sábado, 9 de maio de 2009

LITERATURA: BUDAPESTE, Chico Buarque

“Pensei em um cidade cinza, mas Budapeste é amarela (…) percebi em uma cidade cinza”

Não estou mais com livro por isso a citação pode não ser exata, uma vez que minha mente flutua, contudo escolhi-a pois exemplifica a estrutura do livro de Chico, um vai-e-vem constante. Ainda com relação a isso, Chico quis construir um alegoria do romance, com nos de fábula saramagiana e ecos de um situação kafkaniana, com a intenção oscilando entre admirar e criticar a língua, poesia e literatura como um todo, em uma prosa bonita e rebuscada, com reviravoltas e um humor satírico fino. A intenção é imensa e romance é pequeno. Há quem ame pelas várias alegorias contidas, eu achei irregular.
A história já revela, por si só, onde ele vai brincar: José Costa ganha dinheiro como ghost writter, ou seja ele escreve e outra pessoa recebe os créditos, lógico que isso vai dar errado em algum momento quando alguém fizer mais sucesso que o esperado, ele ficar fulo e destruir a vida, mas a gente continua pois parece que esse não é o eixo do romance, pois ele tem que passar um tempo em Budapeste devido a um pouso forçado, apaixona-se pela cidade, pela língua que até “o diabo respeita”, e pela língua de uma professora local. Assim acompanhamos pelos anos José Costa, ghost writter em declínio, marido idiota e pai ausente, e se duplo Zsosé Kosta, amante de Kriska, que por viver dividido entre não saber o que quer vai destruir sua subvida em Budapeste também.
Os coadjuvantes são todos planos, sem o mínimo de profundidade, mas o romance é uma alegoria da língua, das palavras, do sentido mutável e etc... o que é legal até, e em certos momentos é um lirismo lindo que invade as descrições como no encontro com o filho perto do fim do romance, ou como Kaspar escrevia nos corpos das amantes sua história, o problema é quando exagera e tenta demonstra por força a beleza de se aprender húngaro. Você chega a metade dizendo: Ok. Já entendi.
Até aí teríamos algo legal, bem escrito e irrelevante. O meu problema mesmo veio com o final tosco em que vai da miséria total para mais completa plenitude em meia página. Tudo pode acontecer mesmo, e ainda que bem bolado é clichê. Não chega nem perto de ser ruim, mas não é oitava maravilha que informam por aí e a capa é muito bem bolada.

Nenhum comentário: