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Sandor Marai é O escritor Húngaro. Primeiramente porque eu não conheço outro escritor húngaro vertido para tantas línguas quanto ele, segundo pois ele escreve maravilhosamente bem, ainda que a angústia de seus personagens crie um universo sombrio ao nosso redor.

As brasas foi o romance proibido de seu país e só republicado 41 anos depois após sua morte por suicídio em 1989. Não é um mero detalhe que a morte brutal do autor, que atirou com uma espingarda em si mesmo, ressuscitou este romance que fala sobretudo do fim da vida e todas as mágoas que carregamos conosco. Contudo creio que o detalhe mais significante para desencavarem o romance foi a queda da União Soviética.

Em 1940 o general recebe um chamado de que, Konrad,  um velho amigo foragido há 41 anos irá fazer-lhe uma visita, logo sua mente começa a divagar sobre a vida que os dois tiveram juntos, desde a infância até o momento em que Konrad foge para os trópicos. A relação destes dois escapa de uma amizade comum, ultrapassa as questões sociais (o general é de uma família nobre e Konrad é de uma família pobre), e em dado momento até ultrapassa o Eros das relações humanas. Contudo no dia em Konrad fugiu um segredo foi desencavado e o general encontra-se em solidão permanente por 41 anos esperando o momento de sua vingança. Esta não será física e muito menos com ódio, mas sim com palavras e  com o amor traído que os dois homens tinham entre si. Em sua primeira parte podemos até ver elementos homoeróticos, contudo creio que Sandor está tratando da amizade em sua forma mais pura, um sentimento forte que pode unir os diferentes. Na segunda parte do romance com Konrad já na mansão o general vai utilizar toda sua retórica nas acusações e nas exposições de sentimentos. Qual o segredo que pode se arrastar por tantos anos nas vida de dois velhos acima do setenta?  Estas e outras questões vão ser a síntese do romance, revelar mais pode ser prejudicial a leitura.

A prosa de Marai é angustiante, até as últimas páginas você está hipnotizado por esta história simples mas que contem muitos dos laços humanos que cruzam em nossas vidas. Com certeza não foi por essa prosa existencialista que o livro fora encarcerado por quase 50 anos,  mas por um posicionamento explicitamente contra o socialismo soviético estampado no personagem de Konrad que se exilou no exterior por ser contra a guerra e as mudanças sociais na Hungria, que também está escondido nas entrelinhas.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

FITA BRANCA, Michael Haneke

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Uma das coisas mais tristes ao sair do cinema é ficar decepcionado com aquilo de que você esperava muito. Não me divirto nem um pouco quando tenho que vir a público e dizer que é um droga, ou que poderia ser melhor. Não é caso aqui, mas eu quero ilustrar que eu me divirto imensamente quando eu posso criticar nossa talentosíssima indústria de produção e distribuição brasileira. Vamos primeiro ao causo e depois a crítica.

Eis que minha pessoa sai ávida do serviço para ver o filminho em questão em um cinema lá na Vl. Madalena, quase que a sessão começa sem mim, mas eu chego a tempo de uma pequena exaltação de ânimos, digamos, na bilheteria. A razão meu olho já localiza. O aviso que está grudado na bilheteria informa “que o filme tem legendas brancas e é em preto-e-branco, o que pode vir a tornar difícil a leitura”. Lógico que se seu alemão estiver em dia você não notara, considerando que não sei nem pronunciar “danken” corretamente, meu comentário foi “ouch” com a esperança de que não tinham feito essa caquinha com o filme alemão mais importante do ano passado. A esperança é um característica exclusivamente humana, para o pessoal do Cine da Vila ter tido de colocar um aviso prévio eu  não devia nem ter pensado essa besteira. Vamos dizer que eles foram bonzinhos com a situação, pois em certos pontos de paisagem com neve ou do trigo aos raios de sol, imagens de uma beleza sublime, o narrador contando a história, e você apertando os olhos para distinguir branco no branco, o que  é mais uma prova da perseverança humana contra todas adversidades e são grandes narrações que ligam a história.  Os risos irônicos no cinema perante a situação pululavam enquanto você adimirava a fotografia do filme.

No fundo posso dizer que parece não ter me prejudicado, graças a um esforço de minha retina, alguma palavra ou outra que parece com inglês e ir pescando quando tinha um pouquinho de preto no meio. Essas técnicas me salvaram para entender a história, entretanto bota barbeiragem nisso! Não notaram que algumas partes são IMPOSSÍVEIS DE LER! Posso estar falando bobagem pois não sei nada da técnica de projeção, mas creio que se nós fomos a Lua, construímos as Pirâmides, criamos Lost e atravessamos todo dia São Paulo, dá para colocar uma legenda com cor ou algo do tipo. Certo?

A Fita Branca é o novo filme de Michael Haneke, o mesmo de Violência Gratuita, o que já nos diz que é um filme tenso. O filme ganhou os principais prêmios internacionais do qual participou (Globo de Ouro e Cannes) e só não digo que é o favorito ao Oscar de estrangeiro, pois ali é loteria, não tem lógica. A história se centra em acontecimentos estranhos em uma vila da Alemanha pré-guerra. Os acontecimentos que estarrecem a população local são crimes cometidos contra crianças durante o ano pré-Primeira Guerra. Do cavalo que tropeça em aram,e ao final do filme vemos uma galeria de personagens envolvidos em diferentes graus com a violência que contribuem para uma reflexão geral do filme. Temos uma família de cristãos, o pai um pastor que governa a família com punho de ferro e suas duas crianças Klara e Martin, em fase de adolescência, ou seja, em fase de rebeldia contra a ordem da casa. Ao redor dessas crianças circulam outras do colégio em uma espécie de clubinho, que coloca um tom macabro em suas aparições. Temos o Barão com o casamento ameaçado com a Baronesa. Eles simbolizam a aristocracia do vilarejo em franca decadência. Uma família de pobres proletários que são os primeiros a sofrer as consequência dos crimes. Há ainda a família médico, a filha que pode estar sendo abusada sexualmente, o filho menor, sua babá que é sua amante ocasional e  tem um filho com Síndrome de Down. O personagem principal é o professor do colégio da vila que assiste ao desenrolar dos acontecimentos nos narrando a história e ao mesmo tempo narra sua própria história de amor com a primeira babá do Barão.

Com tantos personagens estamos quase em um filme de Altman, e apesar de não se resolver o mistério ao final dos créditos de maneira usual com culpados e bandidos, temos uma impressão muito forte que as crianças do vilarejo estão envolvidas nos crimes . Não há muito espaço para se pensar em qual é a mensagem desse filme, ela é explícita quando se olha o todo. Como ele é narrado por um personagem, este filme nos dá uma visão dele sobre os acontecimentos e ele tem a hipótese que fica na cabela do espectador desde o primeiro frame, esta sempre contida em sua narração  “pode servir para elucidar muita coisa que ocorreu depois na história deste país”, e logo depois ele vem com uma outra resolução “pois eu deveria ter desconfiado da atitude estranha daquelas crianças naquela época”. Por si só este já é o ponto central do filme, toda a salada que eu descrevi serve em primeiro lugar para tirar o foco desta ideia que ele vai defender com toda força no final e depois para aumentar o grau de significação da história no ponto que a violência contra crianças é odiosa, mas temos com as demais histórias um grau a mais de violência entre a sociedade humana. Ninguém é inocente no filme. Há uma crítica a religião pesada, escondida nas entrelinhas, como se fossem os principais culpados e sobretudo ao véu de ignorância que colocamos nos rostos, fechar os olhos perante a monstruosidade e usar uma máscara em forma de fita branca para esconder os demônios de nossa selvageria. a fita branca é um disfarce que a sociedade cria para esconder e com o tempo ela se transforma com uma fita vermelha com a suástica no centro. Tudo que o filme mostra é uma alegoria do que estaria por vir, a obra de Haneke mostra que nós buscamos tudo aquilo que aconteceu em nossa sociedade ocidental, que nós buscamos todo o mal nos aflige e nesse filme ele foi ao limite desse pensamento e o mais incrível e´que é sua obra mais sutil, mais aberta, mas ao mesmo tempo fechada para outras interpretações.

Um dos grandes filmes do ano sem dúvida, mas seria melhor se a legenda fosse amarela, mas isso não culpa do Haneke.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

UM OLHAR DO PARAÍSO, de Peter Jackson

 

um olhar do paraiso Se você achou que após o mundo azul de James Cameron nada mais poderia te encantar na tela grande, o diretor mais visualmente impactante dos últimos anos não poderia deixar esta briga ser vencida tão facilmente por Cameron e fez do mundo colorido de Um Olhar do Paraiso uma outra experiência visual que o transporta em todos os sentidos para o drama de Susan Salmon, uma menina cruelmente assassinada na década de 70 presa entre sua vontade de voltar para casa e a passagem natural a um outro plano. Longe de ser o primeiro filme espírita do mundo, Um Olhar do Paraíso faz o que Peter Jackson mais se habituou a fazer, criar emoções a partir da fantasia.

A tarefa é quase uma loucura cinematográfica que vai deixar muita gente insatisfeita,  pois ele vai tentar combinar dois pontos muito distantes entre si. De lado a história é de um crime hediondo executado a sangue frio e muito próximo da realidade, e no outro lado a criação de um mundo de aquarela que simboliza o paraíso de Susan, belo em todos os sentidos e trágico ao mesmo tempo. Esse contraste é conduzido com um pulso firme, apesar de não funcionar todas as vezes não chega a prejudicar o andamento do filme. Susan (Saoirse Ronan, a menininha chata de Desejo e Reparação no caminho para ser um a grande atriz) é uma menina comum que adora tirar fotos e sonhar com rapazes, um belo dia voltando para casa encontra o vizinho Sr. Harvey (ótimo Stanley Tucci) que a assassina de forma brutal. A Partir daí ela vive em seu paraíso observando a vida de seus pais (Mark Wahlberg e Rachel Wiesz discretos) em meio a dor e o assassino já pensando em sua próxima vítima.

O filme tem partes tensas, contudo não espere cenas fortes como em a Troca, ou uma violência explícita, Jackson cria mais tensão com o andamento que dá ao personagem de Tucci, um assassino sangue frio revelado desde o primeiro minuto do filme, metódico e impenetrável. Ele passa o tempo rememorando os seus assassinatos, não tem um pingo de remorso ou de qualquer psique que demonstre o porquê de suas ações, ele é um psicopata tão distante do expectador que é assustador! Saoirse é o outro ponto forte do filme, muito mais encantadora do que sua última personagem em tela grande, consegue dar vida ao mundo imaginário de Jackson, que por si só é um show a parte. A história começa a tomar uma outra linha quando o pai de Susan começa a investigar por si só o assassinato da filha e devo dizer que um dos melhores atrativos é que a história vai tomar rumos que não são tão óbvios com o decorrer da projeção até seu final em narração que dá um sentido final a toda a viagem de Susan. Belo e trágico ao mesmo tempo, porém quase se incinera também no final.

Me parece (é só um palpite) que a produção, apesar de Peter Jackson estar no meio, ter  tentado aos 45 do segundo tempo mudar um pouco o final do filme para algo mais tradicional, e eis que no meio da narração final de Susan nos aparece um cena que não tem nada a ver com filme até o momento, quase um ato desesperado de tornar o filme mais acessível ao público e totalmente desnecessário e do ponto de vista artístico, uma barbeiragem total. Não é nada que destrua o filme, mas você sai com a noção de que não precisava ter visto aquilo. E eu convido vocês a verem o filme, e porque eu não quero dar nenhum spoiler, me digam se localizaram e se concordam comigo, enfim… continuando não é o melhor filme de 2010, mas é mais um trabalho competente do hobbit mais imaginativo da Terramédia, vale a pena o ingresso.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Amor sem Escalas, Jason Reitman

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E a tradução brasileira faz mais uma vítima, lógico que a intenção é fazer o filme vender mais, contudo imagino as menininhas apaixonadas que veem um cartaz de um filme com Amor no cartaz correrem para dentro da sala de exibição e ficarem chocadas com o triste filme de Jason Reitman, em que happly ever é um conto de fadas.

Amor sem escalas é um filme sobre muitas coisas mas com toda a certeza não é sobre amor. Até a mais apaixonada personagem sucumbe a realidade do mundo ao levar um pé na bunda via torpedo. Up in the air, seria traduzido como Sem chão, Nas nuvens, Pairando no céu, muitas opções mas nenhuma que tenha Amor no título, pois é sacanagem vender o filme desta forma.

Ryan (George Clooney em interpretação sutilmente eficaz) é um funcionário de  um singular empresa que demite as pessoas no lugar dos chefes. Não entendeu? Bem simples. Um belo dia aquele funcionário de 20 anos de empresa precisa ser despedido e como o chefe não tem coragem, surge  Ryan que vem com toda a sua lábia demitir o coitado e lidar com qualquer reação que esta tenha. Estranho? Bastante, não pesquisei para saber se uma empresa deste tipo existe, mas eu creio que exista quase tudo no mundo. A grande sacada desta história é ver como ela se encaixa na atual situação americana, com demissões em massa e muitos desempregados. Em dado momento o chefe de Ryan comenta a respeito e informa “Este é o nosso momento!” frase que escancara a crítica e dá o tom de um filme em que permeia um humor negro muito sutil vindo principalmente os monólogos interiores de Ryan.

Ryan é um personagem que detesta os laços humanos, odeia ficar em casa (no último anos ele passou 43 dias em casa e odiou) e passa maior parte da vida sobrevoando os Estados Unidos e demitindo pessoas por outros. Sua grande paixão, aquilo que o deixa bem, é ficar dentro de um avião ou de um hotel. Em uma dessas viagens ele conhece uma pessoa como ele, Alex (Vera Farminga), ao qual mantém uma espécie de relacionamento casual que irá crescer durante o filme.

A outra mulher que vai intervir na vida de Ryan é  Natalia (Anna Kendrick) ao quem ele precisa treinar no serviço. Essa personagem tem um plano revolucionário para a empresa que é cortar as viagens dos funcionários, com meio de cortar despesas. Para isso as demissões agora serão feitas por videoconferência! Além de receber a notícia de que depois de todos esses anos seus serviços não são mais necessários, a pessoa verá isso por meio de um computador, nem mesmo uma pessoa virá informá-lo. Toda essa trama vai culminar em todas as suas ramificações para criar um mundo em que a impessoalidade é total.  Um mundo muito próximo do nosso e por isso, e principalmente por seu final, é que este filme está sendo ovacionado, merecidamente, diga-se de passagem. Ele pega todas as regras de uma comédia romântica, cria uma história tão agradável, em que as coisas podem dar bem para jogar seu espectador no limbo da depressão.

Possivelmente é um dos filmes mais tristes que já vi no cinema, muito um função da interpreta ção de George Clooney e pessoalmente pois sinto que muitos de nós estamos caminhando par virar um eventual Ryan e o que fica bem claro é que certas coisas, decisões ou fatos da vida, não tem volta. Talvez o mais aterrorizante seja ver em sua palestra sobre se desapegar das coisas da vida (tanto materiais como humanas) para poder viver, e você secretamente concordar com essa visão de mundo pois ele é muito bem escrito para evocar a emoção certa na hora certa, por isso também que seu final é tão destrutivo. Vão assistir pois é um filme que reflete o agora, com ótimas atuações e um roteiro esperto, mas fica o aviso para os mais sensíveis não há nada de Amor no filme.

Moedeiros Falsos, André Gide

 

Moedeiros falsos_2.indd Quando li Os subterrâneos do Vaticano, fora porque eu tinha ouvido falar bem do livro em minhas excursões pelas várias listas de melhores livros do mundo, e também porque em uma de minhas habituais idas a sebo no começo do ano eu tinha achado uma edição de 1971 à preço de banana, o que era um sinal divino para a aquisição e leitura. Creio desde essa época eu não vejo uma edição de qualquer livro de Gide nas nossas livrarias, muito menos nos sebos. Agora na passagem de ano, uma das melhores editoras nacionais de literatura resolveu republicar a obra de Gide em traduções nacionais lançando quatro títulos de uma vez incluindo o já citado com nova tradução, Os Porões do Vaticano.

Os Moedeiros falsos é sua obra mais importante no âmbito do panorama mundial. é romance sobre a construção do romance e também sua primeira obra que mexe com o homoerotismo explicitamente, tema que será recorrente na década 20 e tem como ápice o livro Corydon, um tratado em prol da liberdade sexual.

Moedeiros acompanha vários personagens pela ruas de uma Paris do começo do século, todas elas transitam pela arte e pelos relacionamentos humanos. Os fios condutores são Bernard, um menino que se descobriu bastardo e fugiu de casa para vencer na vida sozinho. O amigo deste, Olivier, um menino a qual todos reconhecem ter um grande talento para artes e será disputado no decorrer do romance por todos os personagens, e tio de Olivier, Edouard, um escritor famoso de meia idade que tem uma paixão platônica e sonha em escrever um  romance de ideias, Os moedeiros falsos, assim com Velásquez pinta a si mesmo no quadro das garotinhas ou Charlie Kaufman, explica o processo de construção de um roteiro no fantástico Adaptação, a grande sacada deste romance é esse espelho que faz com a obra que está lendo, sendo que o personagem principal é Edouard, reflexo claro de Gide.  Edouard quer escrever um romance sobre a vida, totalmente real, mas que não tenha uma história propriamente dita, em parte é a estrutura do romance visto que em dado momento há tantas coisas acontecendo que você não sabe mais qual é o fio narrativo principal, contudo o livro não é completamente solto de um estrutura sendo que as histórias que o iniciam tem um final, outras desaparecem no interior da narrativa. O capítulo principal para que isso aconteça é o final da segunda parte em que o narrador comenta cada um dos personagens que criou, como se estivesse impotente para modificar seus atos, e outros ele resolve não falar mais na terceira parte como é o caso de Lilian.

Dentro da sub-histórias, temos um homem querendo reencontrar o neto. Este sendo uma criança fechada e tem uma relacionamento bonito com uma outra menina. Um escritor vaidoso que todos odeiam, a paixão de Edouard estando grávida de um adultério, o irmão mais velho de Olivier como conquistador barato, e o mais novo se encarregando ao final do livro de dar um sentido ao título sendo que ele põem em circulação moedas falsas na cidade. É um livro de difícil classificação visto que flerta com todos os gêneros, e ao mesmo tempo não pertence a nenhum, de uma habilidade narrativa extrema e de um final perturbador que de tão sombrio sua significação, pessoalmente, me remete ao lado negro da vida que é velado em várias histórias. No todo o livro constitui um panorama sobre a vida dos indivíduos na cidade  e na incapacidade da arte de conseguir retratar de maneira real os fatos da vida. Edouard diz que não usara a tragédia que se abate aos personagens no final do romance, por questões morais e pessoais, mas já está lá descrito pelo narrador, as limitações que Edouard põem ou quer colocar em sua obra é aquilo que impede de escrever e sobre as diversas fases da escrita do romance este livro é um primor da metalingüística. Vale a leitura, um clássico sempre vale.

sábado, 23 de janeiro de 2010

DEIXA ELA ENTRAR, Tomas Alfredson

 

deixa-ela-entrar2 Os clássicos podem aparecer de algumas formas, mas sobretudo de três maneiras. Ele já vem com cara de filme grande, gera muitas expectativas e muita gente torce pro maldito afundar mas não consegue, como exemplos práticos temos desde E o vento levou até o recente Avatar. Também podemos ter aquele filme que é descoberto depois em dvd mesmo, como À espera de um milagre e tem aquele filme que escapa de todo radar cinematográfico em alerta, normalmente uma produção pequena que se destaca por sua ousadia, caso do recente Distrito 9 e desta pérola sueca.

Em tempos em que o conceito original de vampiro está sendo reinventado a cada dia, sendo que, recentemente, sua pele virou diamante (vocês nunca pararam para pensar como isso é herético!?), é bom ver o velho mito em tela grande tal como foi criado, inclusive a regra mais estranha que as histórias costumam ignorar, que é a de que um vampiro só pode entrar na casa de alguém se for convidado. Alias, a última vez que vi alguém respeitar isso foi em Buffy, a caça-vampiros, os vampiros eram parados por alguma barreira invisível na porta das casas dos moradores de Sunnydale sendo que essa até hoje era a interpretação mais plausível para essa parte da lenda, contudo devo informar que Tomas alfredson criou uma cena muito mais fantástica para explicar isso. Alias, creio que todo o filme deve girar em torno dessa cena, tanto é que o título do filme se remete a esse detalhe.

Oskar (Kare Hedebrant) é um menino de 12 anos, sensível e infernizado dia-a-dia pelos valentões da escola. Em sua casa ele fica imaginando o dia em que vai se vingar. Eli (Leni Leandersson uma promessa de grande atriz) é uma vampira e sua nova vizinha, também de 12 anos mais ou menos. O filme não te enrola. Ele vai direto ao ponto por meio de um terceiro personagem que é o pai de Eli, um sujeito atormentado pois se tornou um serial killer, visando proteger sua menina. Antes dos minutos iniciais ele já está assassinando um jovem para coletar sangue, contudo ele já está demasiadamente conhecido e seus ataques costumam a não dar certo, sendo que em dado momento Eli vai ter que se virar sozinha. Parte do drama é que os vampiros não são seres  bonzinhos que podem comer outra coisa, ou podem só tomar sangue de animais, eles tem que sugar sangue humano e fresco! A genialidade é que, assim como Freud inaugurou a psicanálise e Otto Lara Resende fez um clássico da literatura  nacional ainda não descoberto (A boca do inferno), o filme nota também que as crianças não são boazinhas. Isso pode ser visto tanto na gangue de pentelhos que enchem o saco do protagonista, quanto na imagem que Eli faz do mesmo. Não há nada de bonitinho no mundo infantil do filme, a única coisa tocante é o relacionamento que vai se desenvolvendo entre os dois protagonistas.

No todo o filme é uma história de amor infantil, tão interessante quanto o clássico da sessão da tarde Meu primeiro amor, e se não mais tocante. Há algumas transgressões interessantes na estrutura desse romance, pois ao mesmo tempo em que temos a ingenuidade própria da idade há um relacionamento que transcende  o básico, um amor platônico que fica no silêncio entre os dois, ou sentimentos mais sensuais entre os dois como Oscar expiado Eli trocar de roupa, ou ela própria se embrenhando nua em sua cama.

E logicamente a genialidade maior reside no diretor que consegue combinar gêneros variados na sua obra. Sim, é um romance. Macabro, mas um romance. Contudo ele  combina isso um verdadeiro encadeamento de assassinatos e cenas fortes com uma suavidade incrível. Você não abstrai desta história que em certos pontos refletem as sutileza dos gestos dos protagonistas e em outras surge um homem deformado caindo 7 andares abaixo. Essa talvez a principal qualidade da obra, a sua direção competente. Tomas lembra muito Wong Kar-Wai na relação dos personagens com o espaço, ou como o espaço físico reflete as personagens em certos momentos, mas ainda tem pulso firme para criar a tensão, simulando a violência mais do que mostrando-a. No final do filme isso fica ainda mias claro, pois ele vai aos extremos desses dois tópicos sem perder o filme.

Um romance fantástico, vale muito a pena assistir. Só para salientar ele já ganhou 57 prêmios desde sua estreia em 2008, sendo que está indicado ao Bafta de Filme estrangeiro deste ano. Quando vai estrear? Estreou em setembro, só na rede Unibanco de cinemas.e ainda está passando em uma sessão especial há 00:00 de sexta a domingo, vale salientar que sessão especial no Unibanco é coisa chique, e que romance tocantes com genocídio no meio é algo único e que a Suécia é terra do Bergman e do Nobel e… é muito bom! 10.