segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 – O Vencedor

 

o-vencedor-poster O cinema americano tem uma paixão avassaladora por filmes de boxe, chegando a ser até um gênero em si. Clássicos indubitáveis do cinema saíram dos ringues. Como não se emocionar com Rocky subindo as escadas em meio a superação, ou a fúria sangrenta de Jack La Motta no melhor Scorsese, Touro Indomável. Outros filmes usufruem do esporte violento para enganar seu espectador como Menina de Ouro ou mostrar toda a decadência de uma pessoa no depressivo O Lutador. Essa fascinação é a mesma que nós temos pelo futebol como esporte, além da paixão intrínseca pela arte esportiva há o desejo de ser um deus do esporte também, pois assim como o futebol pode elevar um zero a esquerda ao status de herói no Brasil, o boxe pode tirar alguém da miséria a fama instantânea, bastando ficar umas 15 partidas sem perder.

Nesse cenário é que Rocky’s se superam e que surgem monstros como LaMotta. Micky “irish”, o personagem principal de O Vencedor está muito mais próximo do personagem ícone de Stallone do que de subtextos grandiosos que usam o boxe como pretexto, sendo assim você pode esperar deste filme um drama nu e cru sobre o boxe em si. Este também é o trabalho de ressureição de Mark Whalberg, que é enxotado pela crítica como ator há alguns anos, mas também com os projeto que ele anda pegando somente como ator é compreensível. Aqui ele acerta a mão e nos dá um Micky durão nos ringues, mas extremamente emotivo e indeciso na vida normal, deixando as pessoas que o rodeiam dominar sua vida. E sem nenhum preciosismo Whalberg se deixa ser engolido pelas atuações fortes de todos os coadjuvantes, assim como seu personagem Micky.

A vida de Micky é controlada por dois personagens de sua família: A mãe empresária, interpretada por Melissa Leo como uma verdadeira megera. E o irmão viciado em crack, interpretado por Christian Bale 20 quilos mais leve, quase aparentando um doente. O irmão poderia ser o personagem principal do filme de tão forte como é influencia para com Micky, esse subtexto de como as drogas destroem um ser humano é muito bem explorado pelo ator que eleva a complexidade do filme a um outro patamar. Micky é utilizado como degrau por outros lutadores até que uma garçonete durona, interpretada pela doce Amy Adams,  entra em sua vida e lhe mostra como ele a desperdiça em função da família. Ai começa uma guerra familiar pelo destino do Lutador.

O boxe é uma das metáforas para a superação e todos os personagens tem que se superar para vencer no final. Micky como lutador, Amy com o álcool e Bale com as drogas (A mãe não creio que siga o mesmo caminho) e há uma clara mensagem de união familiar em seu subtexto que tornam esse filme um hiato de seu tempo, vide que a mensagem é algo tão auto astral, que apesar da pobreza, das encrencas e da megera. A vida pode ter solução no final, é só não desistir.

Mas não se engane, não é auto-ajuda. É uma bela obra cinematográfica basicamente calcada nas interpretações poderosas na tela, David O. Russell (Três Reis) que gosta de fazer uma firula com a câmera está totalmente discreto confiando somente em seus atores. Creio que exista um certo culto em cima do filme agora. Não creio que seja um clássico do cinema, mas os fãs de Balboa devem sentir a nostalgia de realmente ver um filme de boxe na telona, com cenas realmente boas de luta. Tanto que vejam a brincadeira abaixo.

The-Fighter

O LUTADOR …SÓ QUE COM LUTA – Brincadeira com o filme de Daren Aronovsky.

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